[[legacy_image_345257]] A importância do jornalismo regional e o foco no leitor, com base na credibilidade, são valorizados pelo presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech. Além de saudar a marca alcançada por A Tribuna, que a mantém em um seleto grupo de veículos impressos que ultrapassaram há tempos uma existência centenária, o dirigente da entidade também comenta os diferenciais dos jornais impressos e como tem acompanhado a história de A Tribuna, que sempre respira jovialidade e novos projetos. O que faz um jornal chegar aos 130 anos e continuar integrando um seleto grupo de periódicos centenários no Brasil? Não é por acaso que um jornal como A Tribuna chega aos 130 anos. Um jornal não é um amontoado de notícias e colunas. Ele é parte da vida da comunidade. É ali que a população se vê refletida, que descobre seus potenciais, que discute seus problemas e possibilidades. Um jornal local ou regional é parte do desenvolvimento, da vida e da alma de uma cidade e região. Quem mais vai valorizar a cultura local ou amplificar a defesa das reivindicações locais se não os meios regionais? Essa lealdade com a comunidade é correspondida pela sociedade e permite atingir um marca extraordinária como essa de A Tribuna, pela qual nós todos, jornais associados da ANJ, o parabenizamos. Qual a importância do jornalismo regional e com participação do leitor para o desenvolvimento das cidades? Como o jornalismo local de qualidade não tem substituto e é decisivo na autoestima e no desenvolvimento das comunidades, ele precisa mais do que nunca de apoio da sociedade a que ele serve. Seja por meio de assinaturas, anúncios ou a difusão da marca, o apoio ao jornal local é fundamental também para se combater as fake news e ajudar a filtrar os delírios e malefícios que contaminam os conteúdos difundidos por redes sociais e grupos de mensagens. Onde não há mais veículos locais, cria-se um vácuo, batizado de deserto de notícias, em boa parte ocupado pela desinformação e, às vezes, até por gângsteres digitais, com enormes ameaças e prejuízos à política, à economia e à vida em harmonia no âmbito local. Qual o diferencial do jornal impresso em meio à informação instantânea e à convergência das mídias? O impresso tem um grande diferencial em relação a outras plataformas, sobretudo no mundo multitarefa. Ou seja, quem lê jornal se concentra de fato naquele conteúdo jornalístico e publicitário. Mas costumo dizer que a transformação de impressos em versões unicamente digitais depende da estratégia de cada empresa. E cada uma vive em um ambiente distinto de outra. Na Alemanha, por exemplo, os impressos seguem com enorme vigor. E são jornais com muitos e densos textos — característica de uma sociedade desenvolvida que gosta de ler. Qual o futuro dos jornais impressos? Vai depender, principalmente, dos leitores e do apoio que receber da comunidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, há movimentos empresariais para impedir que as cidades percam seus jornais e, com eles, sua voz e a fundamental informação local. A grande disputa, hoje, é pela atenção do usuário, que sempre será limitada por um recurso que não pode ser expandido: o tempo. Nesse sentido, entendo que o jornal impresso leva uma vantagem importante sobre os meios digitais. Como eu disse, quem lê fica focado naquela atividade. E no digital? No digital, fica-se pulando de um lado para outro sem parar. Um site que consegue cinco minutos de atenção contínua pode comemorar. Ou seja, o impresso é um porto seguro de imersão e tranquilidade contra a ansiedade digital, o que inclui uma relação mais estável e menos caótica com a publicidade também. Mas não basta imprimir notícias para se ter atenção. Jornais precisam saber mesclar o importante com o interessante. Ou seja, também precisam, como os bons livros e filmes, prender a atenção do público. Como vem acompanhando a história de A Tribuna, que sempre respira jovialidade e novos projetos? Pelo que acompanho da trajetória de A Tribuna, há um somatório de fatores favoráveis para a perenização e a ampliação do alcance do jornal. Em primeiro lugar, uma permanente inquietação, a busca por fazer diferente e melhor, para poder acompanhar a evolução do público. Além disso, e não menos relevante, é a credibilidade conquistada ao longo destes 130 anos e construída no dia a dia, aprimorando o que precisa ser aprimorado e consertando eventuais falhas, sempre com o foco no leitor. Hoje em dia e no futuro, neste mundo fugaz e superficial, essa postura faz e fará cada vez mais diferença.