[[legacy_image_117182]] Moradores e trabalhadores da Baixada Santista que utilizam combustíveis no dia a dia tiveram suas rotinas alteradas desde que a disparada nos preços se intensificou. Nesta segunda-feira (25), a Petrobrás anunciou alta de 7,04% no preço da gasolina nas refinarias e de 9,15% no diesel. No ano, a gasolina acumula alta de 73,4% e o diesel 65,4%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Morador do Boqueirão, em Santos, e funcionário público em Cubatão, Marcelo Afonso do Nascimento utilizava o carro próprio de segunda a sexta-feira para ir trabalhar. Desde julho deste ano, em pelo menos três dias da semana, ele mantém o carro na garagem e passou a pegar quatro ônibus por dia para economizar. "Por semana, gastava R\$ 120 a R\$ 140 para abastecer. Não dá mais", conta Nascimento. Ele vive com a esposa e dois filhos e sentiu uma queda na qualidade de vida desde que começou a usar transporte público. "Antes, conseguia acordar às 7h. Hoje tenho que levantar 5h45 para pegar o ônibus". Há quatro anos trabalhando como motorista de aplicativo, Luciano Vieira dos Santos mal pagas suas contas: basicamente o aluguel do carro e o combustível. "Quem ‘segura as pontas’ com as contas é o meu pai, que é cadeirante e aposentado. Por isso, estou tentando me manter com o carro, para levá-lo no médico, fazer exames", diz. Ele conta que deixou de ajudar em casa no básico, como água e luz. O motorista abastece em Praia Grande de manhã - e às vezes ainda precisa abastecer novamente em São Vicente e, depois, em Santos, num mesmo dia. Para quem depende do diesel, a situação também é complicada. O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros, Luciano Santos de Carvalho, diz que a categoria acaba encarando os preços altos. "A gente sobrevive do caminhão". Segundo Carvalho, há uma promessa de paralisação no próximo dia 1º de novembro. "A gente vai parar porque simplesmente não consegue trabalhar". PreçosO Sistema de Levantamento de Preços da ANP contém os preços médios nos postos de seis municípios da região até o último dia 23 (antes do aumento, portanto): Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Praia Grande, Santos e São Vicente. Segundo apurado pela Reportagem, os valores médios da gasolina variam de R\$ 6,023, em Praia Grande, a R\$ 6,440, em Itanhaém. Para quem abastece com diesel paga o menor valor em São Vicente, R\$ 4,820, e o maior em Itanhaém: R\$ 5,199. O reajuste da gasolina anunciado nesta segunda pela Petrobrás foi de R\$ 0,21 e acontece 17 dias após o último aumento. Para o diesel, o reajuste foi de R\$ 0,28 e acontece depois de quase um mês desde o último reajuste, em 28 de setembro. O motivo, segundo a Estatal, é o alinhamento de preços ao mercado internacional. A alta havia sido antecipada no domingo pelo presidente Jair Bolsonaro, durante evento em Brasília. Ele afirmou que "infelizmente, pelos números do preço do petróleo lá fora e do dólar aqui dentro nos próximos dias, a partir de amanhã, infelizmente teremos reajuste do combustível". De acordo com a economista e analista de gestão pública, Célia Rodriges Ribeiro, a alta se deve a fatores internos e externos. Segundo ela, a crise econômica provocada pela pandemia; a alta do dólar, causada por incertezas de investidores diante de um real desvalorizado; e um excesso de tributação dos combustíveis por parte dos Estados, que não podem abrir mão da arrecadação por conta da crise. "O preço é o equilíbrio entre oferta e demanda. A oferta caiu porque se produz menos petróleo no mundo e as economias se fecharam. E a demanda também caiu", diz Célia. A economista afirma que, na crise, os mercados se protegem e isso provoca desequilíbrio. Investidores, por sua vez, buscam moedas fortes - e o real hoje segue desvalorizado frente ao dólar. E o cenário não é dos melhores. "Não há projeção de baixar e controlar os preços. Provavelmente, teremos de esperar até 2024". O Sistema de Levantamento de Preços da ANP contém os preços médios nos postos de seis municípios da região até o último dia 23 (antes do aumento, portanto): Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Praia Grande, Santos e São Vicente.