[[legacy_image_284181]] Nos últimos 20 anos, houve uma perda de aproximadamente 10,6 km2 de manguezais da região. O motivo principal: ocupações irregulares pela população de baixa renda. Os dados foram publicados em uma revista científica internacional, a Ocean and Coastal Management, editada em inglês pelo Instituto Oceanográfico da USP e voltada para o segmento global. Os manguezais ajudam o combate de mudanças bruscas do clima que o planeta vivencia nos últimos tempos. Eles auxiliam na proteção contra tempestades, além da fixar o carbono, um dos principais gases do efeito estufa responsável pelo aquecimento global. Carbono azulLevantamento inédito feito no ano passado no Brasil aponta que o solo dos manguezais tem o maior estoque de carbono do Brasil, o chamado carbono azul. Eles armazenam até 4,3 vezes mais CO2 nos primeiros 100 centímetros de solo, quando comparados a outros biomas vegetados no País e ajudam a melhorar a qualidade da água. Também são berçários de peixes e mariscos, cruciais para a subsistência de inúmeras comunidades costeiras. ProteçãoEsses ecossistemas típicos de regiões tropicais e subtropicais são formados por árvores de raízes aéreas e outras espécies arbustivas capazes de resistir ao fluxo marítimo e ao sal da água do mar. Tânia Costa, professora e bióloga da Unesp-São Vicente, pesquisa há mais de 20 anos os estuários onde estão inseridos os manguezais. “Essas áreas são de grande importância porque acabam servindo de proteção da linha costeira. A gente observa que em várias regiões onde os manguezais foram desmatados, como é o caso, por exemplo, de algumas localidades da América do Norte, foram muitos os prejuízos. Se a gente olhar na Flórida, desastres climáticos devastam grandes extensões porque não tem mais mangues”. Ela aponta que por causa disso, há dezenas de projetos de reflorestamento nessas regiões desmatadas. Tânia chama atenção para o perigo da interferência do homem no meio ambiente. “Quando se tem dragagem em áreas estuarinas para a passagem em áreas portuárias, isso se torna um problema, porque acaba se removendo todo o sedimento que pode estar imobilizando alguma substância química nociva”. AbrigoAlém disso, os manguezais servem de abrigo para aves migratórias que ali se alimentam e descansam para seguir viagem. São inúmeras as vantagens de se manter um manguezal intocado. Os mangues também são responsáveis pelo controle de vazão e a prevenção de inundações. Por esses motivos, processos que degradem esses ambientes preocupam a professora. “As pessoas demoram para entender que desmatar manguezais representa um grande prejuízo. Não é só você perder o ambiente, é perder aquele habitat natural que abriga várias espécies conhecidas, como caranguejos e peixes de importância econômica. Onde essas espécies vão procurar abrigo, alimento e proteção na época de maré alta?” Tânia cita as leis federais que protegem esses territórios e o problema das ocupações irregulares. E faz um alerta: “Deveríamos ter uma fiscalização muito maior. É claro que este é um problema social também, onde vão colocar essas pessoas para morar?”. Para ela, a solução está na conscientização. “A comunidade deve se tornar parceira na conservação. Como se diz, a solução para tudo está na educação”. diz. Cruza o paísNo Brasil, os manguezais estão localizados desde o Amapá, no Norte, até Santa Catarina, no Sul. O litoral possui uma área de aproximadamente 8 mil km2 de mangues. No Brasil, esse tipo de vegetação vai até Laguna, em Santa Catarina. Abaixo, existe outro ecossistema chamado de Marisma, que vai até o Rio Grande do Sul. Um fato importante a se observar é que na Região Norte as árvores alcançam altura de até 30 metros. Quanto mais próximas ao Equador, maior elas ficam. As plantas típicas dos mangues têm origem no Oceano Índico e se espalham a partir daí para todos os manguezais do mundo. ProgramaçãoAlgumas cidades da região têm programação especial para marcar o Dia Internacional para a Conservação do Ecossistema de Manguezais, celebrado hoje. Em Praia Grande, há passeio de barco para os idosos do Projeto Conviver, da Prefeitura, percorrerem os manguezais da Cidade. Grupos ligados à educação também podem agendar o passeio. Idosos do Conviver estão sendo selecionados para um passeio de barco pela região do manguezal. O projeto escolhe turmas com 50 pessoas mensalmente, que juntamente com uma professora da Escola de Educação Ambiental da Secretaria de Educação do Município, recebem informações sobre o ecossistema da área, curiosidades sobre animais e plantas do local. Só pode participar quem está inscrito numa das oito unidades do Programa Conviver existentes em Praia Grande, que nesta iniciativa conta também com o apoio do Projeto Navega SP. Mais informações diretamente nas unidades ou pelo telefone 3496-5038. O passeio de barco também pode ser agendado por grupos ligados às áreas da educação, social ou instituições e organizações agregadas ao Meio Ambiente. O serviço é coordenado pela Secretaria de Esportes e Lazer (Seel) de Praia Grande.