[[legacy_image_348333]] As práticas de sustentabilidade dentro dos preceitos ESG — em inglês, environmental, social and governance, que significam ambiental, social e governança, em português — passam diretamente pela energia renovável. Um bom exemplo disso está nos carros elétricos, em relação aos movidos a combustão. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Emplacaram-se 12.026 veículos eletrificados (elétricos e híbridos) no Brasil em janeiro, de acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o número representa um avanço de 167%. “O principal fator motivador, que move as partes interessadas na escalada da eletrificação da frota nacional de veículos automotores, segue sendo a descarboni-zação. Ou seja, respeitar o Acordo de Paris, que limita o incremento de temperatura a 1,5 grau até 2030”, afirma o administrador de empresas, pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação e MBA em ESG Markus Halbig. Ele também atua como executivo sob demanda e é membro de conselho de startups. Halbig observa que, atualmente, há um movimento de redução de preços com relação aos modelo de entrada elétricos. “O BYD Dolphin Mini, que atualmente é o veículo elétrico zero-quilômetro mais barato do mercado, sai por R\$ 115 mil. Se comparado com o veículo popular a combustão zero-quilômetro mais em conta no mercado nacional, o Fiat Mobi Like 1.0 (R\$ 72 mil), ainda há uma discrepância em torno de 37,5%”, exemplifica. Incentivos existem. Publicada em 30 de dezembro passado no Diário Oficial da União, a Medida Provisória 1.205/2023 instituiu o Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), que objetiva apoiar a descarbonização dos veículos brasileiros, o desenvolvimento tecnológico e a competitividade global. “O programa Mover prevê um total de R\$ 19,3 bilhões de créditos financeiros entre 2024 e 2028, que podem ser usados pelas empresas para abatimento de impostos federais em contrapartida a investimentos realizados em pesquisa e desenvolvimento e em novos projetos de produção”, detalha Halbig. Apesar dos desafios, a transição para veículos elétricos representa uma oportunidade importante para as empresas, lembra a diretora-executiva na eContent Sustentabilidade, Mayara Barreto, com experiência de oito anos no setor de energias renováveis. “Servirá não apenas para as empresas reduzirem sua pegada ambiental, mas também, potencialmente, economizarem dinheiro e melhorarem sua imagem pública no longo prazo. A chave é abordar proativamente os desafios, especialmente em relação à infraestrutura de recarga e ao custo inicial, para maximizar os benefícios dessa mudança”, sentencia. [[legacy_image_348334]] Carregadores também em altaCom o crescimento das vendas, a demanda pelos carregadores também sobe. “Uma que se destaca é a de estabelecimentos comerciais e estacionamentos, que desejam oferecer o serviço de recarga para seus clientes, assim como de postos de combustível”, explica o representante da Power2Go para o Litoral, Leonardo Rezende. Presente em 18 estados e com sede em São Paulo, a empresa instalou dois carregadores para carros elétricos na sede do Grupo Tribuna, no Paquetá, em Santos, dando mais um importante passo na empresa em prol da sustentabilidade. Um fica próximo ao portão de entrada, na Rua João Pessoa. O outro, no subsolo. Em Praia Grande, o Auto Posto Xixová terá, a partir do dia 15, o primeiro ponto de carregamento para veículos elétricos e híbridos da rede. “Esta iniciativa não é apenas sobre negócios, é sobre impacto social e ambiental positivo. É a nossa contribuição para um mundo mais verde e inclusivo”, afirma o sócio da Rede Xixová Rafael Fernandes. Fernandes explica que a energia desses carregadores vem de 100 painéis solares bifaciais de última geração, em um projeto idealizado e instalado pela SolarMar Energia Solar e em parceria, também, com a empresa WEG. “Queremos ser parte da solução, não do problema. Com essa iniciativa, não estamos apenas carregando carros, estamos alimentando a esperança de um futuro mais sustentável para todos nós. Sendo assim, estaremos preparados para a crescente demanda de carros elétricos que estão chegando na Baixada Santista. Esperamos receber, no início da operação, em torno de 500 a mil veículos”, projeta Fernandes. A Eleventec, na Capital, é uma startup que se propõe a fazer o inverso: entregar a recarga a veículos elétricos onde e quando o usuário necessite. “Somos pioneiros no conceito de BAAS (bateria enquanto serviço). Utilizamos modal 100% elétrico e limpo, desde a origem (captação solar fotovoltaica) até a destinação”, explica Markus Halbig, sócio da startup. Como funcionaO carregador de carros elétricos funciona como uma fonte de energia. “Importante explicar que nossa energia comum em casa é sempre em corrente alternada, porém, as baterias usam corrente contínua”, observa o representante da Power2Go para o Litoral, Leonardo Rezende. Os carregadores de carros alimentam o automóvel com corrente alternada. “No carro, existe um equipamento chamado inversor de frequência, que converte a corrente alternada em contínua para poder injetar na bateria.” Como há diferentes tamanhos e potências de inversores de frequências nos carros elétricos, o carregador sempre se “comunica” com o carro antes de iniciar a carga para “saber” qual potência ou corrente usar. A autonomia de um automóvel elétrico é medida pelo tamanho da bateria e, como nos modelos a combustão, a forma de dirigi-lo também influencia no consumo. “De forma geral, carros 100% elétricos possuem baterias maiores, inversores e motores elétricos maiores do que os chamados híbridos, uma vez que elas (as dos totalmente elétricos) não precisam compartilhar o espaço com tanque de combustível e motor a combustão.” A capacidade de carga das baterias é medida em kWh (quilowatt-hora). Cada automóvel a combustão tem um nível de consumo de combustível, também dependendo da potência do motor e do motorista. “Há carros com bateria de 40 kWh que rodam 270 quilômetros (km), o que dá aproximadamente 6,75 km por kWh”, exemplifica. “Em linhas gerais, podemos dizer que o consumo é de três a seis km/kWh. As baterias dos carros híbridos vão de dez a 30 kWh, e as dos elétricos, de 40 a 100 kWh.”, detalha.