[[legacy_image_288495]] Idalina Galdino Xavier, fundadora da ONG Voluntários do Riso, que presta trabalho voluntário de humanização hospitalar, e Maurício Bucheb, voluntário do projeto, contam a história dele e o que os levou a trabalhar com isso. Idalina, como surgiu o grupo? Sou contadora de histórias e, um dia, comecei a trabalhar no hospital por causa de um amigo do meu filho, que fazia esse trabalho. Quando entramos no hospital, vemos crianças que, em um dia, podem estar alegres, mas, no dia seguinte, as camas delas podem estar vazias. Percebemos o quão importantes fomos para elas. A partir disso, fundei o grupo. Maurício, você se tornou voluntário após os 40 anos. Como foi isso? Foi aos 47. Minha neta nasceu prematura, de seis meses e meio, e ficou cerca de três meses no hospital. Foi quando eu conheci o trabalho. Fiz uma promessa de que, se ela saísse daquela situação, eu ia procurar uma ONG para me tornar doutor palhaço. Ela saiu: vai fazer 11 anos neste ano. Procurei os doutores voluntários, fiz o curso e me tornei palhaço. Precisa se capacitar para ser um voluntário? Idalina — Por exemplo, temos que saber onde andar, não encostar nosso material na cama, o que pode trocar bactérias, não atrapalharmos a maca. Os voluntários têm o curso de comportamento dentro do hospital e de ética. Maurício — A maior preparação, sem contar as regras de comportamento, é ter essa disciplina para arrancar um sorriso com pureza, com coisas simples, e isso, às vezes, é difícil, porque ele (o paciente) está sofrendo. Vocês conseguem observar evolução, por exemplo, de uma recuperação com o trabalho de vocês? Idalina — Uma vez me chamaram na UTI. Lá, eu brinquei e dancei. Vi uma menina que estava lá com um dreno e não queria comer. Pensei até que ela iria embora. Certo dia, voltei à UTI, na ala pediátrica. Estava lá, dançando com as crianças, até que uma mãe me puxou pelo braço e disse que a filha queria dançar comigo. Quando vi, era aquela menina. Dancei com ela devagarinho e a mãe agradeceu. Anos depois, em uma festa da comunidade, essa menina me abordou e perguntou se eu lembrava dela. Eu brinquei, dizendo: “Claro! Você é a princesa!” E ela respondeu que não, que ela era a menina do hospital. Vocês acham que é importante a humanização dentro dos hospitais? Maurício — É fundamental. A pressão, principalmente nos hospitais públicos, por vagas e a pressão sobre os funcionários são muito grandes. O palhaço atua para o paciente, mas ele anima o acompanhante, o enfermeiro, ele ajuda o médico, ele emociona, porque muitas pessoas lá estão sensíveis. Vocês costumam sempre entrar nos quartos com mais de duas pessoas. Por quê? Idalina — Nós precisamos de duas pessoas em cada cama. Mais do que isso gera aglomeração, e a pessoa se sente sufocada. Dois são necessários para que um segure a onda do outro, porque, muitas vezes, nos emocionamos e não podemos esboçar reação nenhuma, a não ser sorriso e alegria. A pandemia impactou o trabalho de vocês. Como foi a retomada? Maurício — Estamos voltando agora, procurando espaço novamente. Tivemos perdas familiares, perdas de voluntários e amigos, mas estamos voltando.