[[legacy_image_228705]] O fim do ano chegou e os ventiladores e aparelhos de ar-condicionado viram aliados para lidar com as altas temperaturas. Mas é preciso cuidado para que o conforto térmico em uma noite de sono não seja o estopim para problemas de saúde no dia seguinte. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O uso de ar-condicionado divide opiniões em lugares públicos, como escritórios e até shopping centers. Há quem defenda as baixas temperaturas e os que se incomodam com a baixa umidade dos ambientes. Isto acontece, principalmente, com os que já têm problemas nas vias aéreas. “Entre as doenças respiratórias alérgicas estão a rinite e asma, comuns inclusive em um mesmo indivíduo. Em relação à pele, a dermatite atópica tem no calor e no suor gatilhos comuns para as crises de coceira e vermelhidão”, afirmou o alergologista Fabrício Afonso. Ele explica que, após exposição a esses equipamentos, podem ocorrer congestão nasal, espirros e tosse, sintomas comuns às rinites não infecciosas, como a rinite alérgica, a rinite vasomotora e a rinite irritativa. Segundo Afonso, os aparelhos de ar-condicionado precisam ter o filtro sempre limpo e a manutenção em dia. “O ar frio e a baixa umidade relativa do ar no ambiente fechado, causada pelo equipamento, são irritantes da mucosa nasal. O ventilador não reduz a umidade, mas o vento produzido também é irritante da mucosa respiratória se estiver direcionado para o indivíduo. Ademais dispersa os alergenos da poeira, como ácaros e outros insetos”, afirmou o médico. Vírus “Em dias muitos quentes, muitas pessoas usam os aparelhos de ar-condicionado. Eles não provocam resfriado ou gripe, que são infecções causadas por vírus. Porém, eles podem facilitar a propagação desses microrganismos, principalmente em situações de aglomeração em ambientes fechados, sem renovação adequada do ar. Essa troca pode ser feita abrindo a janela às vezes ou usando a função ventilador dos aparelhos de ar-condicionado”, afirmou o infectologista Leonardo Weissmann. De acordo com o médico, o ideal é preferir a ventilação natural, com janelas abertas, para renovar o ar. A questão ganha ainda mais importância no momento em que há alta na taxa de contaminação por covid-19. “A transmissão de vírus é bastante eficaz em ambientes fechados, superlotados, onde há pouca ou nenhuma ventilação, principalmente quando pessoas infectadas passam longos períodos com outras”, afirmou o infectologista. Hidratação Pele, cabelos e até as unhas também podem ser impactados pela redução da umidade causada pelos aparelhos de ar-condicionado. Segundo especialistas, usar hidratantes é uma boa alternativa para evitar problemas como coceira, vermelhidão e descamação em áreas como rosto, mãos, pernas e pés. Cabelos e unhas também podem ficar quebradiços. Neste caso, o ideal é, além de hidratar, evitar banhos quentes e prolongados. Dicas e cuidados Especialistas recomendam que a temperatura do ar-condicionado deixe o ambiente agradável e não muito frio. Por isso, mesmo que a temperatura externa supere a casa dos 30°C, a orientação é de que os equipamentos estejam configurados entre 22°C e 25°C. Deixar uma toalha molhada no ambiente em que o ar-condicionado está ligado é uma forma de umedecer as narinas, assim como a colocação de um balde de água no local. Também podem ser utilizados outros tipos de umidificadores. Lavagem nasal com soro fisiológico diariamente e aumentar a ingestão de água também estão entre as dicas para reduzir o impacto do uso de aparelhos de ar-condicionado. As mudanças de temperatura causadas na transição de ambientes muito quentes para gelados também merecem atenção. Isto porque essa transição também pode causar o ressecamento das vias aéreas.