[[legacy_image_10541]] A Baixada Santista registrou, em 2019, a maior taxa de mortalidade infantil dos últimos seis anos: 14,7 mortes por mil nascidos vivos. Os números, ainda não consolidados (devem ser divulgados oficialmente em março), fazem parte das estatísticas repassadas pelas cidades ao sistema público estadual e foram informados pela Prefeitura de Santos. O índice considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10 mortes a cada mil nascimentos. ATribuna.com.br mostrou na sexta-feira (7) que, entre todas as regiões do estado, a Baixada Santista foi a que teve maior quantidade de crianças mortas antes de completarem um ano de idade em 2018. A taxa de mortalidade infantil ficou em 14,02, segundo dados divulgados pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), que ainda não tem o total de 2019. Embora semelhantes, os números da Seade são diferentes dos apresentados pelas prefeituras. A Fundação mostra que Santos passou de 10,72 em 2017 para 12,01 em 2018. Já a administração municipal diz que foi de 9,2 para 11,8. O secretário de Saúde da cidade, Fábio Ferraz, afirma que os números da Seade são “equivocados” e que valem os dos municípios, que possuem todo um mapeamento das mortes. A gerente de demografia da Seade, Bernadette Waldvogel, afirma que a Fundação trabalha com informações que os cartórios enviam mensalmente de nascimentos e óbitos, com os locais de residência. “Esses mesmos dados são enviados ao IBGE, compõem estatísticas nacionais. A gente considera as informações prestadas em cartórios como verdadeiras, até porque a pessoa pode responder por falsidade ideológica. Agora, equívocos existem, trabalhamos com todo o estado e não vamos confirmar cada endereço [das certidões]”. Ações para melhorar Ferraz afirma que Santos piorou em 2018 porque foram registradas muitas mortes tardias, de bebês com mais de um mês de vida. Segundo ele, a prefeitura intensificou os programas de saúde para essa faixa etária e reduziu os índices. Em 2019, a taxa deve ficar em 9,1, a menor da região e da história da cidade. Com a pior taxa em 2018 - 20,28 - Mongaguá afirma que já houve diminuição para menos de 12 em 2019. “O município tem atendimento com pediatra em todas as Unidades de Saúde da Família [USFs]. A mãe e a criança, ao receberem alta hospitalar, já saem com o agendamento para consulta com pediatra”, diz. Com 18,03 de taxa, em segundo lugar na lista negativa, Guarujá afirma que não tem medido esforços no combate à mortalidade. “Um dos problemas está na baixa aderência das pacientes ao pré-natal corretamente. Estamos correndo atrás desse prejuízo. Infelizmente, é uma realidade na Baixada Santista”, diz a ginecologista e obstetra Adriana Machado, coordenadora de Saúde da Mulher da prefeitura. Cubatão ressalta que de 2016 (14,9) para 2018 (12,3), a cidade registrou queda nos índices. Porém, dados preliminares mostram aumento em 2019. “A Secretaria de Saúde desenvolve ações de vigilância à mãe e bebê, realizadas por enfermeiras que fazem visitas ao hospital de toda gestante, puérpera e bebê internado, promovendo a alta responsável e segura da mamãe e o bebê, com agendamento da consulta e monitoramento”. São Vicente, com 12,57 em 2018, também deve ter mais mortes no consolidado de 2019. “As ações do município são busca ativa das gestantes faltosas, exames na abertura do pré-natal e no 3º trimestre da gestação, encaminhamento ao pré-natal de alto risco”, entre outras. Itanhaém, com 12,5 em 2018, só viu os números aumentarem nos últimos anos, inclusive com previsão de aumento acentuado no ano passado. Ainda assim, afirma que a cidade incorporou um obstetra especialista em pré-natal de alto risco, que será também um capacitador para toda a rede de saúde, com “objetivo é diminuir consistentemente esse índice”. Praia Grande, com 13,32 mortes de bebês por mil nascidos vivos em 2018, entende que é necessário estabelecer ações específicas para diminuir o índice. Uma das ações é a intensificação de treinamentos e capacitações de todos os profissionais em relação à saúde da mulher e da criança. “A divisão de Promoção à Saúde também desenvolverá ações junto às Unidade de Saúde da Família, a fim de conscientizar a população sobre a importância do pré-natal”. Bertioga (13,42 em 2018) informa que as ações assistências iniciam na rede básica de saúde, por meio do pré-natal com médicos e enfermeiros, busca ativa das gestantes faltosas, realização de exames laboratoriais e de imagem com agilidade. “Também é realizado acompanhamento e monitoramento das gestantes consideradas de alto risco” . Peruíbe, com 14,54, segundo a Seade, afirma que a maior parte é de óbitos tardios (de 28 dias de vida a 1 ano). “Os casos envolvem a necessidade de maior articulação das políticas públicas para a primeira infância e questões de ordem social”. A administração afirma que criou vários serviços para tentar diminuir o problema. Governo do Estado Contrariando levantamentos da Fundação Seade, das prefeituras e do próprio sistema estadual de estatísticas, a Secretaria de Estado da Saúde afirma que houve melhora na taxa de mortalidade infantil na região da Baixada Santista de 2017 para 2018. “O aprimoramento da assistência ao parto e à gestante, o incentivo ao aleitamento materno, a ampliação do acesso ao pré-natal, a expansão do saneamento básico e a vacinação de crianças com base nas diretrizes do SUS [Sistema Único de Saúde] são as principais ações contra a mortalidade infantil”, diz a secretaria, em nota.