[[legacy_image_249584]] Enfrentar filas em atendimentos de urgência e emergência não é algo inédito para a maioria da população. Pelo contrário. A espera, dependendo do dia e local, pode levar horas. No entanto, um fator poderia alterar esse quadro. Muitas pessoas buscam prontos-socorros e unidades de Pronto Atendimento (UPAs) com problemas que poderiam ser tratados na Atenção Básica. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Duas cores resumem a questão: azul e verde, as gradações menos graves de emergência, de acordo com o Sistema de Triagem de Manchester (veja destaque). O desafio dos gestores de Saúde é mudar uma concepção já consolidada. “É preciso fazer um trabalho de formiguinha na Atenção Básica baseada na saúde da família. E ele é o agente comunitário, que precisa, todo mês, visitar as pessoas da sua microárea de atuação, dentro de uma prioridade: gestantes, diabéticos, hipertensos, com problemas renais crônicos, e obesidade, privilegiando os agravos crônicos”, defende o secretário de Saúde de Guarujá, Luís Cláudio Sartori. A Cidade constatou que mais de 85% dos atendimentos nos equipamentos de urgência são de casos classificados como verde e azul. Na prática, significa que os pacientes poderiam ter procurado o serviço específico de atendimento oferecido. Em Cubatão, por exemplo, há índices acima de 70% de atendimentos realizados no Pronto-Socorro Central para casos sem urgência. Foram 74,5% dos atendimentos de janeiro deste ano, 75,3% em dezembro e 75,1% em novembro de 2022. Razões O que é preciso, para Sartori, é entender o contexto de motivos que “tiram” os usuários do sistema de saúde da atenção básica e os levam para os PSs e as UPAs. “Temos que estudar essa demanda, mapeando de onde ela vem, onde moram essas pessoas. Grande parte dessas demandas azul e verde é de agravamentos de condições crônicas”, reforça. O detalhamento do que acontece com cada paciente, segundo ele, é mais viável na atenção básica do que num pronto-socorro ou UPA. “Se houvesse um vínculo forte com as unidades básicas de Saúde, seria possível controlar esses eventos em estágios iniciais. No entanto, depende também de a unidade estar preparada”, frisa. Opção No entanto, segundo o secretário, a busca da população por esse tipo de unidade, caso necessária, é legítima. “A população vai aonde encontra mais acesso. A sintomatologia é de cada pessoa. Posso estar com aquele desconforto, perfeitamente possível de ser acolhido na atenção básica, mas, se quero ir ao PS, eu posso. Há uma questão cultural, de consumo imediato, de consultas na urgência e na emergência”, pondera. A mudança do quadro, para o secretário de Saúde de Guarujá, viria apenas com uma correção de rota. “O Brasil vive um paradoxo. A gente está pensando na atenção primária, mas precisa caminhar muito para a sua potencialidade. Observar essas taxas é um alerta importante para essa revinculação das pessoas às suas unidades de saúde”, considera o gestor municipal. As cores e seus critérios Vermelho - Emergência, paciente com risco de morte – atendimento imediato Exemplos: infarto agudo do miocárdio, dores no peito, politraumatizados, insuficiência respiratória aguda, convulsão Amarelo - Urgente, paciente com alto risco – atendimento em até 30 minutos Exemplos: trauma moderado, trauma craniano sem perda de consciência, pós-convulsivo Verde - Não urgente e assistência prioritária para idosos, gestantes, menores de 2 anos – atendimento em até duas horas Exemplos: pacientes com queixas agudas de ordens respiratória, circulatória, digestiva, urinária, osteomuscular, neurológica, psicológica Azul - Sem urgência – atendimento em até quatro horas, por ordem de chegada. Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Santos Fortalecer policlínicas faz parte de ações em Santos Maior cidade da Baixada Santista, Santos também adota medidas para lidar com a questão dos atendimentos não prioritários. Números fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostram que quase da metade da procura tem essa característica. Em janeiro, os atendimentos classificados como azuis, sem urgência, corresponderam a 46,3% do total realizado nas três UPAs que existem em Santos. Na UPA Central, por exemplo, de 11.353 atendimentos, pouco mais da metade (6.412 ou 56,4%) é classificada como azul. Na UPA Zona Noroeste, de 12.481 atendimentos, 4.666 (37,3%) também recebem essa classificação. Na UPA Zona Leste, de 10.352 atendimentos, são azuis 4.749 (45,8%). Por causa disso, a pasta afirma adotar ações para lidar com a questão. Entre elas, o fortalecimento das policlínicas é uma das estratégias, pela reposição de recursos humanos e pela ampliação dos programas voltados à prevenção de doenças e à promoção da qualidade de vida. “Apenas em 2023, aproximadamente 20 técnicos de enfermagem e três médicos da família ingressaram nas unidades de Atenção Básica, havendo outras nomeações em tramitação”, menciona a Prefeitura de Santos, em nota. Estão previstas para este ano, ainda, as inauguração das policlínicas Estuário e Vila Gilda. Também continua em vigor o recadastramento dos usuários das policlínicas, o que permite, paulatinamente, uma nova divisão territorial de cada um desses equipamentos. A ampliação de outras unidades está em análise, como as do Marapé, do Castelo e da Vila Progresso. São Vicente Nessa cidade, a questão passa pela distinção dos serviços e equipamentos oferecidos pela Secretaria de Saúde em cada diretoria. Na de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência (Dahue), estão compreendidos atendimentos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo Pronto Atendimento Parque Humaitá, pelo Hospital Doutor Olavo Horneuax de Moura, pela Maternidade Municipal, pelo Hospital Municipal e pelo programa Melhor em Casa/Atenção Domiciliar (AD). A Diretoria Municipal de Atenção Primária à Saúde (DAP) contempla as 26 unidades básicas de Saúde (UBS) e as estratégias de Saúde da Família (ESF). (AF)