[[legacy_image_158009]] Uma possível aglomeração de pessoas sem máscaras de proteção contra a covid-19 é motivo de preocupação para infectologistas do litoral de São Paulo. Após o Estado anunciar a liberação do uso do acessório em locais abertos, os médicos temem que a flexibilização também se estenda aos ambientes fechados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O infectologista Marcos Caseiro entende que a evolução da vacinação, assim como a diminuição no número de casos, permite a flexibilização das máscaras em locais abertos. Entretanto, ele demonstra preocupação com aglomerações e com o não uso do acessório em ambientes fechados. "Até certo ponto, em locais abertos, com boa ventilação, acho que é uma medida adequada. A grande questão são as aglomerações. É importante as pessoas entenderem que a aglomeração favorece a transmissão do vírus. Não estamos em uma situação plenamente tranquila", afirma Caseiro. Os estádios de futebol são exemplos de locais abertos onde não é mais obrigatório o uso de máscaras. Além disso, também foi liberado 100% de capacidade de público. O médico Ricardo Hayden alerta para os riscos que as duas medidas podem trazer. "Em um estádio de futebol, com 100% do público, o risco (de contágio) aumenta exponencialmente. Eu recomendaria que as pessoas usassem máscara. Elas vão gritar, berrar, e é onde você aumenta a difusão de qualquer tipo de vírus", explica. CarnavalPor outro lado, a infectologista Elisabeth Dotti entende que seria necessário mais tempo para tomar essa decisão. Ela cita a semana do ponto facultativo de Carnaval, onde quase 490 mil veículos vieram para a Baixada Santista, e que seria necessário de duas a três semanas para colher dados mais concretos. "A gente vem com uma onda muito boa. Diminuíram os óbitos, as internações. No meio do caminho, a gente teve o Carnaval. Todo mundo aglomerou e ninguém usou máscara. A gente não sabe qual é o resultado do Carnaval, quais são os dados que virão agora. É extremamente precoce", pontua. [[legacy_image_158010]] Ambientes fechadosDurante entrevista coletiva nesta quarta-feira (9), onde foi anunciada a flexibilização, o governador João Doria (PSDB), disse que se os índices progredirem de forma positiva, o Estado pode avaliar, no dia 23 de março, a liberação completa do uso de máscaras, o que incluiria a desobrigação do acessório em ambientes fechados. Os médicos do litoral de São Paulo entendem que esse não é o momento para essa decisão. O infectologista Evaldo Stanislau aponta que essa seria uma decisão precipitada. "A máscara deve ser mantida em ambientes fechados. Ambientes fechados têm risco maior (de contágio). Não me sinto confortável em recomendar a remoção da máscara em ambientes fechados sem mostrar, sem dúvida alguma, que a circulação do vírus é baixa. E o Brasil não tem esse dado difusamente. Por isso, seria precipitado, sim", afirma Stanislau.