[[legacy_image_199635]] Pai. Aquele que tem um ou mais filhos. Homem que cria e educa independentemente de laços paternais. Genitor. Criador. Protetor. Todas essas definições de dicionário são válidas e, na vida do corretor de imóveis Dário Pedro Souza Santos, de 35 anos, são aplicáveis. Ele é pai dos gêmeos Derick e Paola, de 7 anos, e exemplo raro dos que criam, sozinhos, seus filhos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Morando em São Vicente, Dário cria os irmãos desde bebês. Eles foram gerados por uma prima distante, que não pôde ficar com eles, “caindo em seu colo” porque a vontade de ser pai falou mais alto. No início, sua mãe e sua família ficaram receosos por julgá-lo jovem – tinha 29 anos. Mas, ao discutirem a melhor forma de cuidar das crianças, acabaram apoiando-o por ter residência fixa e muita disposição para criá-los. Sua história foi contada na AT Revista em 2019. Na época, além do emprego de analista de documentação, trabalhou como corretor de imóveis e vendedor de doces que produzia. Hoje, Dário está reformando uma casa própria no Parque São Vicente, os filhos já sabem ler e estudam em escola particular. O núcleo familiar ganhou mais um integrante: o cuidador de idosos Jefferson Fontes, de 24 anos, com quem ele se casou. “Estamos fazendo a reforma aos poucos. O quarto do Derick está pronto”, diz ele, do local onde a foto desta reportagem foi feita. O sobrado, de três andares, é um sonho conquistado pela família. Espaço diferente do apartamento de dois quartos onde ele vivia com os filhos na primeira vez em que contou sua história, no Morro da Nova Cintra, em Santos. “Eles ainda estão se adaptando à nova vida, mas o espaço maior dá conforto”, conta. A compra foi possível durante a pandemia. E, ainda que menos de uma semana antes de receber A Tribuna pela segunda vez ele tenha sido demitido do emprego formal, Dário Pedro Souza Santos considera que, nestes três anos, não teve do que reclamar. “A corretagem durante a pandemia deu um salto. Vendi muito porque a valorização da casa trouxe mais clientes e pude investir em casa”, afirma. DesafiosDário Santos tem vontade de ser pai desde os 18 anos. De forma intuitiva, já visitava instituições de adoção e levava para a casa da mãe abrigados para passar o fim de semana. Quando ficou com as crianças, foram três anos até conseguir registrá-las em seu nome. Mas até hoje enfrenta preconceitos por ser um pai solteiro. Em 2019, teve problemas no Dia das Mães na creche onde a menina e o menino ficavam porque a instituição lhe mandou um bilhete pedindo “uma foto da mamãe grávida”, conta ele. “Mas sempre, em algum lugar, um funcionário despreparado pergunta: ‘Mas e a mãe?’. São desafios diários que a gente enfrenta”, diz. Agora casado, também precisa enfrentar atitudes e comentários homo-fóbicos. “Já aconteceu na rua, com prestadores de serviço. Não é fácil, mas vale a pena.”