[[legacy_image_295789]] O historiador Wellington Borges também falou ao programa Papo Tribuna sobre os acontecimentos anteriores à Proclamação da Independência e o papel da região nesse fato. O que você conta sobre a história de dom Pedro I ter passado mal quando estava em Cubatão? Ele teria comido alguma coisa, provavelmente uma carne estragada, e quando chegou a Cubatão, na manhã do dia 7 de setembro, de fato, estava se sentindo muito mal. E ele teria sido atendido numa estalagem que era bastante conhecida pelas pessoas que passavam por lá, principalmente pelos tropeiros que desciam a Calçada do Lorena em direção ao Porto Geral, e essa estalagem era administrada pela dona Maria do Couto e por seu marido — família Couto, inclusive, que é bastante conhecida em Cubatão; tem uma avenida com o nome Joaquim Miguel Couto. E a dona Maria do Couto conhecia muito bem as ervas das matas – a estalagem era muito próxima às escarpas da Serra – e ofereceu ao príncipe um chá da folha da goiabeira. Esse chá, provavelmente, tenha sido suficiente para o príncipe se sentir um pouco melhor e retomar a viagem rumo a São Paulo, subindo pela Calçada do Lorena. Isso é uma história oral, que vem há muito tempo sendo contada. Se ele não tivesse tomado aquele chá, provavelmente teria se encontrado com um empregado às margens do Rio Cubatão e, aí, a história seria outra. Nós não cantaríamos “Ouviram do Ipiranga...” (primeiro verso do Hino Nacional). Essa história ganhou muita notoriedade por dois fatos: na região e na Cidade, por conta do Teatro do Kaos, que desde 2002 apresenta a peça Caminhos da Independência, e porque o Laurentino (Gomes, jornalista) colocou em um livro (1822) um fato que era tratado mais como uma lenda, mas ele registra isso muito mais como um fato histórico, embora, nas referências bibliográficas, cite que essa passagem por Cubatão era história oral, contada de geração em geração. Isso fez com que a Cidade ganhasse uma notoriedade bem grande. A encenação do Teatro do Kaos sobre esse ato é uma forma de preservar a história de Cubatão? Sem dúvidas. O Teatro do Kaos apresenta o Caminhos da Independência desde 2002. A peça já levou para a Cidade grandes nomes (artistas): Alexandre Borges foi o primeiro dom Pedro. E isso trabalha o sentimento de identidade na Cidade. Tudo bem que o grito não aconteceu ali, mas o fato de Cubatão ter escutado essa história diferente, caso houvesse o encontro do príncipe regente com o mensageiro, trabalha essa possibilidade de uma maneira divertida, valorizando a Cidade. Cubatão, assim como Santos, está inserida nesses caminhos que levaram o príncipe a proclamar a Independência em 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga. Qual a história do caminho das pedras, conhecido como Calçada do Lorena? Ela foi inaugurada em 1790 pelo governador da província José Bernardo Maria de Lorena. Esse caminho ficou 60 anos sendo utilizado, mas, com a ampliação das culturas agrícolas no Interior de São Paulo, fez-se necessária uma nova estrada que cortasse alguns trechos da Calçada do Lorena. Em 1922, (o então presidente do Estado, hoje denominado governador) Washington Luís mandou pavimentar essa estrada e construir alguns monumentos históricos que funcionavam como paragem. Esses monumentos contavam com os azulejos de Wasth Rodrigues. Essa estrada também ficou muito conhecida na voz de Roberto Carlos na música As Curvas da Estrada de Santos, porque Cubatão foi distrito de Santos até 1949.