Temporada de pipas traz preocupação com acidentes por linhas de cerol

Lesões por linhas com o produto podem levar até 6 meses para cicatrizar, além do risco de morte; Associação Brasileira do setor defende praticantes

Por: De A Tribuna On-line  -  28/12/18  -  09:31
Lei proíbe o uso de cerol ou de qualquer produto semelhante que possa ser aplicado em linhas
Lei proíbe o uso de cerol ou de qualquer produto semelhante que possa ser aplicado em linhas   Foto: Folhapress

O verão chegou e, com ele, a temporada de pipas. Apesar da prática ser uma diversão entre os jovens, o uso de linhas com cerol podem ferir, e até matar, se forem utilizadas de maneira irresponsável em áreas urbanas ou próximas à rodovias.


O cerol é um líquido feito artesanalmente com pó de vidro e cola. Ele é colocado por toda extensão da linha a fim de torná-la cortante. A intenção é derrubar outras pipas que estiverem no céu.


Há um outro tipo de linha que é vendida nas lojas para o mesmo fim. Chamada de "chilena", o item foi desenvolvido para a prática profissional de pipas. O material do produto é feito com óxido de alumínio. Contudo, alguns praticantes acrescentam cerol, o que torna a brincadeira mais perigosa.


De acordo com o Chefe de Serviço de Urgência e Emergência da Santa Casa de Santos, André Sementilli Cortina, o cerol enrijece a linha do pipa e pode causar ferimentos graves, principalmente a ciclistas e motociclistas.


"A lesão que uma linha de pipa com cerol pode causar é bem profunda porque pode atingir até as artérias, que são os vasos sanguíneos mais grossos, e pode levar a vítima ao óbito".


O processo de cicatrização também é difícil neste tipo de ferimento. "O corte cria muitas imperfeições e, por conta do vidro, torna o ferimento difícil de fechar. Se o corte for muito profundo, a ponto de atingir a artéria, o tempo de tratamento por levar até 6 meses".


Uso proibido


A Lei 12.192/2006 proíbe o uso de cerol ou de qualquer produto semelhante que possa ser aplicado em linhas de papagaios ou pipas. Outra lei paulista, a 10.017/1998, já proibia a fabricação e venda dessa mistura de cola e vidro moído.


A Tribuna On-line entrou em contato com o Corpo de Bombeiros, a Secretaria Estadual de Saúde e a Polícia Militar para saber o número de pessoas que se envolveram neste tipo de acidente no último verão, mas os órgãos informaram que que não dispõem das informações.


Contraponto


Se por um lado, culpam-se os praticantes de pipas de utilizarem o cerol e a linha chilena, há quem atribui à falta de estrutura urbana os acidentes causados pelas linhas com cerol e chilena.


O presidente da Associação Brasileira de Pipas, Cristino Concórdio do Nascimento, afirma que propôs um projeto de lei, em 2008, que defendia a criação de pipódromos. Isto é, espaços exclusivos para a prática, mas que foi negado pelo então governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB).


"Muitos não sabem, mas o maior índice de acidentes envolvendo pipas são os atropelamentos que muitos jovens sofrem enquanto brincam. Atualmente, existem poucos espaços para que possam empinar os papagaios".


Com a criação destes espaços, Nascimento acredita que o uso de linhas com cerol poderia ser flexibilizado. "O Brasil é tetracampeão na prática deste esporte. A atividade, porém, é feita com este tipo de material. Acredito que o maior problema é o fato de não ter estrutura para emipar as pipas".


Recomendações


O Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) recomenda para os motociclistas, que ficam mais expostos a este tipo de acidentes, a instalar no guidon do veículo um aparador de linha ou antena "corta-pipa".


Além disso, o órgão pede para que os condutores redobrem a atenção principalmente nas estradas que passam por áreas urbanas e em bairros residenciais. E por fim, aconselha a reduzir a velocidade ao perceber que há pessoas empinando papagaios.


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