[[legacy_image_6696]] Um projeto fotográfico vem resgatando a autoestima de pessoas negras na Baixada Santista. Criada pela fotógrafa cubatense Amanda Aparecida, de 20 anos, a iniciativa foi inspirada na trajetória de Dorothea Towles Church, primeira mulher negra a desfilar em Paris, na França, e reuniu modelos posando com acessórios e elementos da cultura afro. Nascido após uma ida a um desfile em São Paulo, o projeto surgiu depois da fotógrafa conhecer a história do modelo Sílvio Pompeu, que foi vítima de preconceito na passarela por ser negro. “Fiquei indignada com a situação porque somos mais da metade da população e ainda não somos representados no mundo da moda”, relata Amanda. A partir de uma postagem nas redes sociais, Amanda conseguiu reunir um grupo de modelos. Com idades diferentes, os moradores da Baixada Santista posaram para as fotos com adereços como turbantes e colares, além da pintura facial e corporal inspirada na cultura africana. Após a sessão de fotos, o grupo teve a oportunidade de desfilar pela primeira vez. Participante do projeto, o pintor Paulo Roberto, de 25 anos, nunca havia modelado anteriormente. Vítima de racismo, ele conta que Dorotha o ajudou a resgatar a confiança. “A vergonha que tinha antes já não tenho mais. Quando estou com eles (modelos) me sinto em casa”, diz. Já o jovem Rômulo dos Santos, de 17 anos, explica que deixou o sonho de modelar “no fundo do baú” devido à ausência de referências negras. "Nunca achei que fosse capaz de ser modelo por não ver muitas referências negras no mundo da moda. Acreditava que não tinha chances”. [[legacy_image_6697]] Por trás das lentes Sendo a única aluna negra da sala durante a infância, Amanda sofreu preconceito ao longo dos anos. Por conta do racismo e bullying, ela passou por tratamento de alisar o cabelo durante dez anos para se adequar aos padrões, mas o resgate da autoestima foi importante para o trabalho. “Como iria fazer um projeto de valorização da beleza negra se eu mesma não me aceito?”. A primeira paixão da fotógrafa foi a escrita. Com quatro livros publicados, Amanda passou a se interessar pela arte e descobriu na fotografia uma forma de expressão já que “poderia contar histórias através da foto”.