[[legacy_image_154693]] O turismo ajuda a economia da Baixada Santista e abre empregos. Por isso, é bom para as cidades da região. Porém, muitos visitantes significam mais violência, lixo e complicações no trânsito. Esse é o resumo da opinião dos moradores dos municípios locais, segundo pesquisa feita pela Secretaria Estadual de Turismo e Viagens (Setur-SP) e divulgada para A Tribuna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O levantamento foi feito entre 19 de novembro de 2021 e 28 de janeiro deste ano. De forma on-line, o formulário, com 31 perguntas de múltipla escolha, foi respondido por 1.163 moradores dos nove municípios locais.gt;gt; Clique aqui e confira a pesquisa Do total, 84,14% concordam totalmente com a afirmação de que o turismo beneficia a economia da cidade onde mora. Para 75%, há certeza de que o setor cria empregos para os moradores, e 74,33% classificam o setor como bom para os municípios. Pelo lado negativo, 54,77% concordam parcialmente (34,11%) ou totalmente (20,66%) que o turismo aumenta os índices locais de violência. O acúmulo de lixo nas cidades com os turistas é citado por 42,76%, e 41,65% acham, sem dúvidas, que o tráfego de visitantes afeta de modo negativo o deslocamento em estradas e ruas. Recorte de cidades Embora moradores dos nove municípios tenham participado do levantamento, apenas Santos, São Vicente e Cubatão enviaram mais de 190 formulários, número considerado suficiente pelos pesquisadores para uma análise específica de cada cidade. Para os outros seis municípios, não há detalhamento. Os moradores de São Vicente, com 359 respostas, são os que mais enxergam o turismo como positivo para a economia local, 91,5%; 81,2% consideram ser importante para a geração de empregos e, para 56%, contribui para a qualidade de vida local. Sobre as críticas, 35,2% concordam parcialmente em que o turismo aumenta a violência, 38,6% tratam dos impactos ao meio ambiente, 39,9% apontam acúmulo de lixo e 41,7% mencionam o trânsito. Santos contribuiu com 282 formulários válidos: 84,5% consideram o turismo positivo para a economia local; para 46,9%, contribui para qualidade de vida e, para 78,7%, gera empregos. No lado negativo, os maiores índices foram para acúmulo de lixo (45,3%) e trânsito caótico (42,8%). Cubatão, que não é estância, mas município de interesse turístico (MIT) — por isso, é a que recebe menos verba estadual para o setor na região —, enviou 194 respostas. Os índices mostram expectativa maior com o turismo nos próximos anos: 68,5% concordam que a atividade é boa para a economia da cidade, 58,5% para a qualidade de vida e 53% para os empregos. Atividade deve ser integrada a outras, afirma secretárioA pesquisa mostra que as políticas públicas de apoio ao turismo devem ser integradas com outras áreas, como a social e a de habitação. O motivo consiste em que turismo é uma atividade transversal, que afeta e é afetada pelas demais. Com um trabalho feito dessa forma, é possível diminuir os impactos negativos e ampliar os benefícios proporcionados pelo setor. A opinião é do secretário estadual de Turismo, Vinicius Lummertz. Ele justifica críticas de moradores da região aos visitantes. Diz que a Baixada Santista é de mais fácil acesso aos turistas, muitos da Grande São Paulo e do Interior. E isso ocorre em períodos específicos, como os feriados prolongados, festas de final de ano e o verão. “Esse volume, eventualmente exagerado, muda as rotinas dos moradores e isso fica claro nas respostas, por exemplo, sobre o trânsito, um dos itens apontados como negativos. É importante, então, uma avaliação de custos e benefícios, já que (residentes) também consideram o turismo importante para os empregos e a economia de suas cidades”, diz Lummertz. Ele acrescenta que muitos dos visitantes não são 100% turistas: uma boa parte é proprietária dos imóveis, o que gera impostos que revertem em benefício de todos, mesmo que não “usem” tanto a cidade. “É importante encontrar o equilíbrio. Instalação ou aprovação de atrativos, que são polos geradores de tráfego, em locais de menor concentração, por exemplo, pode ser uma boa medida. Assim como reforçar as equipes de limpeza pública nesses períodos”, considera. Impressões locais Para Lummertz, diferentemente das pesquisas tradicionais, que captam a impressão dos turistas sobre as cidades, o foco, desta vez, foi entender como os moradores reagem a esta presença. Os resultados, pensa ele, são positivos. “Porém, não podemos ignorar algum sentimento, mesmo que limitado, de desconforto, por exemplo, com acúmulo de lixo, casos de violência e trânsito. Isso ajuda a avaliar os custos e benefícios. E, portanto, a ter um olhar mais cuidadoso com limpeza pública, a iluminação ou o policiamento de alguns pontos e uma atuação mais precisa de engenharia de tráfego”, resume. A pesquisaA Pesquisa de Percepção do Turismo 2021-2022 foi realizada peloCentro de Inteligência da Economia do Turismo (Ciet) da Secretariade Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), com apoio dos municípios do Estado. O formulário on-line, contendo 31 perguntas de múltipla escolha, foi respondido pelos habitantes de municípios paulistas no período de 19 de novembro de 2021 a 28 de janeiro deste ano, contabilizando um total de 14.366 formulários válidos respondidos em 287 municípios. A distribuição da pesquisa foi feita pelas prefeituras. Os resultados apresentam um nível de confiança de 95%, com margem de erro de 0,82%. Os resultados podem ser consultados on-line, cidade por cidade, por região administrativa ou turística no link www.turismo.sp.gov.br/ciet.