[[legacy_image_224898]] As estatísticas comprovam que a cobertura vacinal contra covid-19 tem impedido que a atual nova onda da doença — da subvariante BQ.1 da variante Ômicron — seja mortal como em épocas anteriores, inclusive na Baixada Santista. O médico infectologista Marcos Caseiro, um dos especialistas já consultados pela Prefeitura de Santos em períodos críticos da pandemia na Cidade, afirma que se espera mais um pico de infecções, mas com menos óbitos. “Certamente vamos ter um pico de casos. O nosso maior pico foi com a (subvariante) BA.1, no começo do ano, mas não tivemos um número de mortes correspondente, e, certamente, a vacina tem um peso nisso”, diz Caseiro. Dados apresentados nesta sexta (25) pela TV Tribuna mostram que, entre sábado passado e sexta (sete dias), foram confirmados 2.437 casos e sete mortes em decorrência da covid-19. A média diária de casos subiu de 252 para 348 entre a semana anterior e a atual, agora com uma morte por dia. Para comparação, em 21 de janeiro, quando circulava na região a subvariante BA.1, da variante Ômicron do vírus, as nove prefeituras registraram 1.214 casos de coronavírus e cinco mortes em 24 horas. No dia 25, haviam sido 1.612 infecções e seis óbitos — neste caso, tratava-se de uma segunda-feira, na qual se contabilizavam dados represados do fim de semana. Ainda: num dos períodos mais letais da covid-19 na Baixada, na semana de 6 a 12 de abril do ano passado, registraram-se 2.947 casos e 195 mortes. A vacinação da população em geral estava disponível apenas na faixa acima dos 68 anos, que recebia a primeira dose. O número de infecções naquela semana de abril de 2021 era semelhante ao atual, mas com proporção de óbitos mais alta. Na época, a taxa de letalidade (mortes sobre o total de infecções) era de 6,6%. Com base nos dados desta semana, está em 0,3%. Segundo Caseiro, dos seis casos de pessoas internadas que ele viu recentemente, “todos, ou não tinham a vacina ou tinham uma dose da vacina apenas”. Alta incidência A importância da vacinação ganha força com a incidência de casos confirmados. Reaberto na quarta-feira, devido ao crescimento na procura por exames, o centro de testagem montado pela Prefeitura de Santos, na sede da Portuguesa Santista, no Marapé, apontou que um em cada três testados estava infectado — 160 dos 483 exames realizados, ou 33,1%. “Vamos ter muitos casos, mas vai ter muita subnotificação, porque muita gente não vai fazer o exame e outros acabam fazendo na farmácia e não notificam”, pondera o médico infectologista. Comparação Entre sábado passado e ontem, foram confirmados 2.437 casos e sete mortes em decorrência da covid-19. Num dos períodos mais letais da covid-19 na Baixada, na semana de 6 a 12 de abril do ano passado, registraram-se 2.947 casos e 195 mortes. Na época, a vacinação não era geral na região: apenas para maiores de 68 anos. Imunização ajuda a evitar casos graves, afirma infectologistaMarcos Caseiro diz que não há diferença nos sintomas entre vacinados ou não, mas frisa que, apesar de a vacina não evitar que se pegue a doença, ela “claramente tem uma eficácia no sentido de não deixar desenvolver a forma grave”. Ele salienta que os sinais vão mudando com as variantes. “Os três mais frequentes (nesta onda) são a coriza, um mal-estar, uma (sensação de) quebradeira no corpo e dor de garganta. É um quadro que se assemelha mais a um resfriado comum, não a um quadro de gripe”, detalha. Com as mutações, há mudanças no comportamento do vírus, o que, em tese, pode torná-lo “menos patogênico”. “Nenhum parasita quer matar o seu hospedeiro. A adaptação é a marca do parasitismo: se ele mata o hospedeiro, ele morre também. Então, teoricamente, essas cepas vão mudando e tendem a se tornar um vírus menos patogênico e mais transmissível, para manter essa cadeia de transmissão”, observa. Nesse quadro, ele aponta a importância da incorporação de novas vacinas ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Essas vacinas bivalentes, uma da Moderna e outra da Pfizer, vão levando em conta que os vírus vão mudando. É o que acontece com a vacina da gripe, que a gente toma todo ano.”