[[legacy_image_294869]] Distribuída em nove países da América do Sul, com quase 7 milhões de metros quadrados, 25 mil quilômetros de rios navegáveis, 2,5 mil espécies de árvores e 30 mil das 100 mil espécies de plantas do continente. Esses são alguns números da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo — 60% desse bioma está localizado no Brasil. A área também abrange Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Peru e Suriname. Mesmo com toda essa relevância, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou em março, na Amazônia legal, 356 quilômetros quadrados (km2) de área sob alerta de desmatamento. Foi o terceiro maior índice para o mês desde o começo da série histórica, em 2016. A flora da Amazônia conta com mais de 150 espécies nativas, que podem ser usadas de forma sustentável na produção de medicamentos, alimentos, aromas, condimentos, corantes e fibras. A fauna também se destaca com pássaros, macacos, cobras, preguiças, botos-cor-de-rosa, jaguatiricas e onças. No Brasil, a Amazônia legal, criada em 1953, está em nove estados: Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima e parte de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, que abrangem 60% do território brasileiro. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a considera Patrimônio da Humanidade. ImportânciaÉ a floresta Amazônica que garante chuvas para boa parte da América do Sul e tem capacidade de armazenar carbono e limpar a atmosfera, agindo no combate ao aquecimento global e às mudanças climáticas. A Amazônia é muito cobiçada também porque tem o nióbio, metal mais valioso que o ouro e utilizado em aviões e foguetes. Uma das maiores reservas está em território indígena e não pode ser extraída comercialmente. Cúpula da AmazôniaRealizada em agosto, a Cúpula da Amazônia reuniu chefes de estado de oito países que têm florestas no território. O encontro aconteceu em Belém (PA). O jornalista especializado em meio ambiente André Trigueiro esteve na reunião. Para ele, “os encontros paralelos foram muito positivos, como a coalizão verde, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e 19 bancos nacionais de desenvolvimento formalizando novas rotinas para linhas de crédito e financiamentos mais desburocratizados, mais ágeis, que custeiam negócios sustentáveis, além de capacitar municípios pequenos a preencherem cadastros e entenderem a burocracia do sistema financeiro.” Conforme Trigueiro, “na Carta de Belém, esses (oito) países se comprometem a não ultrapassar 20% de desmatamento do bioma”. Do contrário, “a gente abre a porta para a secura brutal que desconfigura a maior floresta tropical úmida do planeta”. Porém, “é difícil, por consenso, promover um avanço rápido como seria o desejável”. Novas matrizesTrigueiro adverte que “não se pode achar que o desmatamento zero resolve o problema, ao mesmo tempo em que se licenciam jazidas de petróleo na margem equatorial da Amazônia”. “O agravamento da crise climática exige coragem de estadistas que não surfem na onda do petróleo e do gás, explorando novas jazidas ou que se promova a exaustão das atuais. E que se acelerem investimentos nas novas tecnologias”, pondera. Contudo, cita que, apenas em 2022, deram-se mais de US\$ 1 trilhão (R\$ 4,935 trilhões) em subsídios para combustíveis fósseis. “Esse dinheiro está subsidiando os gases de efeito estufa na atmosfera, sabotando a humanidade.” Desmatamento zero nada resolverá enquanto se licenciarem jazidas de petróleo na margem equatorial da Amazônia, afirma o jornalista André Trigueiro, que pede a aceleração de investimentos em novas tecnologias.