[[legacy_image_4341]] O setor da construção civil na Baixada Santista apoia o lockdown e está otimista que as medidas mais duras de isolamento possam dar um respiro à saúde. É a primeira vez que há paralisação de obras na região desde a declaração da pandemia do novo coronavírus, em março de 2020, pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza, diz que o setor conseguirá superar os 13 dias de lockdown regional, previstos para chegar ao fim no próximo domingo, mas reforça que a situação não é confortável. “O setor está no limite. Há uma expectativa de que haja novas medidas, por parte do Governo Federal, para reduzir salários e jornadas. Isso já é muito positivo, dá um alívio”. Mesmo com as medidas restritivas na Baixada Santista, Beschizza afirma que não há risco de atrasos em entregas por conta desses 13 dias, mas se preocupa com uma prorrogação do lockdown. O motivo tem a ver com os insumos, como aço e cimento, que apresentaram variação expressiva de preço, segundo Beschizza. O Índice Nacional da Construção (INCC-DI), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e que dimensiona as variações de preços no setor, foi de 11% nos últimos 12 meses. “Os preços estão altos e os insumos sem previsibilidade. A vacinação contra a covid-19 é essencial para que os serviços continuem. O ideal era vacinar todo mundo em 60 dias”. Apoio A empresária Ângela Rezende Crego, proprietária da Âncora Construtora, diz que houve um consenso entre o setor de que era necessário parar as atividades neste momento. Essa concordância surgiu a partir do otimismo de que a situação vai melhorar a partir deste lockdown. “Eu acho que o período está tão crítico que a compreensão foi geral. A gente não tinha vivido isso ainda, do jeito que está, com esses recordes de casos e mortes. Esperamos contribuir com a esperança de que esses 13 dias sejam suficientes para reduzir os contágios e mortes”. Ela reforça que os efeitos da pandemia são sentidos desde o ano passado, com o aumento de insumos causado, principalmente, pela redução no ritmo de trabalho das siderúrgicas. Havia a expectativa de que, no começo do ano, a situação melhorasse, o que não aconteceu. “Agora, o prejuízo se soma à paralisação das obras”. O também empresário Roberto Barroso Filho, proprietário da Engeplus Construtora, explica que o setor de vendas vinha bem, mas a fase emergencial decretada pelo Governo do Estado, no último dia 15, causou uma pequena queda. “Nosso mercado depende muito da confiança, seja ela jurídica, política ou econômica. Além disso, os casos aumentaram assustadoramente e ainda há pouquíssimas pessoas vacinadas”. Barroso diz que a maioria das empresas está resolvendo as pendências por meio de acordos individuais ou dando férias a quem foi possível. Ele também apoia o lockdown e diz que a paralisação é necessária neste momento, mas tem esperança de que os 13 dias sejam suficientes para que a saúde consiga respirar diante de tantos casos e mortes. “Não tem como não dar nossa contribuição”. Por fim, o empresário lembra que a alta dos valores de insumos está afetando as obras desde o ano passado. “O aço demora pelo menos dois meses para chegar, fechado a preço do dia”.