[[legacy_image_279974]] A reativação da linha férrea Santos-Jundiaí para o transporte regular de passageiros, agora com fins turísticos, está longe da sua estação final. Quatro anos após testes realizados pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a ideia não avançou um quilômetro sequer. Mesmo assim, a possibilidade ainda encontra entusiastas. De acordo com a estatal criada em 1992 para operar os serviços metropolitanos sobre trilhos, não há, atualmente, nenhum projeto sobre a Santos-Jundiaí em análise. “A CPTM possui uma unidade de negócio que estuda diversas oportunidades de serviços turísticos ferroviários, que visa analisar a sua viabilidade técnica, operacional, financeira e, principalmente, institucional entre os envolvidos nos projetos”, limitou-se a dizer a empresa, em nota. O cenário é diferente do aventado em junho de 2019. Na ocasião, a ideia do Governo do Estado era a criação de uma linha turística que ligasse a Estação da Luz, na Capital, ao Porto de Santos nos finais de semana. Um dos testes operacionais contou com a presença do então vice-governador Rodrigo Garcia, e teve seu ponto final na base da MRS, próximo ao Cemitério da Filosofia, no Saboó. Era especulada uma parada em Paranapiacaba, onde seria acrescida uma cremalheira (sistema que auxilia o veículo a superar terrenos íngremes) na locomotiva para descer a serra. “Existe uma dicotomia gigantesca entre o discurso e a prática. O governo indica a analise de viabilidade e promete que o projeto sairá do papel. Porém, muito pouco tem sido observado em questão de ação propriamente dita, na verdade os estudos já foram feitos e permanecem em alguma gaveta governamental”, lamenta o professor do curso de Logística da Unimes, Marcos Nardi. Para ele, existe a necessidade de uma atualização nos projetos existentes. “Tanto a superestrutura como a infraestrutura do trajeto já existem, talvez precisem de uma manutenção, mas já estão lá. Não é um projeto novo, saindo do zero”, pondera. turismo e história // A Secretaria de Empreendedorismo, Economia Criativa e Turismo de Santos (Seectur) analisa a ideia de reativação da Santos-Jundiaí de forma positiva. Para a pasta, o ganho no incremento do turismo seria considerável. “Do ponto de vista do turismo, a retomada do modal ferroviário é benéfica para Santos porque vai atrair mais visitantes para conhecer as atrações do Centro Histórico e de outras regiões da Cidade, movimentando a economia local e gerando empregos. O percurso nos próprios trens já seria um atrativo turístico, já que a descida da Serra do Mar representaria um passeio com vistas impressionantes”, diz a Seectur, em nota. A pasta também entende que dependendo de onde ficasse a estação no Litoral, os trens também seriam uma alternativa a mais para passageiros com destino a embarques em navios de cruzeiros no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS), o jornalista e pesquisador Sergio Willians vê com ceticismo a concretização da reativação da Santos-Jundiaí. Mas reconhece que, do ponto de vista histórico, seria um marco. “Este caminho tem uma história importante para o País e certamente deveria ser revitalizado. Mas, acredito, que o custo é considerado muito alto para isso, uma vez que o sistema de engenharia na Serra do Mar é complexo. Eu, sinceramente, não acredito nesta retomada, até porque há muitas outras demandas prioritárias na frente”, avalia.