[[legacy_image_24202]] Na casa da despachante aduaneira Elaine Sampaio, de 41 anos, o feijão é componente indispensável da comida, mas tem sido deixado de lado diante da escalada do preço nas últimas semanas. A má notícia para ela, e para quem gosta daquele que é um dos queridinhos da mesa do brasileiro, é que o valor do quilo do produto só deve começar a baixar em maio. “O preço está exorbitante”, reclama Elaine, contando que, antes, o pacote de feijão lhe custava algo em torno de R\$ 4. Agora, o preço subiu para R\$ 9. “Estou deixando de comer e esperando diminuir o valor para voltar a comprar”. A Tribuna viu, no domingo (3), o saco de 1 kg do feijão carioca sendo vendido de R\$ 5,99 a R\$ 10,99, com muitas marcas com preço na casa dos R\$ 7 e R\$ 8. De feijão preto, a variação foi de R\$ 4,79 a R\$ 6,99 o quilo. Os valores foram pesquisados em quatro supermercados de Santos. Reclamações e explicação De acordo com o subgerente do supermercado Varandas, Humberto Araujo, os consumidores têm reclamado muito. Mas não há o que fazer. “O aumento veio de repente. Subiu pra gente, e temos que aumentar para os clientes”. O preço alto é reflexo da redução da área de cultivo para a primeira safra desta temporada e da estiagem no início do ano, que prejudicou o desenvolvimento dos grãos em Minas Gerais, Goiás e Paraná, estados onde há produção. Os produtores diminuíram o plantio para 2019, motivados pelo preço baixo do produto no ano passado e pelo decréscimo no consumo interno. O cenário só deve começar a melhorar em maio, com o início da colheita da próxima safra, de acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders. “Como há pouco feijão, o produto continuará caro na prateleira até pelo menos o mês de maio, quando, se tudo correr bem com as lavouras que estão em desenvolvimento, podemos ter recuo dos preços”, explicou o especialista, em entrevista ao site Notícias Agrícolas. Trocas Enquanto a redução não vem, é preciso pesquisar para buscar o menor valor no mercado ou recorrer a outras leguminosas. “Dá para ficar sem comer feijão, mas tem que substituí-lo”, orienta a nutricionista Gabriela Cuesta.“O feijão é rico em proteína, cálcio, ferro, fibras, magnésio e zinco. É um alimento completo. Pode ser substituído por outros tipos de feijão e alimentos do grupo das leguminosas,lentilha, vagem, soja e ervilha”. O consultor financeiro Marcio Colmenero diz que o melhor é substituir o feijão e/ou diminuir o consumo, mas, como se trata de alimento essencial para o prato do brasileiro, “o jeito é ir atrás do melhor preço”. “É usar da paciência e da pesquisa”.