[[legacy_image_344477]] A preocupação cada vez maior das empresas com os preceitos ESG — em inglês, environmental, social and governance, que significam ambiental, social e governança, em português — avança na mesma proporção da procura por profissionais capacitados para liderar estratégias e traçar práticas ligadas ao tema. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma pesquisa chamada Futuro do Trabalho, realizada, no ano passado, pela consultoria Korn Ferry, apontou que 60% dos millennials (nascidos entre 1981 e 1996) afirmam que se sentiriam mais inspirados a trabalhar em uma empresa que tivesse tal pensamento. Noventa e cinco por cento das instituições brasileiras afirmam que o ESG está em sua agenda de prioridades. O mesmo estudo indicou que 54% dos entrevistados considerariam mudar de carreira para ingressar na área da sustentabilidade. Mesmo assim, o mercado de profissionais com visão de ESG engatinha no País. “Acredito que não haja uma quantidade expressiva em vista da grande demanda do mercado, ainda mais comparando com o mercado europeu, que já vem preparando a sua cultura organizacional e sua liderança para essa nova conjuntura”, afirma a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), consultora de Governança Generativa e mentora de Liderança Regenerativa Marcela Argollo. O crescimento, porém, é constante, segundo o superintendente de Governança, Riscos e Compliance na Autoridade Portuária de Santos (APS), Claudio Bastos, embora ainda haja dificuldade de encontrar candidatos qualificados em todas essas áreas de conhecimento que se cruzam. “Na prática, temos observado nas empresas uma migração do profissional que já possui experiência e tem histórico de atuação em temas que são contemplados pelo espectro ESG, a exemplo de profissionais de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) ou de governança, riscos e compliance (GRC). Ele amplia o escopo de atuação e se tornar profissional ESG”, explica. Engenheiro, administrador e professor universitário, Ivan Lima também tem observado esse avanço, que classifica como notável. “Universidades e instituições vêm desenvolvendo cursos específicos que abrangem os três pilares do ESG. No entanto, é crucial ressaltar a crescente importância da equidade nesse contexto. A inclusão de temas relacionados à diversidade e à igualdade em programas educacionais destaca a necessidade de profissionais que compreendam e promovam a equidade como parte intrínseca de práticas sustentáveis”, especifica Lima, também presidente do LideEquidade Racial e sócio executivo da IRL Consult. Para mapear um perfil ideal do profissional ESG, é necessário identificar competências essenciais, de acordo com Claudio Bastos. Como esse profissional transita em todas as áreas da empresa, é recomendado que ele disponha de conhecimentos de sustentabilidade, de relações com partes interessadas, de direitos humanos, dos impactos sociais da atuação de uma empresa e dos aspectos mais relevantes da governança. “Em relação a soft skills (habilidades), podemos elencar algumas que sejam compatíveis com o conceito de responsabilidade socioambiental do ESG, tais como proatividade, comunicação e colaboração, além de praticar o walk the talk, ou seja, estar de fato sensível a esta pauta e, por intermédio do bom exemplo, esse profissional ser capaz de inspirar sua equipe e alinhar as pautas ESG com a estratégia necessária para entregar resultados”, detalha. Outra habilidade fundamental, segundo o superintendente de Governança, Riscos e Compliance da APS, é a resiliência. “Em virtude de o assunto ser permeado de questões ideológicas, ainda existe muito ceticismo nas organizações e, portanto, se faz necessário um bom grau de perseverança para sensibilizar lideranças e implementar a mudança de cultura necessária. Costumo dizer que é um trabalho de formiguinha, dada a sua natureza continuada”, completa Bastos Embora existam diversas formações de ESG no mercado ligadas diretamente aos três pilares, tais como ferramentas de governança para mapeamento e análise de riscos, entendimento de cenários atu-ais e regulatórios de matriz energética e regulação para mercado de crédito de carbono, além de gestão com diversidade e inclusão, Marcela Argollo acredita ser necessária uma formação anterior a essa para que todas as ações tenham clareza e constância. “É a necessidade de trabalho do ser humano em si, o que gosto de chamar como ODS zero, a expansão da consciência, que é colocada pela ONU como os IDG (Inner Development Goals). Eles representam metas pessoais e profissionais para crescimento emocional, espiritual e mental. Capacitar líderes em relação aos IDGs envolve o estabelecimento de metas individuais e a criação de estratégias para promover um desenvolvimento mais profundo e significativo, resultando em líderes mais autênticos e alinhados com os valores ESG”, explica. A transversalidade do tema faz com que MBAs e certificações específicas para profissionais de ESG possam ser acessados por pessoas de qualquer nível de formação acadêmica. “Costumo dizer que o ESG, por possuir a diversidade como uma de suas bandeiras, é bem inclusivo acerca das formações: profissionais de Biologia, outras Ciências da Natureza, Gestão de Pessoas, Ciências Sociais, Psicologia, Direito, Administração, Contabilidade e Engenharia podem vir a se tornar profissionais de ESG”, detalha Claudio Bastos.