[[legacy_image_113812]] A necessidade estimada de leitos hospitalares para a Baixada Santista elaborada em 2016 pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-4) ainda não foi atingida após cinco anos, apesar dos avanços registrados nas redes pública e privada ao longo desse período. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Esse levantamento feito pelo órgão estadual apontava que a região precisava de, no mínimo, 3.576 vagas, incluindo os de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas havia 3.035, dos quais 1.839 do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, o número de leitos é de 3.496, segundo informações das prefeituras e dados identificados pela Reportagem no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), na tarde de sexta-feira. A apuração de A Tribuna desconsiderou as vagas de UTI voltadas a pacientes de covid-19 e aquelas de enfermaria verificadas em hospitais de campanha que ainda constam no Cnes. ParâmetrosO número recomendado de leitos para a Baixada Santista foi calculado naquela ocasião com base nos parâmetros estabelecidos pela Portaria 1.631, de 2015, do Ministério da Saúde. Trata-se de uma tarefa complexa, pois envolve a análise não apenas da oferta dos serviços disponíveis, mas também de variáveis como o número de internações anuais esperadas para cada especialidade, taxa de ocupação, população e tempo médio de permanência do paciente. Na quinta-feira, A Tribuna solicitou ao DRS-4 qual seria o número ideal de vagas na Baixada Santista atualmente. No entanto, a Secretaria de Estado da Saúde justificou que a comparação pretendida “não faria qualquer sentido”, devido à mudança realizada na rede de saúde para enfrentamento da pandemia de covid-19. Ampliação da redeApesar do avanço nos últimos anos, há projetos em andamento para melhorar a assistência aos pacientes da região. Segundo o secretário de Saúde de Santos em exercício, Denis Valejo, a Prefeitura trabalha para viabilizar um novo convênio com o Governo do Estado a fim de ajudar no financiamento de mais 40 leitos do Hospital dos Estivadores, que vinham sendo utilizados por pacientes com covid-19. O atual contrato com a gestão paulista ajuda a bancar 151 vagas, e 40% delas são reservadas a pacientes encaminhados pelo Estado. Se a operação der certo, o número de leitos financiados saltaria para 191. Valejo citou que o Hospital dos Estivadores tem um custo mensal de R\$ 7,653 milhões. A maior parte da despesa é custeada pelo Estado (R\$ 3,960 milhões). O Município entra com R\$ 2,5 milhões, e o Ministério da Saúde, com R\$ 1,193 milhão. Praia Grande informou que a Cidade está em busca de habilitação dos leitos que vinham sendo utilizados pela covid-19 com o Governo do Estado para poder ampliar o atendimento de outras demandas. A Prefeitura de Guarujá explicou que está em fase de planejamento para formalizar a proposta de construção e habilitação de um novo hospital de pequeno porte. Conforme a Administração de São Vicente, está em trâmite no Ministério da Saúde, desde março deste ano, o pedido de habilitação de oito leitos de enfermaria para a Saúde Mental no Hospital Olavo Horneaux de Moura, no Bairro Humaitá. Cidades citam projetos de ampliação e licitaçõesA secretária de Saúde de Peruíbe, Ana Paula Cardoso, afirmou que a Cidade ganhará um hospital com 58 leitos, dos quais oito de UTI. “O vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) esteve na Cidade recentemente anunciando a liberação do recurso (R\$ 22 milhões) para a conclusão da obra. Neste momento, ela já se encontra em processo de licitação e com previsão de retomada já no próximo semestre”, disse Ana Paula. A titular da pasta de Saúde em Bertioga, Janice da Silva Santos, destacou que o Hospital Municipal, que hoje tem 49 leitos, será ampliado. A Cidade recebeu R\$ 12 milhões do Governo Estadual para a execução desse serviço. CirurgiaNo início do segundo semestre do próximo ano, a população deverá ter à disposição dez vagas de UTI adulto, quatro salas de centros cirúrgicos e mais 62 leitos de clínica médica e cirúrgica. “As causas externas são a segunda maior causa de mortes em Bertioga, devido aos acidentes de trânsito — em primeiro lugar, estão