[[legacy_image_297939]] "Já salvei muita gente, e também já vi muita gente morrer". A frase é do autônomo Valclei Lemos, de 49 anos, morador da Praia Branca, em Guarujá, litoral de São Paulo. Ele foi um dos homens que tentou salvar um jovem de 19 anos que desapareceu ao entrar no mar no domingo (17). Participando de salvamentos constantemente no local, que é de difícil acesso, ele pede a presença de guarda-vidas. Lemos e a esposa possuem um restaurante na parte à esquerda da Praia Branca, que tem acesso apenas por trilha. Ele conta que, devido a falta de guarda-vidas, chegou a instalar sinalização com bandeira na faixa de areia para alertar os banhistas. Em situações mais graves, o autônomo também retira do mar pessoas que estão em processo de afogamento. No caso de domingo (17), o jovem, que é morador de Itaquaquecetuba, interior do estado, foi arrastado pela correnteza por volta das 11h30, sendo perdido de vista. Lemos lembra que, antes de tentar ir até onde o jovem estava, outro amigo fazer o mesmo. "Ele (amigo) conseguiu até pegar o rapaz, só que a correnteza estava forte e os dois tomaram uma forte onda. A prancha escapou, veio até a areia, eu peguei e fui para salvar o rapaz, porque meu amigo já tinha saído (do mar). Só que ele foi muito longe. Com menos de 20 metros para chegar nele, ele afundou a primeira vez. Veio uma onda forte, que me jogou para trás. Depois, ele sumiu, não consegui ver ele mais", relata o autônomo. Após o desaparecimento, equipes do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) iniciaram as buscas pelo jovem. Os trabalhos se encerraram às 19h de domingo (17) e voltaram a acontecer nesta segunda (18). Além dele, outro jovem, de 20 anos, morador de Campinas (SP), desapareceu na Praia da Enseada e também está sendo procurado. A Praia Branca é uma das mais isoladas de Guarujá, sendo acessada apenas por uma trilha que começa na Rodovia Ariovaldo de Almeida de Viana, próximo a travessia de balsas com o município de Bertioga. Lemos destaca que, neste domingo (17), havia bastante movimento no local, devido ao forte calor. "A gente precisa do apoio dos bombeiros. Tem que ter salva-vidas. Se não fossem os moradores da Prainha (Branca), morria gente todo o dia. A galera está vendo que todas as praias tão lotadas, e todas têm guarda-vidas e uma locomoção mais fácil. Aqui não temos. Precisamos de apoio. Só tem acesso pela trilha, que dura meia hora, ou de barquinho. Já salvei muita gente, e também já vi muita gente morrer (no mar)", desabafa. [[legacy_image_297940]] Resposta O GBMar afirma que as buscas pelos desaparecidos começaram imediatamente após a notícia do desaparecimento, e continuaram nesta segunda (18). A corporação orienta que moradores e turistas prefiram praias protegidas pela presença de guarda-vidas e, chegando nelas, perguntem a eles os locais mais seguros para banho. "Os riscos existentes nas praias são sinalizados com uma placa de “PERIGO” e mais de 95% das mortes por afogamentos acontecem nesses locais", diz o GBMar. A Reportagem questionou a corporação sobre a presença de guarda-vidas na Praia Branca e as orientações caso alguém frequente praias isoladas, e aguarda uma resposta.