[[legacy_image_209644]] A Tribuna encerrou nesta sexta (23) a série de entrevistas com os três candidatos ao Governo do Estado mais bem colocados na pesquisa Ipec divulgada na última terça-feira (20). Em pauta, as propostas de cada um para os principais problemas da Baixada, como a falta de uma interligação no transporte da região metropolitana e o déficit habitacional. O entrevistado de hoje é o candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na quinta-feira, foi publicada a entrevista com Fernando Haddad, do PT, e ontem com o atual governador e candidato à reeleição, Rodrigo Garcia (PSDB). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Um problema sério na Baixada Santista é o déficit habitacional, que só não é maior do que na Região Metropolitana de São Paulo. Caso eleito, como pretende resolver isso? Precisamos atacar em diversas frentes. Tivemos uma experiência bem-sucedida em desmobilizar algumas palafitas na margem esquerda do Porto, em Guarujá, dando moradia às pessoas que lá moravam. Deve-se requalificar as moradias das pessoas mais humildes. Nós vamos usar a CDHU para construir casas para elas. O Estado, hoje, investe 1% do ICMS em habitação; isso dá R\$ 1,8 bilhão por ano. Nossa ideia é investir cerca de R\$ 4 bilhões. Vamos usar, também, os espaços urbanos para, por meio de parcerias público-privadas, construir habitação de interesse social. A gente requalifica os centros urbanos, adensa mais as cidades e cria um misto de habitação de interesse social, habitação de médio padrão e centro comercial, dentro da lógica privada, que aí eu tenho receita e consigo fazer uma oferta de mais vagas. Outro ponto importante: aluguel social para dar uma resposta imediata. Aproveitar o que há de estoque de moradia desocupada e requalificar as pessoas para o mercado de trabalho, fazer o trabalho de assistência social. Isso é muito útil para os moradores em situação de rua – também trabalhar com aluguel social. Vamos agir nessas frentes, também dando recursos para a pessoa fazer a reforma da sua casa. Na região, milhares de moradores se deslocam todos os dias de uma cidade para outra, mas o transporte intermunicipal não está integrado com os serviços municipais. Como tornar as viagens mais rápidas sem onerar os passageiros? A ideia é trabalhar com a EMTU para que o transporte intermunicipal ocorra. A gente quer expandir o VLT até a Área Continental de São Vicente e levá-lo até Praia Grande. Adotar também o Bilhete Único e trabalhar na construção dos corredores de ônibus. Uma questão histórica é a ligação viária entre as duas margens do Porto. Como o Estado vai dialogar com o Governo Federal para resolver a questão e qual é o modelo mais viável? Deve-se construir a ligação seca Santos-Guarujá a partir da privatização do Porto, por meio do túnel. Isso é tecnicamente melhor no sentido de não obstruir as manobras das embarcações. E o custo desse túnel vai ser com a outorga da privatização. Ou seja, parte do recurso da privatização vai ser empregada no túnel. A gente vai ter também, do ponto de vista da mobilidade, a questão do viaduto da Alemoa, o túnel do maciço, a ligação Santos-São Vicente, para quem desce da Imigrantes já ir para a ligação seca Santos-Guarujá. Um problema nacional é o atraso na escolaridade pela pandemia. O que o senhor pretende fazer para recuperar as perdas, reduzir a evasão escolar e, no caso do Ensino Médio, preparar o estudante para que possa entrar na faculdade? Essa recuperação envolve quatro pilares. Primeiro, combate à evasão. E tem tudo a ver com política de transferência de renda. Hoje, já há uma bolsa de permanência dos alunos, que é de R\$ 100 por mês, durante dez meses ao longo do ano – ela não contempla os períodos de recesso. E são 300 mil alunos beneficiados. A nossa ideia é expandir para 1,2 milhão de alunos do Ensino Médio e fazer a bolsa chegar a R\$ 120, durante 12 meses. A segunda questão é que é preciso ter núcleos especializados de assistência social nas escolas porque, muitas vezes, o pai não tem consciência de que o filho precisa estar lá. É preciso tratar dos males ocultos; a depressão cresceu muito durante a pandemia e essa orientação para a família é fundamental. Terceiro, identificar os conteúdos que precisam necessariamente ser recuperados. As competências fundamentais terão que ser recuperadas em um modelo híbrido (remoto e presencial). O quarto e último ponto é ter infraestrutura. Preciso contar com escolas tecnificadas, conectadas. A mortalidade infantil na Baixada apresenta um dos piores índices do Estado. O que pode ser feito? A mortalidade infantil está muito ligada à carência de serviço de saneamento básico. E, na Baixada, esse é um problema grande, porque você tem as palafitas, o despejo irregular ou a falta de estrutura da rede coletora e de estação de tratamento. A grande estratégia é investir pesado em saneamento básico. Além disso, temos um sistema de saúde deprimido, congestionado. Precisamos aliviá-lo, disponibilizando mais leitos para recuperar os hospitais da região – muitos com problemas financeiros graves, casos do Santo Amaro, em Guarujá, e da própria Santa Casa. Temos ainda que atuar na integração horizontal da saúde, olhando primeiro a promoção e prevenção antes da reabilitação. Investir na promoção da saúde em todo aspecto. A região começa a sofrer com problemas de desabastecimento de água em cidades que têm fontes de captação. O que se pode fazer? É preciso investir pesado em captação. Temos percentual de perdas que supera os 20%. Segundo, temos que investir pesado em reúso, porque consome-se menos e, consequentemente, capta-se menos. Precisamos atuar na despoluição dos mananciais para trazer água para cá. E em reservatórios. Temos barragens em cima do planalto que liberam água para cá que não é usada para nada, por causa da poluição dos mananciais. O que pretende aprimorar ou criar na cultura? Em vez de levar o cidadão à cultura, tem que trazer a cultura ao cidadão. Primeiro, utilizando a estrutura do Estado. A gestão de ativos culturais na mão de algumas Organizações Sociais para que a gente possa dinamizar isso. Outro ponto importante: a escola deve ser um centro de integração. No contraturno, vou ter artes cênicas, esporte. Terceiro, queremos fazer com que o Programa Estadual de Incentivo à Cultura seja turbinado com mais incentivo fiscal. E mais Fábricas de Cultura, fomentar a economia criativa. Outra questão é a geração de empregos, que está, normalmente, atrelada ao Governo Federal. No Estado, quais são as propostas viáveis? Temos que olhar a vocação da região. Na Baixada, a desestatização do Porto de Santos vai gerar empregos na construção, no turismo, no comércio exterior. Primeiro, tem que investir na capacitação de mão de obra para ser absorvida nas atividades que serão geradas. O turismo vai ser uma grande atividade para a Baixada, com mais navios chegando. Comércio Exterior é outra grande área. Logística... Tem a grande vocação da Baixada para ciência e tecnologia, inovação; portanto, quanto mais se investe em inovação, mais empregos de alto nível criamos. Para isso, tenho que formar e preparar os jovens. Nós temos a vantagem da proximidade do pré-sal, isso nos permite ter oferta de gás barato. Outro ponto: crédito para o micro e pequeno empreendedor. O Estado vai trabalhar com fundo de aval usando o modelo do Pronampe. E redução de alíquota de ICMS para estimular a competitividade. E tenho que aproveitar na Baixada as áreas subutilizadas. Se o senhor for ao segundo turno, como vai costurar aliança com os candidatos derrotados? Conversando. Sou uma pessoa do diálogo. Indo para o segundo turno, estarei aberto a conversar e olhar para o futuro.