[[legacy_image_300988]] Ainda sobre a fibromialgia, o médico reumatologista Eduardo Yabuta também comentou sobre algumas características da doença. A fibromialgia atinge o sistema nervoso e faz com que as dores do paciente sejam ainda mais intensas. Como identificar essa síndrome? É muito difícil? A fibromilagia tem um um diagnóstico absolutamente clínico, diferentemente da maioria das doenças reumatológicas. Não existe nenhum exame complementar, seja ele laboratorial ou radiológico, que possa determinar esse diagnóstico com clareza. Portanto, depende de uma boa anamnese, uma boa conversa entre médico e paciente e um bom exame clínico. Quais são as causas da fibromialgia? Ainda não se sabe. A fibromialgia é uma síndrome dolorosa não inflamatória, diferentemente da maioria das doenças reumáticas, que em sua grande maioria conceitual são inflamatórias. No começo do entendimento da fibromialgia, até se achava que havia um processo inflamatório, mas biopsias musculares confirmaram a não existência disso. Se a gente for pensar no componente fisiológico, há uma alteração na percepção da dor. Na fibromialgia, você sempre tem uma dor muito mais acentuada do que deveria sentir, e mais do que isso, tem uma inibição central da dor muito menor. Ou seja, o paciente fica mais desprotegido e com menos capacidade de reduzir a intensidade de estímulo doloroso. Esses pacientes costumam tomar muito anti-inflamatório. Isso é correto? Já que o conceito da fibromialgia é ser uma doença não inflamatória, não há nenhuma indicação de usar o anti-inflamatório como terapia isolada. Qual é a melhor solução para tentar conviver com essa dor? Primeiramente fazer um diagnóstico preciso, pois é importante destacar que nem todo paciente portador de dor difusa, que dorme mal, acorda cansado, ou seja, tem um sono não restaurador e queixa-se de dor o tempo inteiro, nem sempre esse paciente tem fibromialgia. Quais são as principais dificuldades desses pacientes? A fibromialgia atinge tanto o componente muscular quanto o componente articular, mas é muito importante fazer um diagnóstico diferencial. Muitas vezes, doenças que tem sintomas semelhantes, são acobertadas por um diagnóstico não correto de fibromialgia. É importante que se afastem outras doenças também tão importantes ou até mais severas do que a fibromialgia, antes de rotular o paciente como fibromiálgico. As dores espalhadas pelo corpo são os principais sintomas e podem ser confundidas com outras doenças ou síndromes? A fibromialgia não define apenas dores difusas musculares, mas também se associam com outros sintomas e sinais clínicos, como por exemplo a dor de cabeça recorrente e intensa, alterações no hábito intestinal que variam desde uma diarreia até uma constipação, alterações urinárias como a urgência miccional na mulher, alterações de formigamento, torturas, dores torácicas atípicas e não relacionadas a um infarto. Então é muito amplo o panorama do sintoma clínico em fibromialgia. Portanto a gente não pode achar que o paciente tem fibromialgia e finalizar por aí. Devemos investigar insistentemente e exonerar de qualquer outra possibilidade de uma doença associada. Até porque não é infrequente ter a fibromialgia associada a uma outra patologia.