[[legacy_image_118329]] O setor de beleza ainda amarga prejuízos das semanas em que ficou sem receber clientes para evitar a disseminação do novo coronavírus. Mesmo com a flexibilização das regras sanitárias, os donos de salões na Baixada Santista não recuperaram o nível pré-pandemia e ainda encaram aumentos "pavorosos" dos produtos usados para atender a clientela. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na região, são ao menos 3.571 estabelecimentos no segmento, segundo levantamento feito por A Tribuna com as nove prefeituras da região. Conforme o Sebrae, a Baixada ainda possui 1.545 microempreendedores individuais (MEIs) no setor, como cabelereiros, manicures e pedicures. O consultor de negócios do Sebrae, Cesar Ossamu, diz que a pesquisa de monitoramento dos impactos da pandemia feita pela entidade registrou queda de 71% do faturamento de 2020 em relação ao de 2019. Cabeleireira há 15 anos, Rosana Batista de Novais lutou para manter as portas abertas com seis profissionais no salão Bem Estar, em Praia Grande. Mas ela enfrenta queda de 40% no faturamento em comparação com o momento anterior ao início da pandemia. "Ao longo dos anos em que tenho o salão, eu já tinha feito um caixa para a empresa. Por isso, não usei linha de crédito, nem mandei funcionários embora. Mas também não contratei ninguém", conta ela. O aumento nas despesas do estabelecimento de Rosana chega a 60%. Ela destaca a luz como um dos "aumentos pavorosos". "De uma média de R\$ 250 mensais, a conta agora está em R\$ 400. Os aparelhos puxam muita luz. E isso porque estamos sem ligar o ar condicionado". A cabeleireira tentou evitar o aumento nos preços dos serviços. "No meio deste ano tive de repassar. Não é um valor absurdo, por conta do momento que todos vivemos, mas teve aumento, sim". [[legacy_image_118330]] Produtos mais carosO dono do salão Calil Cansou Cabeleireiros, em Santos, Calil Cansou Júnior, também segurou o máximo que pôde, mas teve de elevar um pouco os preços. Calil guardou faturas com custos mais altos. "Um xampu simples, de revenda, comprado em fevereiro do ano passado, custava R\$ 26,50. Hoje, o mesmo xampu está a R\$ 32,00". Apesar de também não ter demitido nenhum funcionário da equipe de 19 trabalhadores, o cabeleireiro relembra o momento mais dramático de 2020, quando percebeu queda de 90% no faturamento. "Eu tinha uma dívida de cartão de crédito, que não pude pagar, porque usei o dinheiro que eu tinha guardado para pagar funcionários e custos fixos do salão. Precisei renegociar com a administradora do cartão". Ele afirma não conhecer nenhum dono de salão que tenha conseguido financiamento. " Para mim, o que foi bom foi a suspensão dos contratos. Afastei meus funcionários, o governo pagou metade e eu, a outra". AnáliseO economista Jorge Manuel Ferreira explica que as dificuldades econômicas atingiram praticamente todos os pequenos empresários e lembra que determinadas medidas tomadas pelo Governo serviram de "amortecedor do impacto", mas que foram insuficientes. Ele corrobora a impressão de Calil, de que "poucos obtiveram a ajuda de crédito". "Os que não fecharam estão se recuperando na medida que a demanda volta a um patamar de pré-pandemia. Para os endividados, a sugestão é buscar o alongamento da dívida ou, se puderem, negociar a quitação com bom deságio. A busca de crédito subsidiado junto ao governo ainda seria o melhor caminho, ou, ainda, o microcrédito de bancos como a Caixa e o Banco do Brasil", completa o economista.