[[legacy_image_322117]] Agatha Domingos Felizardo tem poucos dias de vida. Mas já aprendeu, na prática, o que é um milagre de Natal. Ela nasceu a caminho do Complexo Hospitalar dos Estivadores, em Santos, dentro de um carro de aplicativo no último dia 22. Sua “pressa” transformou a vida dos pais, a tosadora Alicia dos Santos Domingos e o professor de Educação Física Lucas Matheus de Oliveira Felizardo, e do motorista, Giovani Sanches, de 24 anos. Todos ganharam uma história e tanto para contar. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo Alícia, que também é mãe de Lorenzo, de dois anos, a epopeia começou por volta das 9h30 da manhã.. Mas, horas antes, o dia já tinha dado sinais de que não seria comum. “Acordei por volta de 6h30 com dores no quadril, mas até então eu achei que poderia estar deitada de mau jeito. Então, me dei conta que as dores estavam indo e voltando, então ali entendi que era as contrações, me levantei e tomei um banho. Por volta das 8 da manhã, perguntei pro Lucas se ele estava preparado, porque a filha dele já estava dando sinais de que queria vir ao mundo. Eu estava com dores e que era dor de contração”, descreve. Até aí, tudo corria sob controle. O casal, que mora no bairro Samabaia, em Praia Grande, percebeu, por volta das 9h30, que a bolsa havia estourado. “Nessa hora, fui até o Lucas e contei a ele, que foi deixar meu filho na casa dos avós. Enquanto isso, terminei de guardas algumas coisas minhas e pegar meus documentos na mala pra poder ir para a maternidade”, narra a mãe de Agatha. É quando o motorista Giovani entra na história. Ele chegou com seu Fiat Uno e recebeu Alicia e Lucas – e Agatha, que não quis esperar. Prontamente, o motorista foi avisado da viagem especial. “o Lucas brincou com ele perguntando se ele “estava preparado para uma aventura, porque a minha bolsa estourou”. No caminho as contrações ficaram cada vez mais fortes. No carro, foram avisando os familiares que estavam a caminho da maternidade. Chegou a horaJá em Santos, o casal de pais percebeu que, possivelmente, não desse tempo de chegar ao hospital. “As dores ficaram bem mais fortes, e eu já estava sentindo a bebê descendo. Falei ao Lucas que estava sentindo a cabeça dela em seguida, me ajoelhei no banco”, descreve. Nesse momento, o carro foi abordado por dois policiais, os soldados da PM Seabra e Gonçalves, pois o Uber estava em alta velocidade, com o pisca-alerta ligado. “Como o ar do carro estava ligado, as janelas estavam fechadas; O Lucas abriu a janela e avisou aos policiais que eu estava em trabalho de parto e que a bebê já estava nascendo. Quando o Lucas falou com os policiais, ele olhou pro lado e viu a cabeça da minha filha para fora. Como eu já estava ajoelhada no banco, puxei ela e dei tapinhas nas costas dela pra ela chorar. Quando ela chorou, eu a abracei. Nessa hora ficou um silêncio no carro, todos espantados com o que tinha acontecido”, resume a mãe da bebê. Depois do silêncio total no carro, os policiais foram à frente, abrindo caminho. Paravam no cruzamento para que o Uber seguisse até o hospital. O nascimento em ordem cronológica foi assim: a bolsa estourou às 9h30; ela nasceu as 10h32 e a chegada ao hospital, 10 minutos depois. “Desde o momento em que ela veio ao mundo até o hospital, eu estava com ela no colo ajoelhada no banco. Não sei como consegui me equilibrar com o carro em alta velocidade, ajoelhada e com ela no colo. Quando chegamos no hospital, os policiais me ajudaram a descer do carro, pois já não tinha forças nas pernas. Logo vieram os enfermeiros com a cadeira de rodas e me levaram para o centro cirúrgico, pois a placenta ainda estava dentro de mim”, acrescenta Alícia. O alívio e a constataçãoNo centro cirúrgico, os médicos cortaram o cordão umbilical, e começaram a fazer os primeiros exames nela e, felizmente, estava super bem, com o bebê e a mãe. “Ficamos em observação por um tempo, logo depois que os exames dela ficaram prontos, seguimos para o quarto”, conta.. Aos poucos, o casal foi se dando conta do que tinha ocorrido. “A ficha realmente caiu quando eu cheguei no hospital, quando eu vi que ela estava bem, quando a adrenalina foi baixando eu fui dando conta do que realmente tinha acontecido. Mais ao olhar para as emoções daquela manhã de sexta-feira, Alícia não tem dúvidas em apontar. “É um milagre de Natal, o meu presentinho”, finaliza.