[[legacy_image_154220]] Trabalhando há quase 45 anos na mesma esquina, o pasteleiro Domingos Marques da Silva se tornou um símbolo do Aparecida, em Santos. Prestes a completar 72 anos de idade, ele ainda não se vê tirando o time de campo e pedala todos os dias, desde o bairro México 70, em São Vicente, onde mora, até seu tradicional ponto de vendas, na esquina das avenidas Pedro Lessa e Almirante Cochrane (Canal 5), sem perder o amor pelo que faz. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Eu adoro fazer isso, sabe? Gosto de trabalhar, adoro a minha freguesia. Quando eu não trabalho, sinto falta deles e sei que eles também sentem a minha. Vi a criançada do bairro crescer e hoje meus antigos fregueses levam seus filhos e netos até o meu carrinho, todo mundo gosta. Amo o que eu faço e tudo que eu faço é com carinho e prazer", celebra Domingos. Nascido em Cotia (BA), o pasteleiro conta que veio para o Litoral Paulista ainda adolescente, quando tinha 17 anos. Na segunda metade da década de 1970, num Aparecida completamente diferente de hoje, ele montou seu carrinho para vender pastel e não parou mais. "Isso já faz 44 anos! Quase 45. É uma vida, né?", se admira. Seu Domingos completará 72 anos em 12 de março e conta que, faça chuva ou sol, vem de São Vicente, onde mora há quatro décadas, a Santos para fazer a alegria da freguesia. "Com chuva, sol ou vento, eu vou sempre. Acho que é por isso que tenho essa coragem e continuo ativo. Depois ainda empurro o carrinho, que é pesado, mas estou acostumado. Parece que não estou fazendo nada", contou, aos risos. Essa dedicação ao trabalho é motivo de orgulho para toda a família. Não à toa, o auxiliar administrativo Ivo Mendes da Silva, de 32 anos, que é filho de Domingos, visita o carrinho toda sexta-feira e, há algumas semanas, se deparou com uma cena inusitada: viu uma mãe falando ao filho que a coxinha de frango vendida ali é a melhor do mundo e ela a comprava desde quando era criança. Esse relato foi compartilhado nas redes sociais e acabou viralizando. "Postei despretensiosamente, pois achei bonita a história da moça. Eu passo por lá toda sexta e vi a moça com o filho dela, que pediu um pastel. Enquanto eu conversava com o meu pai, eu a ouvi falar para o filho que a coxinha vendida no carrinho era a melhor do mundo e o menino concordou. Achei bacana, decidi compartilhar com meus amigos e tomou grande proporção. As vendas até aumentaram". [[legacy_image_154221]] Domingos diz que ficou "feliz da vida" com o relato da freguesa e curte seus momentos de fama e aumento no faturamento. "As vendas aumentaram bastante com essa postagem. Por onde eu passo, as pessoas que me conhecem falam 'vi lá o que seu filho postou, muito legal'. Isso é sinal de que tem muita gente que gosta de mim". Ivo concorda e ressalta: "Falar sobre o meu pai é fácil, sempre deu um bom exemplo para a gente. Ele trabalhava de segunda a sábado, saía de casa às 7h e chegava às 22h, mas sempre foi um paizão que apoia a gente". RendaApesar de seu pai estar aposentado, Ivo explica que a renda do pastel o ajuda a complementar a aposentadoria, de um salário mínimo. "Ele adora trabalhar com pastel, mas também continua trabalhando para complementar a renda". Para os próximos anos, o aposentado planeja diminuir o ritmo do trabalho. Nem que seja aos pouquinhos. "Enquanto eu estiver aguentando, estarei lá. Mas não vou ficar a vida toda, preciso descansar também, né? Senão a gente leva a vida só trabalhando e não descansa".