[[legacy_image_3213]] O serviço de travessia de barcas entre Santos e Vicente de Carvalho entrou em colapso. Em menos de 24 horas, entre quarta (24) e quinta-feira (25), as operações foram suspensas três vezes. Só uma lancha restou, e os passageiros sofreram: ou encaravam filas imensas ou desistiam e procuravam as catraias. O caos levou o diretor presidente da Dersa, Milton Roberto Persoli, a descer a Serra nesta quinta-feira à tarde para tentar explicar a situação. Ele disse que, “por volta das 18h”, duas embarcações paradas, Paicará e LS-05, voltariam à ativa. Porém, isso não ocorreu. Com apenas a lancha Itapema I, que tem capacidade para 185 passageiros, em operação desde quarta-feira à tarde, as estações viraram palco de filas e bate-boca de usuários com os funcionários. A atendente de telemarketing Marcela Silva, de 33 anos, praticamente caiu da cama para enfrentar, desde as 6h, a fila no lado de Vicente de Carvalho. Só chegou a Santos às 8h30, seguindo às pressas para o trabalho, no Centro. “É um descaso total coma população. Uma embarcação só? Como pode? A gente paga por esse serviço, não é favor”. Fechado Em determinado momento na manhã desta quinta (25), a bilheteria do lado de Vicente de Carvalho simplesmente fechou. “Quem não tinha cartão, não conseguia nem chegar nas barcas”, contou o atendente de telemarketing Robson Milheiro, de 57 anos. Outra revoltada era a gerente comercial Eloina Cantão Rodrigues, de 42 anos, que estava no lado de Santos e tentava ir para o trabalho, na Praça 14 Bis, em Vicente de Carvalho. “Faço essa travessia há oito anos e nunca fomos tratados assim. É o caos do caos. Ontem (quarta-feira), saí do trabalho às 17h e esperei das 18h às 19h40 para pegar a barca”. Em nota, a Dersa disse que “as equipes mecânicas foram reforçadas e trabalham de forma integral para solucionar os problemas” das barcas. Porém,“as manutenções são complexas e demandaram mais tempo que o previsto”. Não há prazo para que Paicará e LS-05 voltem às operações. Mais cedo, o diretor-presidente Milton Persoli explicou que a Paicará foi interditada pela Capitania dos Portos porque as portas automatizadas não estavam perfeitas e o guincho da âncora teve problemas. Já a LS-05 parou por causa de um problema mecânico: leme e eixo não estariam adequados e exigiriam solda. “Não temos embarcação reserva e não dá para fazer manutenção preventiva. O máximo que consegui de janeiro pra cá foi fazer manutenções o tempo todo, inclusive fins de semana”. Para ele, a solução de curto prazo é resolver os problemas mecânicos. Já em médio prazo, consertar as três lanchas paradas. E, no futuro, buscar parceria público-privada. O governador João Doria já disse querer extinguir a Dersa.