[[legacy_image_5334]] As queimadas na Amazônia aumentam as partículas em suspensão no ar e podem provocar mudanças climáticas em todo o País, inclusive na Baixada Santista. Fenômenos como escurecimento precoce (dia que vira noite) não são descartados, porque essas partículas afetam a incidência dos raios solares. Além de provocarem poluição e problemas respiratórios. De 1º de janeiro até a última terça-feira, foram contabilizados 74.155 focos de incêndios em mata, alta de 84% ante o mesmo período de 2018, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mais da metade (52,6%) desses focos têm ocorrido na Amazônia. O físico Fernando Martins, doutor em Geofísica Espacial pelo Inpe e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) campus Baixada Santista, explica que quando a vegetação é queimada, os produtos da combustão vão para a atmosfera. “Parte são gases, outra parte são partículas, que chamamos de aerossol. São muito pequenas, sobem com o calor. Dependendo das condições, vão permanecer na atmosfera por muito tempo. De acordo com a direção do vento ou condição de umidade, podem percorrer distâncias muito grandes”, diz Martins. Para o especialista, a situação da Amazônia é “gravíssima”. “Além de lançar partículas na atmosfera, queimar vegetação lança também gases de efeito estufa. Um dos maiores contribuintes desses gases no Brasil é por isso”. O biólogo Ronaldo Christofoletti, também professor da Unifesp, diz que há muitos riscos. “Essa fumaça massiva que vemos hoje nas imagens de satélite, que todos os órgãos nacionais e internacionais estão demonstrando, pode influenciar até na Baixada Santista e ajudar a piorar a qualidade do ar”. O biólogo destaca que a saúde de todos depende da saúde da Floresta Amazônica. “Isso vai nos impactar diretamente. Não só agora, mas no futuro também”. O ambientalista Fábio Feldmann, ex-secretário de Estado de Meio Ambiente, acredita que as posições do presidente Jair Bolsonaro (PSL) contra legislações ambientais e o enfraquecimento da fiscalização estimularam a prática das queimadas. “Acho que isso pode significar um questionamento do exercício da presidência, pelo fato de que a Amazônia é um patrimônio nacional. Se está sendo dilapidada, é responsabilidade do presidente. As consequências ainda são difíceis de se determinar”.