[[legacy_image_2751]] Seja pelo adensamento da Cidade ou quantidade de lixo descartado, bastam poucos minutos de chuva para que as ruas de Santos fiquem inundadas. A percepção de que os alagamentos têm ocorrido com maior rapidez e levado mais tempo para se dissipar não se limita aos bairros da Zona Noroeste, que historicamente padecem com o aguaceiro. Vias do Centro, Boqueirão, Gonzaga, Encruzilhada, Embaré e José Menino são exemplos de que algo não vai bem na drenagem. O resultado pode ser observado a cada ocorrência de chuva forte: trânsito lento por reflexos das vias tomadas de água. Como fevereiro foi marcado por chuvas intensas, a quantidade de ocorrências de inundações tornou-se mais visível. Segundo a Defesa Civil, neste mês acumulou 15 dias de chuva. “(As ruas cheias de água) resultam de um somatório de fatores, como a combinação de chuva forte em pouco período de tempo e a maré em nível alto. Com isso, resulta esse tipo de problema na Cidade”, resume o chefe de departamento da Secretaria Municipal de Serviços Públicos, Roberto Moyano. Descarte Irregular Ele inclui também o descarte irregular de resíduos nas vias públicas, que, levados pelas chuvas, entopem a rede de drenagem. Conforme explica, equipes de limpeza executam a obstrução das galerias “para manter a boa funcionabilidade do sistema”. Na segunda-feira, por exemplo, duas toneladas de resíduos – como lama, plástico e pedaços de madeira – foram retiradas da rede de drenagem no Centro. A remoção contou com auxílio de um caminhão hidrojato, uma mangueira de alta pressão, que empurrou o material acumulado em canais e bocas de lobo. Moyano sustenta que o trabalho rotineiro seguiu agora para a Vila Mathias (na imediação da Avenida Gaffrée e Guinle) e Macuco. “Temos o registro de muito descarte de garrafas pet, brinquedo, móveis. Há, também, sedimentos arenosos nas galerias”. Ele garante que as queixas pontuais registradas via Ouvidoria Pública são prontamente atendidas. “A limpeza é feita por bairro. O sistema de drenagem é muito extenso e, ao longo do ano, a gente não consegue percorrer tudo. Atuamos nos pontos com mais reclamações”. Áreas Verdes Desenvolvido no começo do século passado pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, o sistema de drenagem santista foi ampliado com o passar do tempo. Apesar da idade e das necessidades tipográficas de cada região, Moyano acredita que a rede de dutos é suficiente para a vazão atual. “O que temos hoje atende a Cidade em grande maioria”. O arquiteto e urbanista Nelson Gonçalves Lima Junior indica que a ocupação da área insular reduziu as áreas verdes, notórias por absorver a chuva. “A urbanização tirou do solo capacidade de permeabilidade, tornando-o impermeável, o que sobrecarrega a rede de drenagem”. O especialista avalia ainda que a substituição dos paralelepípedos por asfalto contribuiu para o maior volume de água represada nas vias. Como medida para amenizar o problema, cita a adoção de calçadas ecológicas – trechos no pavimento com grama. “Tem três situações: embeleza a Cidade, melhora a qualidade do ar e ajuda na drenagem de água da chuva”. O ex-secretário de Meio Ambiente Fábio Alexandre Nunes, o professor Fabião, afirma que são raras as vias dotadas de verde em Santos. Por essa razão, defende a instalação de calçadas ecológicas como opção de drenagem para colaborar com a dinâmica hidrogeológica do solo. “Chuvas acima do limite médio não tem como serem drenadas com rapidez”.