[[legacy_image_214487]] Solange Freitas (União Brasil) cumprirá a partir de 2023 seu primeiro mandato como deputada estadual. Jornalista e bacharel em Direito, ela foi eleita com 81.870 votos e é a única mulher da região na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Seu jeito combativo à frente das câmeras e sua indignação a levaram para a política em 2020, quando tentou ser prefeita de São Vicente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No meio da campanha, sofreu um atentado a tiros. No primeiro turno, foi líder, mas viu Kayo Amado (Podemos) ser eleito no segundo turno. No intervalo de tempo entre os pleitos de 2020 e 2022, venceu um câncer de mama e trabalhou na Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem). Na entrevista, ela diz que sua prioridade será a saúde pública e garante que não será candidata em 2024. Essa será sua estreia com um mandato. Qual a expectativa?Depois de ter passado por dois processos eleitorais em pouco tempo, sendo um bem complicado, porque fui muito atacada pelos outros candidatos, hoje estou muito feliz, animada para colocar em prática o que eu quero fazer. Eu vim para a política para fazer pelas pessoas o que eu não via muitas vezes o Poder Público fazer. Via muitas autoridades enganando as pessoas, falando mentiras, fazendo promessas que não seriam cumpridas. E quais suas prioridades?Venho conversando com as pessoas nas comunidades e a saúde é prioridade, por conta do câncer de mama que eu identifiquei em janeiro do ano passado. Eu descobri a doença, mas agradeço a Deus por ter plano de saúde e a descoberta ocorrer em estágio inicial. Mas essa não é a realidade de muitas mulheres. Quem depende do SUS (Sistema Único de Saúde) mal consegue marcar um ginecologista. Essa vai ser uma das minhas principais lutas, para que as mulheres tenham a mesma sorte que eu. E às mulheres que possuem plano e tenham condições, que cuidem também. Tem o Outubro Rosa para lembrar disso, mas precisamos falar o ano inteiro, pois muitas mulheres que trabalham e cuidam dos filhos não se cuidam. Outra questão envolve as crianças e os adolescentes deficientes. Essa é uma das grandes reclamações. Pela falta de assistência, as mães não têm como dar o tratamento ao filho. Às vezes, esperam meses por uma vaga para atender as crianças e há um retrocesso na saúde delas. Nas escolas, elas deveriam ter uma pessoas auxiliando e em muitas cidades isso não acontece, apesar de ser lei. Por fim, quero fortalecer o terceiro setor. Em muitos locais onde o Poder Público deveria agir e não está agindo, ele chega. Há algum projeto específico que você pensou?Dessas ONGs, muitas eu já venho ajudando, apoiando, porque às vezes elas precisam de estrutura, estar com a documentação em dia para receber verbas. E vou fazer essa luta do câncer de mama pelo terceiro setor, que presta esse tipo de ajuda. Você tem ligação com São Vicente, mas é uma deputada da Baixada Santista. Já pensou de que forma vai ampliar seu trabalho para todas as cidades?Quando eu falo em combate ao câncer de mama, quero ver projetos de lei que já existem e não estão sendo cumpridos para poder ajudar de uma forma geral. Tem mais de 40 ONGs que a gente já está ajudando e elas não são só de São Vicente. Outro ponto é a questão da falta de segurança. Em São Vicente, está demais. Os comerciantes se veem apreensivos, porque há muitos assaltos. E isso é um reflexo de decisões erradas tomadas lá trás. Como jornalista, eu acompanhei isso e como candidata a prefeita pude acompanhar os projetos que foram tirados. Essas crianças e adolescentes que teriam uma chance na vida em projetos sociais muitas vezes vão para o crime ou para as drogas. Essa falta de segurança, esse aumento da criminalidade, é um reflexo da parte social. Há um cenário econômico difícil, com alta de inflação e também desemprego no cenário nacional que reflete localmente. Como você pretende contribuir nesse sentido?Quando você traz emendas para essas entidades (do terceiro setor), projetos são apresentados e elas precisam de pessoas. Não são só serviços que se ampliam nessas ONGs, mas também há uma ajuda na questão de vagas de emprego. Quero fazer um mandato pela população. Não quero ser uma deputada de gabinete. Como jornalista, dei voz às pessoas. Como deputada, vou continuar assim, mas agora podemos ajudar a resolver de fato os problemas. O VLT ainda não é uma realidade metropolitana. De que forma você vai atuar para melhorar a mobilidade urbana na região?O VLT para a Área Continental de São Vicente deveria ter sido a fase 2, quando fizeram o cronograma lá atrás. Só que os deputados da época não brigaram por isso. É prioridade total que o VLT para a Área Continental saia do papel antes mesmo dessa segunda fase em Santos. Dá para fazer. E já tem compromisso com o Rodrigo Garcia (governador, PSDB) de fazer isso, já tinha uma etapa concluída porque o contrato executivo já tinha verba. Outro projeto que vou lutar bastante é a central de Libras. Um surdo vai em uma unidade de saúde e não consegue falar o que sente. Como obter mais recursos para a região?Pelo histórico, quantidade de serviços, população e importância, vem pouco recurso para cá. Mas falta ação dos deputados também. Eu vou propor aos outros deputados eleitos pela Baixada Santista que a gente faça a bancada regional, independentemente de partido. Sei que não é fácil, mas quando a gente está unido por uma causa, é muito mais fácil conseguir ajuda. Pretende cumprir o mandato inteiro ou eventualmente sairia para concorrer à Prefeitura de São Vicente?É meu compromisso. Quem me elegeu não foi só a população de São Vicente, foi o morador da Baixada e do Vale. Eu tive voto em mais de 400 cidades. Tenho uma responsabilidade muito grande e preciso cumprir meu mandato. Eu não preciso ser candidata a prefeita agora. Eu posso ser mais para a frente, não preciso ser na próxima eleição. Isso não quer dizer que não vou estar a par disso. Essa decisão é tomada com responsabilidade, mas meu grupo está se preparando há um bom tempo para a Prefeitura de São Vicente. E o nosso candidato é o Gil do Conselho (agora presidente do União Brasil em São Vicente), que foi meu candidato a vice em 2020 e candidato a deputado federal nesta eleição. Como foi sua aproximação, entre a candidatura para prefeita e agora para a deputada, com outros políticos mais experientes? Como você se preparou, lembrando que você foi candidata na época pelo PSDB e agora venceu pelo União Brasil.Naquela eleição, eu poderia ter deixado a política e ter voltado para o jornalismo, mas fui para a política com o propósito de fazer um trabalho sério. A minha indignação me levou para a política e eu decidi continuar. Nesse tempo todo eu me preparei para ser deputada (após a eleição). No ano passado, eu trabalhei na Agem, fui vendo como as coisas funcionam, como a vaidade atrapalha, e muito, o andamento dos projetos. Quando saí do PSDB, foi por tudo que aconteceu na campanha, de não poder entrar nas comunidades e sabia que poderia enfrentar isso de novo se continuasse no PSDB. Aí eu saí. E vários partidos me procuraram, inclusive o União Brasil, porque eles queriam uma mulher, foram mais de 70 mil votos, era importante ter algo assim. Quando eu fui para São Paulo fechar com o União, falei tudo que queria. Eles queriam que eu viesse como candidata a prefeita, mas eu falei que não queria. Nosso grupo pode ter alguém, mas eu falei que se ganhasse eu cumpriria meu mandato e fizemos um acordo. E nosso compromisso não é só para São Vicente, é para a Baixada. Eu tenho a missão de coordenar o União Brasil na Baixada e a gente deve fortalecer o partido na região (Solange é agora a secretária-geral do partido em São Vicente).