[[legacy_image_9832]] A União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs) foi criada em março de 2010 com a intenção de reunir os parlamentares de cada um dos nove municípios da região, a fim de debater os problemas e encontrar soluções para os desafios locais. Em entrevista concedida para A Tribuna no último dia 2, o presidente da instituição, Roberto Andrade e Silva, o Betinho (MDB), de Praia Grande, e um dos conselheiros da entidade, Marcio Silva Nascimento, o Marcinho (PSB), de Cubatão, detalharam algumas ações recentes do grupo, como o diálogo com representantes do Governo Federal e do Congresso Nacional, no fim do mês passado. A Uvebs tem buscado ser o fórum para a discussão das demandas para encaminhar soluções ao cidadão metropolitano, superando as vaidades políticas que, infelizmente, impedem o avanço de projetos importantes para a Baixada Santista. Confira os principais trechos da entrevista: Na avaliação dos senhores, a população sabe qual é a função de um vereador? Betinho - Infelizmente, as pessoas não têm a noção exata do nosso papel. Cobram muitas vezes o que não é atribuição nossa e não cobram aquilo que nos compete. Há uma inversão. Tenho plena convicção e muito orgulho da importância do vereador. Ao olhar pela pirâmide política, ele está na base da classe política e é o que está mais perto das pessoas. Marcinho - A gente recebe muitas demandas relacionadas à segurança pública, que é uma atribuição do Governo do Estado, e muitos pedidos de emprego. O vereador aponta o problema e vai em busca de soluções, muitas vezes, em conjunto com os colegas. Diante desses problemas comuns é que surge a importância da Uvebs? Betinho – Exato. Muitas vezes, o vereador acaba sendo consumido pelos desafios do cotidiano. Em 2014, praticamente toda a Câmara de Guarujá foi à Assembleia Legislativa e o parlamento parou para receber os vereadores que cobravam o reforço do policiamento na Cidade. Imagina se conseguirmos mobilizar 30, 40 dos 134 vereadores da Baixada Santista para apresentar as demandas locais? Será um outro peso político. Se a população pressionar o vereador e ele souber o canal certo, as coisas acontecem. Qual a prioridade da atual gestão da entidade, iniciada em dezembro do ano passado? Betinho – Temos muitos desafios, mas se elencarmos tudo o que impacta a vida do cidadão metropolitano, a gente perde o foco. Por esse motivo, a prioridade das prioridades é a saúde, o sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde, gerenciado pelo Governo do Estado). Defendemos uma maior transparência e queremos entender os critérios estabelecidos para saber como as vagas são concedidas. Por exemplo: quando falamos de disponibilidade de vagas cardiológicas, qual é a proporção para Cubatão, sendo que os hospitais referências estão em Santos? O vereador não sabe. Se há efetivamente uma clareza nessas informações, o próprio agente político consegue entender onde está o gargalo para fazer pressão política para encontrar uma solução. Os vereadores cansaram de ser enrolados por desculpas burocráticas? Betinho – Posso dizer que cansamos pelo fato da discussão sobre esse assunto estar sendo protelada há muito tempo. Por esse motivo, muitas pessoas criticam os vereadores. Posso te garantir que, dos 134 vereadores da Baixada Santista, 90% têm todo o compromisso de buscar as soluções aos finais de semana e feriados, mas chega uma hora que não há mais para onde ir, principalmente quando o assunto está relacionado às vagas de internação. Marcinho – Esse cenário de dificuldades cria a visão equivocada nos munícipes que uma vaga de internação só sai por causa do vereador. Estamos brigando para desfazer essa impressão de interferência política e para que tudo possa caminhar bem a fim de que qualquer paciente seja atendido adequadamente. E que medidas já foram executadas para avançar nessa questão do Cross? Betinho - Ficou definido que cada diretor da Uvebs tenha a real situação de sua cidade. Depois, queremos entender melhor o sistema. Vamos ter uma reunião técnica com uma profissional que atuou nessa central para nos dar subsídios técnicos para formarmos um entendimento de quais são as reais dificuldades do sistema e as possíveis soluções. Posteriormente, vamos elaborar um documento com propostas e fazer a cobrança em uma audiência como secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann