[[legacy_image_344441]] Os nove municípios da Baixada Santista são abastecidos por 27 mananciais, entre rios, ribeirões e córregos, provenientes da Serra do Mar. A partir deles, 11 mil litros por segundo são produzidos após a água bruta ser tratada em 15 sistemas na região. O volume parece grande, mas, se não houver cuidado, pode se tornar cada vez mais escasso. Em mais um Dia Mundial da Água, comemorado neste dia 22, especialistas destacam hábitos que podem evitar a falta desse elemento vital. A superintendente da Sabesp na Baixada Santista, Olívia Mendonça, explica que os mananciais da região são de superfície, ou seja, não funcionam como represas. Embora estejam em condições normais de nível e de vazão, o fato de serem superficiais faz com que disponibilidade hídrica dependa do volume e da incidência de chuvas. “É necessária uma gestão efetiva dos recursos hídricos através de uma série de ações, sempre feitas através do monitoramento sistemático desses recursos e de um conjunto de atividades para o controle e para a regulamentação do uso da água”, explica Olívia. A participação da sociedade é de extrema importância no processo, de acordo com a superintendente. Ela declara que medidas simples, facilmente adotadas no cotidiano, podem fazer diferença nos sistemas de abastecimento (veja destaque). Elemento vital“A água é o líquido universal que dá a vida. É por causa dela que estamos aqui”, afirma o climatologista Rodolfo Bonafim, da organização não governamental Amigos da Água, de Santos. No Litoral, Bonafim destaca que o alto volume de chuva faz com que a região sempre tenha água em abundância. No entanto, ele afirma que isso não é motivo para deixar de lado o uso racional, pois água pode ser requisitada e desviada para regiões com mais escassez, por exemplo. Bonafim ressalva que, em casos como os de tempestades, detritos e lama acabam rompendo adutoras e entupindo canos, interrompendo o abastecimento. Ele também comenta que isso costuma acontecer nos períodos de alta temporada, devido à grande demanda. “A água é um direito humano. A gente viu a importância dela, especialmente na época da pandemia da covid-19, quando o asseio e a limpeza das mãos eram fundamentais. Muitas pessoas que moravam em comunidades não tinham nem sequer água potável para lavar suas mãos, para fazer uma assepsia correta contra a covid-19. Então, ela (a água) é um item importante que pode nos livrar ou, pelo menos, minimizar outras pandemias que poderão vir”, comenta. Há 24 anos, a ONG Amigos da Água promove eventos, encontros e palestras em escolas, universidades e entidades sobre uso racional da água. “Para ter saúde, é preciso ter água de boa qualidade e com o acesso universal, pois esse é um direito humano. Infelizmente, a Organização das Nações Unidas (ONU) projetou, desde o ano 2000, que 2025 seria o ano do colapso da água, quando mais de um terço da população mundial não teria acesso à água potável.”