[[legacy_image_27513]] Os esforços de escolas, professores, alunos e famílias durante a pandemia da covi-19 ficaram muito claros. Ainda assim, as deficiências que vêm se acumulando ao longo desse período farão de 2021 um dos anos mais desafiadores para a Educação. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! Trabalhar o conteúdo de dois anos em um, ajudar docentes e estudantes e garantir tudo isso ainda sem definições sobre o fim, de fato, das ameaças do novo coronavírus, será a batalha que escolas e redes terão que travar no próximo ano. “No ano que vem, a Educação enfrentará grandes desafios”, avalia a educadora, consultora e doutora em Educação, Andrea Ramal. Entre os principais, ela cita a readaptação dos alunos ao ensino presencial, com foco na ambientação dos estudantes como forma de evitar a evasão escolar que é perigo que vem rondando a vida, principalmente, dos jovens do Ensino Médio. Além disso, Andrea afirma que a adoção do continuumcurricular, que é um currículo que juntará conteúdos de 2020 e 2021, também exigirá muito das redes e escolas. Sem contar os próprios protocolos de saúde para garantir que sejam cumpridas as regras sanitárias. “Se as aulas presenciais não retornarem, um grande desafio para a Educação em 2021 será viabilizar o ensino on-line para que ele se torne acessível a todos”, considera Andrea. Caminhos O que já se mostrou difícil porque exige múltiplos aspectos como acesso a computadores e internet, capacitação de professores e familiares, desenvolvimento de materiais adequados, orientações para o ensino a distância, formatação de mecanismos de controle, monitoramento e avaliação, enumera a especialista. Camila Bezerra, gerente pedagógica das Escolas de Excelência do Grupo Eleva, alerta que em 2021 será fundamental dar continuidade a esse legado tecnológico, mas será necessário implementar estratégias pedagógicas que garantam o aprendizado dos alunos. “Também teremos que entender que escola é gente, vivência e construção de memórias marcantes, e por isso, precisamos nos preocupar genuinamente e de forma integral com cada pessoa que faz parte da nossa escola”, afirma Camila. Estratégias Após oito meses da pandemia, a verdade é que muitas escolas e redes não sabem quando as aulas presenciais serão retomadas “Caso as aulas presenciais retornem, por exemplo, as escolas precisarão promover uma completa revisão de conteúdos porque, de maneira alguma, poderemos considerar esse período de aulas remotas como aulas de fato”. Porém, será preciso manter e melhorar o ensino on-line, que terá permanecer por um tempo, até mesmo para garantir o distanciamento exigido. No caso da educação on-line, será necessária a implementação de métodos específicos, preparação de materiais e dos professores, e até mesmo de pais e responsáveis. Por isso, insisto na revisão completa dos conteúdos, tendo em mente a limitação do aprendizado. O que aconteceu até o momento foi a adoção de medidas temporárias e organizadas de uma hora para a outra”, ressalta Andrea. Mas, no pós-pandemia, para que o aprendizado ocorra, Camila alerta para a necessidade de cuidar da saúde mental de alunos e professores. “O aprendizado tem papel protagonista dentro das escolas, mas nenhum aluno aprende se não estiver bem emocionalmente. Preocupar-se com o que esses indivíduos viveram, suas experiências e possíveis lacunas durante o momento de isolamento é tão importante quanto ensinar os conteúdos obrigatórios”. Acolhimento socioemocional em foco Para os secretários de Educação dos municípios da Baixada, garantir o acolhimento socioemocional dos alunos e, principalmente, executar um curriculum continuum serão os grandes desafios do próximo ano e todas já iniciaram um planejamento específico para 2021. “A retomada das aulas presenciais com a utilização de protocolos sanitários e ensino híbrido e a reorganização do currículo para a recuperação de aprendizagens não adquiridas no ano de 2020 serão os principais desafios”, pondera a secretária de Educação de Peruíbe, Débora Gallo. A subsecretária de Administração de Praia Grande, Vanessa Rovenna, responsável pela Secretaria de Educação, concorda que o grande desafio será minimizar os prejuízos decorrentes da suspensão das aulas presenciais. Para isso, a pasta já determinou, por exemplo, aumento de carga horária, oferta de recuperação paralela de conteúdos e também reforço pedagógico no contraturno. Processo diagnóstico Porém, para que essa recuperação seja efetiva, as redes terão que realizar um amplo processo diagnóstico. Em Santos, a secretária de Educação, Cristina Barletta, garante que a rede fará um processo de avaliação e atividades de sondagem, acompanhadas de propostas de recuperação da aprendizagem. “A pandemia nos desafiou desde o início, de formas diferentes. Na Educação não foi diferente, os profissionais tiveram que se reinventar. Presenciamos o empenho de todos e nos emocionamos com os resultados. A pandemia nos surpreendeu neste ano, mas para 2021 já estamos nos planejando”. Em Guarujá, a Secretaria de Educação e Esportes tem focado em trabalhar na busca ativa para trazer novamente ao convívio escolar, aqueles alunos que em algum momento deixaram de participar do estudo remoto. [[legacy_image_27514]] No retorno, observar protocolos sanitários A diretora municipal de Educação de Mongaguá, Priscila Eleutério Gomes, destaca que outra questão importante na retomada das aulas presenciais será o cumprimento dos protocolos sanitários. E a secretária de Educação de Cubatão, Márcia Regina Terras, vai além, visualizando um cenário ainda mais complexo: sem a vacina contra a covid. “Não havendo a vacina, os desafios permanecem os mesmos enfrentados, tendo como agravamento o prolongamento desse período. Sendo eles a falta de dispositivos para que os estudantes possam acompanhar as aulas, incompatibilidade entre a rotina escolar e a rotina da família, falta de autonomia dos alunos e o desgaste físico e emocional de estudantes e docentes”. Questão socioemocional Até por isso, em Itanhaém a Secretaria está concentrada em como irá trabalhar a questão socioemocional não só dos alunos, como também dos professores. “Este, sem dúvida, foi o ano mais desafiador para a Educação em todo o mundo. Foi preciso se reinventar do dia para noite”, afirma a diretora da Educação Básica da Seduc de São Vicente, Denise Barbosa. Contudo, ela admite que nada substitui a aula presencial, o convívio social desses alunos e nossa rotina escolar. “Sendo assim, já iniciamos um diálogo com toda a rede municipal para a construção de um plano de retomada em 2021”, afirma a secretária de Educação, Eugênia Marcondes.