[[legacy_image_307715]] Nesta semana, o Papo Tribuna continua com a série de entrevistas com os deputados federais da região. Hoje, é a vez de Rosana Valle (PL), que foi reeleita em 2022 com 216.437 votos, mais do que o dobro dos conquistados para seu primeiro mandato, em 2018. além de ser a mais votada no Vale do Ribeira. Ela também é jornalista e professora. No bate-papo, Rosana fala sobre seus projetos nestes 240 dias do segundo mandato. Você é presidente da Frente Parlamentar dos Portos Nacionais. Em 2019, houve um recorde de apreensão de drogas no Porto de Santos, com 27 toneladas de cocaína. De lá pra cá, essa apreensão vem reduzindo. Você apresentou um projeto de lei que transfere recursos nacionais de segurança pública para o combate ao tráfico de drogas. Esses recursos podem ser aplicados de que forma? O projeto já foi aprovado?O projeto está em tramitação e vai passar pelas comissões. Agora a gente tem que articular para que ele seja pautado, votado e discutido entre os parlamentares que fazem parte da Comissão de Segurança. É um projeto que está acompanhando essa onda de violência. A gente percebe que a nossa região é geograficamente mais vulnerável por conta do Porto. Enquanto em um aeroporto se transporta uma mala de drogas, no Porto é um contêiner. Então, a gente sabe que as apreensões fazem parte de uma rota internacional e a gente precisa investir na prevenção, no combate ao tráfico de drogas aqui no Porto de Santos. Esse projeto é para que uma parte desses recursos seja empregado nas cidades portuárias com mais de 300 mil habitantes, o que é o caso de Santos. Eu espero que esse projeto seja aprovado, pois é mais uma ferramenta que a gente usa com tecnologia, drone e equipamentos que podem ser comprados para que a gente aumente a fiscalização no nosso Porto. Recentemente, no programa Porto - O Desafio, as ganhadoras apresentaram um projeto de lei e conversaram com você. A partir desse projeto, você apresentou outro projeto para instituir o Fundo de Apoio Portuário à Infraestrutura (Fapi). Como isso funcionaria?Uma parte das multas que são aplicadas iria para esse fundo. Elas me procuraram, estavam competindo no programa e vieram com essa ideia. Eu achei viável, orientei as meninas, elas ganharam e nós resolvemos apresentar esse projeto. Então, as multas cobradas das empresas portuárias, de alguma infração na área do meio ambiente, iriam para esse fundo e esse dinheiro também estaria disponível para investimento nas cidades portuárias e infraestrutura. A gente sabe que o nosso Porto precisa constantemente de novos acessos, de outras áreas para estacionamentos. Enfim, seria um recurso financeiro que estaria disponível para aplicação nas cidades portuárias e, no caso, no nosso Porto. Isso seria para facilitar a vida também das pessoas que convivem com o ônus de ter um porto e precisam também receber um bônus disso. Essa relação do porto com a cidade precisa ser mais clara para a população, o porto precisa participar mais das decisões da cidade, enfim, essa ligação tem que ser melhor. E como anda projeto do túnel ligando Santos a Guarujá?Essa é uma novela que infelizmente se arrasta há 100 anos. A gente sabe das necessidades e essa obra grandiosa vai ser um divisor de águas na nossa região, estimulando geração de empregos e desenvolvimento. No meu primeiro mandato, eu trabalhei muito para isso. A gente tinha avançado bastante, foi o mais próximo que nós chegamos da realização dessa obra, avaliada em mais de R\$ 5 bilhões, por conta do processo de desestatização do Porto. A empresa, o grupo, o consórcio que assumisse a desestatização da gestão portuária seria encarregada, ficaria com a obrigação da contrapartida que é a construção dessa ligação seca através do túnel, que foi entendido que é a melhor saída. O processo parou, pois o comando do País hoje não entende que a desestatização do Porto seja a melhor saída. De qualquer forma, eu continuo lutando, porque eu sei que essa obra é importante. Tenho conversado bastante com o governador de São Paulo, que está empenhado e colocou essa obra também entre as suas prioridades na parceria público-privada. A gente sabe que o Governo Federal também incluiu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e eu estou acompanhando. Então, a minha obrigação como deputada é continuar articulando, cobrando e fiscalizando para que essa obra saia. Existe algum projeto para melhorar a saúde na Baixada Santista?Existem muitos projetos. O problema da saúde pública não é específico da Baixada Santista, ele é assim no Brasil todo. As pessoas são atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), esperam numa fila imensa. Muitas vezes não há transparência, então um dos projetos é que haja mais transparência. O Governo do Estado também está tentando fazer com que as cidades se unam para que tenham uma fila só. Hoje, a pessoa é inserida em duas filas e isso causa desconforto. Alguém sempre acha que outro está passando na frente. A gente tem que ter transparência. Eu tenho ajudado muito o Hospital Guilherme Álvaro, que atende 100% SUS, pessoas de todas as cidades da Baixada Santista e do Vale do Ribeira que vêm aqui. Então, nós temos muitas saídas. A gente tem que fazer com que os prefeitos das cidades, os secretários de Saúde das cidades, se unam para que a gente consiga fazer a saúde ser metropolitana. Desde fevereiro, você apresentou vários projetos de lei na Câmara Federal, um deles sobre a proibição de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a outros países. Por que essa proposta?A gente tem tanta dificuldade no Brasil para tocar obras. Um exemplo é a obra da ligação seca entre Santos e Guarujá através do túnel, que precisa de dinheiro, e a gente não sabe de onde vão vir os recursos e vê o governo financiando obras em outros países. A prioridade tem que ser no nosso País, eu luto pela minha região, pelo Estado de São Paulo e fico inconformada com essas coisas. Financiar gasoduto na Argentina, financiar obras em outros países enquanto a gente precisa e tem muitas prioridades no nosso país. Eu criei esse projeto de lei e, ao todo, foram mais de 200 proposições nesses 240 dias de mandato. São 14 projetos de lei importantes em diversas áreas. Esse é o nosso trabalho como parlamentar, fazer, no meu caso, uma oposição propositiva. Tenho votado contra o que eu acho que está errado, tenho me posicionado e feito essa resistência. Mas o que é bom para o País, a gente vota a favor. Nesse caso, eu não me conformo em financiar obras em outros países, sendo que a gente tem muitas prioridades aqui no Brasil.