[[legacy_image_171863]] Após 40 dias da flexibilização do uso de máscaras em todos os ambientes, com exceção do transporte público, o número de casos e de internações de covid-19 não cresceu na Baixada Santista, segundo dados oficiais das prefeituras. Ao contrário, houve queda. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entre a segunda quinzena de fevereiro e a primeira de março, 8.743 moradores da região foram diagnosticados com a doença. Entre a segunda metade do mês passado e a primeira de abril, esse total caiu para 8.498. A quantidade de mortes verificadas nos municípios locais também sofreu diminuição, ao se compararem esses dois períodos: de 85 baixou para 23. O secretário de Saúde de Santos, Adriano Catapreta, admite que havia um receio natural das consequências da não obrigatoriedade do uso da máscara, mas os números mostram que a doença vem regredindo. “Essa medida não trouxe impactos negativos. Estamos, a cada dia, fechando mais leitos para covid-19”, afirmou Catapreta. Conforme a titular da Saúde em em Bertioga, Rebeca Barufi, o Município não interna pacientes com essa enfermidade desde a segunda quinzena do mês passado. Em Cubatão, o último óbito por coronavírus ocorreu em 18 de março. No dia 16 de fevereiro, três pacientes estavam na Unidade de Terapia de Intensiva (UTI), e dois ocupavam vagas de enfermaria. Na primeira metade deste mês, só uma permaneceu na UTI entre os dias 1º e 8. A única pessoa hospitalizada atualmente não tomou nenhuma dose da vacina contra o coronavírus, segundo a Prefeitura. Guarujá explicou que a pandemia passa por uma fase de arrefecimento, com redução expressiva de novos casos e queda da taxa de ocupação hospitalar, chegando a zerar por mais de uma semana por causa da ampliação do esquema vacinal na Cidade. Em Mongaguá, não houve registros de aumento de internações após a liberação do uso opcional da máscara, mas a Diretoria de Saúde destacou que essa continua sendo a principal forma para evitar a proliferação da covid-19. Em Praia Grande, o número de casos teve queda expressiva: foram 594 entre o dia 15 de fevereiro e 14 de março e 171 entre o dia 15 do mês passado e 15 deste mês. Ao se compararem esses dois períodos, a diminuição de diagnósticos positivos da doença também foi grande em Peruíbe, passando de 271 para 17. Essa mesma tendência foi verificada em São Vicente: de 1.081 casos caiu para 193. Novo hábito?O uso de máscaras é um hábito incorporado há décadas pelos japoneses. Trata-se de uma prática adotada por quem está doente para evitar infectar outras pessoas. E fica a pergunta: os brasileiros deverão manter esse hábito? Os infectologistas ouvidos por A Tribuna têm visões distintas. Para Evaldo Stanislau, essa moda não deve pegar, pois ainda há uma visão muito atrasada e preconceituosa sobre essa proteção, que, diz ele, deveria ser encarada com naturalidade. “Sinto isso na pele. Quando você aparece de máscara em determinados ambientes, as pessoas olham para você como se fosse um extraterreste”, desabafou. O médico entende que essa questão foi muito mal trabalhada no País e virou um símbolo ideológico, o que não faz sentido, na avaliação dele. “A máscara deve ser encarada como ela é, ou seja, como um equipamento de proteção individual”, ressaltou. Marcos Caseiro avalia que vários brasileiros vão continuar usando máscaras e ele se inclui nesta lista. “Acredito que a gente tem que ter aprendido alguma coisa com esta pandemia. Uma delas é que as pessoas que têm sintomas respiratórios não devem sair de casa, mas, se tiverem, que utilizem essa proteção para evitar a transmissão para outras”, afirmou. Leonardo Weissmann explicou que os japoneses já usam a máscara como elemento no dia a dia há séculos, como forma de respeito, para evitar infectar os outros. “Isso também é uma forma de autoproteção”. E o médico completou: “É bem possível que muitas pessoas incorporem este hábito, mesmo após a pandemia”. Os infectologistas entendem que os cidadãos devem se proteger e se sentir mais seguros, em qualquer ambiente, principalmente em locais onde risco de exposição ao coronavírus é maior, como transporte público e espaços fechados.