as doenças do aparelho circulatório. Esse hospital de médio porte terá a missão de atender casos de trauma e fazer cirurgias ortopédicas, que é uma das carências da nossa região. Estamos dialogando com o Estado para ajudar no custeio dessa estrutura”, explicou. Rede particular avança mais do que serviço públicoO cruzamento de dados feitos por A Tribuna comprova que a abertura de leitos hospitalares particulares avançou mais do que na rede pública nos últimos seis anos (316 contra 145 vagas abertas pelo Sistema Único de Saúde, o SUS). O maior crescimento foi verificado em Praia Grande, onde não havia leitos privados em 2016. Agora, são 158, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes). A maior parte dessas vagas (120) está concentrada no Hospital Casa de Saúde. Localizado na Vila Mirim, o complexo foi inaugurado em janeiro do ano passado. Está sendo construído na cidade o Hospital Igesp, ligado ao Grupo Trasmontano. Essa unidade, que ficará no Bairro da Aviação, deverá ter 190 leitos. A Secretaria Municipal de Saúde Pública informou que há a intenção — ainda não oficializada — de ser erguida em Praia Grande uma unidade do Hospital Sancta Maggiore, que é ligada à operadora Prevent Senior. A partir deste ano, o Cnes passou a registrar a existência de 54 leitos para pacientes psiquiátricos da Clínica Oliveiras, embora o estabelecimento esteja instalado no Município desde 2014. O secretário de Saúde de Santos em exercício, Denis Valejo, explicou que, no próximo dia 30, a Prefeitura estará deixando o Hospital Vitória, espaço que foi alugado apenas para internar pacientes com covid-19. Esse imóvel, situado na Vila Belmiro, pertence ao grupo UnitedHealth, que teria a intenção de reativar um complexo de saúde naquele espaço. Reforço A Secretaria de Estado da Saúde informou que, com a queda dos indicadores da covid-19, trabalha para reforçar a assistência a pacientes com outras patologias. Por esse motivo, será retomado o programa Corujão da Saúde, com foco na área de oncologia. Na Baixada Santista, serão oferecidos 7,6 mil exames:biópsias, colonoscopias, endoscopias, retossigmoidoscopia (exame indicado para visualizar alterações ou doenças que afetam a porção final do intestino grosso), ressonâncias, tomografias e ultrassonografias. As unidades de saúde que integram essa iniciativa são os ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) de Praia Grane, Santos e de São Vicente, assim como os hospitais Emílio Ribas 2, em Guarujá, Guilherme Álvaro, em Santos, e Regional de Itanhaém. Na rede privada, a Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (Afip) também foi habilitada a participar do Corujão da Saúde. O Governo do Estado também lançou recentemente o programa Mais Santas Casas para apoiar as entidades filantrópicas. O Hospital Santo Amaro, em Guarujá, a Beneficência Portuguesa de Santos e a Santa Casa de Santos receberão anualmente, juntas, a quantia de R\$ 40,3 milhões. Prefeituras usarão estrutura que servia para covidAs prefeituras pretendem aproveitar estruturas e equipamentos utilizados para receber os pacientes com covid-19 a fim de melhorar a assistência na rede pública de saúde. São Vicente explicou que a estrutura de UTI aberta para pacientes com coronavírus no Hospital Municipal (antigo Centro de Referência Emergência e Internação, o Crei) servirá para ampliar as vagas de UTI adulto. Ao contrário de outras localidades, Cubatão montou toda a estrutura para receber infectados pela covid-19 dentro do Hospital Municipal. A ideia é reaproveitá-la após a pandemia e de acordo com as necessidades verificadas. Guarujá quer incorporar as vagas de UTI para covid-19 do Hospital Santo Amaro. A proposta é usar os leitos para o tratamento de outras doenças. “Todas as cidades esbarram na falta de recursos financeiros para a criação de leitos de UTI, além de questões como falta de espaço e dificuldade para realizar adequações físicas nos hospitais sem impactar o atendimento já existente”, justificou a Prefeitura. Praia Grande destacou que o hospital de campanha instalado no Ginásio Municipal Falcão foi desativado, mas todos os materiais, equipamentos e insumos adquiridos estão sendo absorvidos em outros serviços de saúde.