[[legacy_image_343065]] Claudia Alaminos é educadora parental e ajuda pais e filhos a passarem pela fase da adolescência juntos, promovendo a conexão por meio de uma relação de escuta. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Quando começou essa paixão pela adolescência? Começou no meu consultório de psicopedagogia. Eu trabalhava com crianças. Eu fui fazer a psicopedagogia para trabalhar com questões de aprendizagens escolares. Para minha surpresa, surgiram pacientes adolescentes. Daí eu comecei a estudar. Isso já faz mais de 20 anos. Como você conseguiu identificar o sucesso da participação da família nos seus atendimentos? Eu comecei a perceber a diferença de desempenho na terapia psicopedagógica de um adolescente que tinha uma família encorajadora e estruturada, de famílias que os tratavam como criancinhas ou como adultos responsáveis por si. Adolescentes não podem ser independentes ainda. Então foi assim que eu fui buscar a influência da família. Como é lidar com os pais que enfrentam a adolescência ouvindo que o jovem é complicado?Acredito que o maior inimigo das famílias que têm um adolescente em seu seio é a falta de informação e conhecimento. Todo mundo, quando decide ter um filho, vai pesquisar um pediatra, ler livros, acessar blogs e entrar em comunidades antes do bebê nascer. Então, você se informa e sabe todo o desenvolvimento da criança até 1 ano de idade. A adolescência é um ponto de virada muito importante. A gente percebe que alguma coisa está diferente naquele filho. Se a gente não mudar junto, haverá um desencontro. Para entender e desmistificar a adolescência como algo difícil e terrível é estudar, é preciso se informar. Você disse que muitos pais se preocupam com a infância e esquecem da adolescência, mas comportamentos na infância vão revelar outros na adolescência? A infância não é uma imunização em relação à adolescência difícil. Não dá para dizer que, se está tudo bem com a infância, se os pais foram perfeitos, isso não vai resultar em algumas questões a serem resolvidas na adolescência. Não é possível prever. Às vezes, famílias que têm dois, três filhos enfrentam de maneira muito diferente a chegada à adolescência de cada um deles. Às vezes, até se comportaram de forma semelhante na infância. Você fala que o pai deve ser participativo e não invasivo. Sem dúvida nenhuma. O adolescente precisa de algum tipo de privacidade. É normal o seu filho ficar mais tempo dentro do quarto do que com você na sala. É preciso ter privacidade, porque ele está passando por um processo de descoberta de quem ele é. Ele descobriu, por exemplo, que os pais não são heróis infalíveis. Então qual é o papel dos pais? O ideal é você ouvir esse adolescente, se interessar pelos interesse dele, querer saber quais são as suas opiniões. Isso promove a conexão. Se você quer influenciar um adolescente, é necessário que você esteja conectado a ele. Sem essa conexão, você pode dar mil conselhos e mil ordens que dificilmente ele vai internalizar. A hora que ele internaliza um valor que você passou para ele, você vai ter a continuidade da educação. Você pode confiar que, mesmo na sua ausência, ele vai tomar boas decisões. A postura que a gente, pai de adolescente, tem que adquirir é a de aprendiz. Você me ensina o que você sabe e eu te ensino o que eu sei. Como tirar o filho do isolamento? Primeiro, não adianta você arrancar do isolamento. É você comunicar para ele que você entende que ele precisa ficar sozinho, mas que isso não faz com que você não sinta a falta dele. Às vezes, quando o adolescente está muito no quarto, entrar lá não é uma boa ideia naquele momento. Bate na porta, diz que está com saudade, manda uma mensagem dizendo que lembrou dele. Isso tudo faz com que o adolescente saiba que os pais lembram dele. Ele não virou um porco-espinho que só espeta. Ele quer aconchego e amor. Em relação às redes sociais, como os pais podem ser vigilantes sem serem invasivos? Pessoalmente, eu acredito que, antes dos 14 ou 15 anos, os pais não podem deixar de olhar o que os filhos estão fazendo e consumindo nas redes sociais. Eu já vi coisas muito graves acontecerem com famílias que eu atendo, coisas sérias demais para a gente achar que a privacidade do adolescente é um empecilho. Você pode citar um exemplo? Uma pessoa se passou por uma menina e começou a falar com um garoto. O garoto brigou com os pais e a menina falou que ia com o irmão buscá-lo. A mãe viu e chamou a polícia. Não eram uma menina e o irmão dela. Eram dois homens que, provavelmente, iam sequestrar o garoto. Se você está vendo que sua filha está batendo papo com a melhor amiga falando da festinha que vai acontecer sábado, não precisa ficar lendo. Agora, é importante ficar alerta para perfis sem foto, perfis com foto de anime, foto de jogador de futebol famoso, perfis com outro prefixo telefônico que não o da sua cidade, nomes que você nunca ouviu falar. Aí sim é importante você abrir e ver com quem o filho está falando. O que ele fala com os amigos da escola não precisa. Ai é ser invasivo. Eu tenho um filtro que fala assim: “Se pode colocar em risco a saúde do meu filho, se pode pôr em risco a segurança do meu filho, nada é mais importante que isso. Nem a privacidade dele”. Como evitar que o adolescente fique muito tempo em frente ao computador ou a uma tela? A gente não pode deixar na mão dele. Ele não sabe se controlar. A gente vai ter que fazer o controle. Eu acredito que computador no quarto não é adequado. Põe na mesa da sala, põe na bancada da cozinha, em algum lugar que você possa passar perto. Você não precisa ficar lá olhando o que ele está fazendo.