[[legacy_image_70516]] Estresse, cansaço e insatisfação fazem parte do dia a dia de quem usa a travessia de barcas entre Santos e Vicente de Carvalho, em Guarujá. É uma rotina desgastante que tem se tornado cada vez mais problemática, segundo os usuários, com poucas embarcações e muitos transtornos. A história da auxiliar de loja Luzia dos Santos Cinese, de 52 anos, exemplifica o drama diário dos passageiros. Ela entra às 11h no trabalho, em Santos, mas precisa sair de casa, no Pae Cará, ao menos duas horas antes para não se atrasar. “Como são poucas barcas, você espera muito, em um lugar cheio, e depois entra em uma embarcação lotada. Você já chega estressada ao trabalho. Na volta, é a mesma coisa. Você está cansada e tem de ficar em pé”, relata Luzia, que ontem enfrentou outro dia de caos na travessia. Somente a lancha Paicará (com capacidade para 728 pessoas) está em operação desde as 8h45 de quarta-feira (29). Segundo a Dersa, as outras duas embarcações – Itapema I (190 usuários) e (450) – estão em manutenção, sem previsão de retorno. Morador do Rádio Clube, em Santos, o aposentado Osman Guerra Diniz, de 67 anos, pegou filas na ida e na volta de Guarujá. Foi praticamente uma hora de espera. “Fiquei aguardando e a barca saiu cheia, porque acumulam os passageiros.” Conforme usuários, o uso de só uma lancha tem sido mais frequente. Por isso, para eles, a qualidade da travessia caiu muito, mesmo com as constantes promessas de melhorias da Dersa. “Todo dia é assim, todo dia tem barca quebrando. Não muda nada. O serviço só tem piorado”, aponta o motorista Luiz Carlos Cortez, de 56 anos, do Pae Cará, que também precisa sair cedo de casa, às 6 horas, para chegar ao trabalho sem atraso, às 8 horas. Moradora do Caruara, em Santos, a dona de casa Hilda Souza de Menezes, de 74 anos, se indigna com o desrespeito com os passageiros das barcas. “Eu venho para Santos passear ou visitar minha filha, e o serviço está muito ruim.” Explicações Em nota, a Dersa disse lamentar os transtornos na travessia pela ausência de duas barcas, retiradas de circulação para conserto. “As equipes mecânicas continuam reforçadas e trabalhando de forma integral para solucionar os problemas técnicos de forma ininterrupta, para restabelecer a capacidade operacional o mais breve possível”, citou, por nota. Sobre os problemas, a Dersa disse que a nova gestão, que assumiu em janeiro, “mantém sua dedicação integral no sentido de melhorar os serviços prestados aos usuários”.