[[legacy_image_269728]] É celebrado nesta quinta-feira (25) o Dia Nacional da Adoção. O sonho de muitos casais é gerar uma família, o que nem pode ser sempre realizado. Adotar, porém, também leva ao nascimento de um núcleo familiar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A diretora de escola Cláudia Marques Rosa, de 49 anos, brinca que o telefonema do Serviço Social do Fórum foi o “estourar da bolsa”. Ela tinha 44 anos quando esse dia chegou e conheceu sua filha, na época com 3 anos. Cláudia sempre quis ser mãe. Após duas tentativas de fertilização in vitro malsucedidas, ela e o marido optaram pela adoção e iniciaram o processo. “Foi um processo bem demorado: um ano e quatro meses até a gente conseguir dar entrada. Conheci o pessoal do grupo de apoio à adoção de Praia Grande, pois em Guarujá não havia. Foi um divisor de águas”, relembra. Na época, ela morava em Guarujá, mas se mudou para Praia Grande. Uma semana após a solicitação para se transferir de comarca, Cláudia e o marido entraram na fila da adoção. “Comecei a frequentar o grupo de apoio, que faz reuniões uma vez por mês. São pais por adoção que montaram esse grupo e eles dão suporte, trazem convidados. Isso conforta. É uma rede de apoio”, descreve. O grupo ajudou a diretora a amadurecer a ideia de adotar. No início, seu perfil inicial era para um bebê. “Depois de algum tempo frequentando o grupo, eu vi que não era exatamente só isso que eu queria. Eu queria um filho, não um bebê. Então, aumentei para até 3 anos de idade”, contou. O casal demorou quatro anos e dois meses para ser chamado e receber a ligação que mudaria sua vida. Eles foram avisados de que havia uma criança. Cláudia perguntou, apenas, se era um menino ou uma menina — a idade não contava. Então, começou o processo de adaptação, que durou 28 dias. Nele, a família visitava a menina com frequência e saía com ela aos finais de semana, para aumentar o convívio. “Depois de 28 dias, o juiz assinou a guarda provisória, para que a gente pudesse levá-la para casa. Não tem como descrever a sensação de pegar seu filho e levar para casa. É uma coisa maravilhosa, um amor muito grande”, emociona-se. Cláudia Rosa ressalta a todos que a questionam que sua filha não “é” adotada, ela “foi” adotada. “Ela não nasceu de mim, mas a gente fala que ela nasceu para a gente.” O juiz da Vara da Infância e da Juventude de Santos, Evandro Renato Pereira, ressalta que, em Santos, há cerca de 100 pessoas habilitadas a adotar uma criança ou um adolescente. “Nós habilitamos as pessoas que gostariam de realizar o sonho da maternidade ou da paternidade via adoção, após uma avaliação psicossocial e um curso preparatório. Fazemos a aproximação delas e das crianças e dos adolescentes disponíveis para adoção. Após a adaptação e a apresentação, inicia-se o estágio de convivência, para fins de adoção. As pessoas têm direitos previdenciários, inclusive, licenças maternidade e paternidade”, explica. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ), a cidade onde mais crianças e adolescentes foram adotados é Santos: em 2021, foram 34 que ganharam uma nova família e em 2022 o número subiu para 42. Praia Grande, a comarca onde Cláudia adotou sua filha, vem logo atrás. Em 2021, 13 crianças e adolescentes foram adotados e o número aumentou para 20 em 2022. Cubatão, Guarujá e Peruíbe também tiveram números expressivos: no ano passado, houveram 11 adoções em cada cidade.