[[legacy_image_156436]] As internações por covid-19 tiveram queda de 73%, em um mês, na Baixada Santista. No dia 2 de fevereiro, 327 pessoas com coronavírus ocupavam leitos hospitalares nas nove cidades, número que caiu para 88 na quarta-feira. A proporção é semelhante quando se consideram apenas as vagas em unidades de Terapia Intensiva (UTIs): menos 73,2%, de 138 para 37 pacientes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A redução é maior do que a média estadual. Na quarta (2), o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, relatou recuo de 62% nas internações por covid-19. Segundo ele, nas últimas quatro semanas, o número de pacientes internados em todo o Estado passou de 11 mil para menos de 4 mil. “A queda de internações tem a ver com dois fatos: a ampla vacinação, oferecendo uma rede de proteção muito grande, e o não surgimento de novas variantes de preocupação do vírus. As curvas de evolução de casos com a variante Ômicron na África do Sul e vários países europeus foram semelhantes à que vinha ocorrendo no Brasil, permitindo prever o pico de incidência em fevereiro”, explica o médico infectologista Roberto Focaccia. Ainda não se pode, porém, falar em controle da pandemia, de acordo com o infectologista Leonardo Weissmann. “Se as pessoas não se vacinarem, não usarem máscara e mantiverem aglomerações, os números podem se elevar novamente. Durante o Carnaval, apesar da suspensão dos desfiles e blocos em boa parte do País, foram observados inúmeros exemplos negativos e que servem de alerta para as próximas semanas”, adverte o médico. MáscarasCom a queda nas internações, o Governo do Estado avalia mudar as regras para que o uso de máscaras deixe de ser obrigatório em locais abertos a partir da próxima semana. O governador João Doria (PSDB) disse, em entrevista coletiva ontem, que o comitê científico do Estado se reunirá na próxima terça-feira para tomar a decisão. “Nós reproduzimos o que eles decidem. Por isso, ainda não é possível anunciar taxativamente a liberação de máscaras ao ar livre. Mas há uma boa tendência. Tenho a impressão de que o tema máscaras para crianças nas escolas também será debatido na reunião de terça-feira”, afirmou Doria. Questionada se realmente haverá a flexibilização, a Secretária Estadual da Saúde informou, em nota, que “toda e qualquer medida adotada no Estado para enfrentamento da pandemia é pautada na Ciência e na Saúde, precedida por análises técnicas junto ao comitê científico”. CautelaPara o médico infectologista Leonardo Weissmann, é preciso ter muita cautela para qualquer tipo de flexibilização, pois a pandemia ainda não está controlada. Ele pondera que, apesar da alta cobertura vacinal, milhões de pessoas ainda não receberam o imunizante e não estão protegidas. “Além disso, a testagem diagnóstica é feita em um número baixo de pessoas. Para uma medida como essa, precisaríamos testar muito mais. Nesse cenário, pessoas com a infecção deixam de ser diagnosticadas, não se isolam e continuam transmitindo o vírus. É sempre importante lembrar que nem todas as pessoas com infecção apresentam sintomas, mas podem transmitir o vírus”, considera. O médico infectologista Roberto Focaccia acha que a redução do uso de máscaras em ambientes externos “teoricamente pode ser testada, mas com rigoroso acompanhamento epidemiológico”.