[[legacy_image_230379]] O trauma de passar por um assalto à mão armada dentro do carro se transformou em vontade de ajudar mulheres a perderem o medo de dirigir. É com esse intuito que Pâmela Alexandra Nascimento Costa, de 39 anos, que mora em Praia Grande, passou a dar aulas de direção para moradoras da Baixada Santista que, mesmo habilitadas, não se sentem confiantes no volante. Ela busca crescer ainda mais o projeto. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Tudo começou em 2017, quando Pâmela foi vítima de um assalto enquanto estava dentro do veículo. Ela conta que o trauma de voltar a entrar em um carro foi iminente, chegando a tremer. Mas após passar por um trabalho psicológico e conversar com outras mulheres, ela percebeu que não era a única. "Eu tive ajuda de psicólogo e de auto escola para poder voltar a dirigir e ter mais confiança. Conversando com mais mulheres, percebi que não estava sozinha nesse meio, e que (elas) precisavam de ajuda. (Prometi que) Assim que eu voltasse a dirigir queria ajudar as pessoas", conta Pâmela, em conversa com A Tribuna. Pensando em mudar a situação, ela criou, em 2020, o programa Mulheres no Volante 013, para fornecer aulas particulares a pessoas habilitadas, mas com traumas ou receios de dirigir. [[legacy_image_230380]] As aulas acontecem de segunda à sexta, com sete alunas diariamente, e aos sábados, com cinco praticantes. As atividades ocorrem em Praia Grande, Mongaguá, Santos e São Vicente. "É prazeroso, tenho amor pelo que faço. Quando vi minhas alunas felizes, satisfeitas de pegar um carro e sair dirigindo, levando filhos para escola, isso é muito satisfatório. Sou realizada com o que faço", comemora. AbordagemPâmela explica que, para cada aluna, há uma forma diferente de lidar e ensinar. Os ensinamentos podem ser tanto para aliviar um trauma que a pessoa tenha relacionado a dirigir, como dificuldades na parte prática. O carro usado pela "professora" de Praia Grande contém adaptações no banco do passageiro, com pedais de embreagem e freio, assim como ocorre em um veículo de autoescola, para caso ela precise intervir. "De pessoa para pessoa, a gente acaba sendo amiga, psicóloga. A gente pega um carinho. Não é simplesmente chegar e dizer o que tem que fazer. A gente não anda em qualquer lugar, inicia em lugares mais tranquilos. Vamos com ela para um lugar mais afastado, para que ela possa viver na prática o que ela vai passar", ressalta [[legacy_image_230381]] Em famíliaUma das propostas de Pâmela é que as condutoras possam se sentir exatamente como num dia a dia de direção. Por isso, até mesmo filhos pequenos são permitidos nas aulas. "O fato de eu ir até a pessoa ajuda muito. Tenho alunas com filhos autistas, e o filho vai junto (na aula), na cadeirinha. Eu deixo ela livre para ela viver o que tem que viver na realidade. Já aconteceu de aluna minha estar fazendo aula, o marido ter um problema de saúde e ela levar ele de carro no hospital. Isso é muito legal", ressalta.