Ferreira. O pedido da Uvebs para ter um assento no Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista) já foi aprovado pelo colegiado? Betinho – A Uvebs não é um clube de amigos. A Uvebs está somando esforços para melhorar a vida do cidadão metropolitano. Em março, protocolamos esse pedido para termos voz ativa. Eles ainda estão vendo uma forma legal para atender o nosso pedido, que teve uma recepção positiva. Nosso próximo passo é ter uma reunião com o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, para fazer novamente essa cobrança. Também queremos a retomada da Câmara Temática de Equalização das Leis Municipais com Caráter Metropolitano. Defendemos o selo metropolitano para acabar com as barreiras burocráticas para ônibus fretados, por exemplo, para estimular as visitas às nossas cidades. Esse maior protagonismo político da Uvebs não pode criar uma ciumeira dos deputados? Betinho - De maneira nenhuma queremos substituir o papel dos nossos deputados. A gente tem a plena compreensão e entendimento. Mas a gente não pode ignorar que o cidadão é metropolitano. Às vezes, o Marcinho está recebendo a cobrança de um praia grandense, mas estamos falando de alguém que trabalha e estuda em Cubatão. A questão da mobilidade urbana afeta a todos. Marcinho – Um exemplo claro é a obra da entrada da Cidade de Santos (pela Via Anchieta). O morador de Cubatão sofre os impactos dessa intervenção. Já cobramos a Ecovias e ela respondeu que isso nada tinha a ver com a nossa cidade, por exemplo. É um problema metropolitano. Temos que deixar as vaidades de lado para buscarmos soluções regionais. Alguns prefeitos admitem que projetos importantes para a região não avançam por vaidade política. A Uvebs pode ser a vacina contra esse mal, para colocar a Baixada Santista em papel de protagonismo? Betinho – A gente leva essa vantagem porque temos pluralidade partidária. Nossa diretoria é formada por integrantes de várias legendas, o que nos ensina e nos ajuda a ter essa interlocução. As pessoas querem resultados, melhorias e avanços. Se a gente tem essa compreensão e quer estabelecer prioridades, entendo que a classe política vai ganhar com esses avanços. Precisamos dialogar sempre para beneficiar o cidadão que está lá na ponta. Qual a avaliação sobre a agenda da entidade em Brasília, no mês passado? Betinho – Tenho a convicção que a ida a Brasília foi um passo importante para a Uvebs estabelecer e deixar marcado o nosso espaço político como representante dos 134 vereadores de 9 municípios de uma região com mais de 1,8 milhão de habitantes. Conseguimos ter uma agenda importante na Casa Civil, com a líder do Governo no Congresso, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), com o coordenador da bancada paulista na Câmara, Herculano Passos (MDB), e com outros parlamentares para mostrar as principais demandas e necessidades da região e para estabelecer uma interlocução para que a Baixada Santista possa receber emendas de bancada. Eles perceberam a importância da nossa região para o desenvolvimento do País por causa do Porto de Santos e do Polo Industrial de Cubatão. E ainda tiveram acesso a projetos importantes, como o Complexo Andarágua, em Praia Grande. Marcinho – Na Casa Civil, reforçamos a importância da retomada das atividades da Usiminas para a Baixada Santista e da produção de aço em São Paulo. A impressão que tivemos é que eles não tinham a dimensão do impacto do desemprego causado em nossa região por causa da Usiminas e fechamento de postos em outros setores. Também mencionamos a frustração e os impactos sociais negativos causados com o não cumprimento dos investimentos previstos pela Petrobras em nossa região e com a mudança de política da estatal. A saúde também foi ponto de pauta da conversa com os congressistas? Marcinho – Protocolamos nos gabinetes o pedido para que o teto de média e alta complexidade (MAC) das cidades da Baixada Santista fossem ampliados. Muitos deles não tinham noção das dificuldades dos pacientes locais. O assessor de um dos deputados federais que visitamos, o Enrico Misasi (PV), tem grande amizade com um servidor de carreira que trabalhou no Ministério da Saúde e ficou de nos passar todo o conhecimento técnico para ajudar os nossos secretários de saúde. Muitas vezes, um equívoco na hora de fazer a solicitação pode fazer toda a diferença.