[[legacy_image_81919]] A alta do preço de itens básicos da alimentação fez os consumidores mudarem de hábito de forma radical na hora das compras. Carne só uma vez por semana. No lugar do leite longa vida, entra o em pó. Já o café pode ser trocado pelo chá. A professora aposentada Lígia Maria Teixeira da Costa, de 56 anos, afirma que reduziu drasticamente o consumo de carne. “Só uma vez por semana. Diminuí por conta do preço. Como minha filha é vegetariana, estamos buscando receitas. Há filés vegetais, bem temperados, e você não diz que não é carne”, diz. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Lígia fez diversos substituições para outros produtos básicos, mas manteve a compra do leite integral. A opção é pelo mais barato, exceto uma das marcas, que fica “fora de cogitação”. Apesar disto, durante a Reportagem, ao perceber que o preço do semidesnatado no mercado de uma rede popular, no Campo Grande, estava R\$ 2,97 e o integral R\$ 3,77, preferiu o semidesnatado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), subiu 0,87% na segunda quadrissemana de julho, na comparação com a segunda de junho. A métrica calcula dados do mês anterior com o atual, fazendo uma média semanal do índice e a comparando à mesma semana do mês anterior. Segundo o IPC, o leite longa vida subiu 5,13% na segunda quadrissemana, na comparação com o mesmo período de junho. O frango subiu 2,94% e o café 3,58%. Os derivados de carne avançaram 1,49% na mesma comparação. Os industrializados subiram 1,43%. Nas gôndolas Os relatos de consumidores coincidem com a opinião de gestores de supermercados. O gerente do Aldeia, em Santos, Cosme Rocha, afirma que o consumo do leite integral aumentou nas últimas semanas. De acordo com ele, no entanto, houve troca no tipo de produto consumido. “Foi deixado de lado os com menos gordura, mais nobres, e aumentou a venda do integral, que é mais barato que esses”, diz Rocha. Outros produtos seguem a tendência de alta. Segundo os gerentes, há aumentos, em média, de 15% em produtos como carne e leite, 10% no pão francês e 9% entre os enlatados. “Ovo tem saído muito, porque a carne bovina explodiu de preço, está cerca de 12% mais cara em relação ao mês passado”, afirma Rocha. De acordo com o gerente de uma rede popular de supermercados, no bairro do Campo Grande, Mauro Inácio Alves, o consumidor está migrando para produtos similares. Ele cita que, quando houve promoção de batatas, o arroz teve menos procura. “Houve essa troca”, diz. Com relação ao leite, a busca foi pelo leite pó, que aumentou. “As quantidades do leite longa vida diminuíram. Quem levava dez caixas, por exemplo, compra a metade e um saco de leite em pó”, afirma o gerente, que vê uma queda de 20% na quantidade de leite vendido nas últimas semanas. As carnes bovinas foram trocadas principalmente pela suína e o peixe, segundo ele. “Os principais aumentos e trocas estão acontecendo em itens básicos. Menos feijão, arroz, e aproveita-se a promoção do dia”. Aves e suínos Segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), as carnes bovinas subiram 1,76% na segunda quadrissemana de julho, na comparação com o mesmo período de junho. As aves, usadas para substituições por serem mais baratas, segundo os gerentes ouvidos pela Reportagem, tiveram alta de 2,81%. As suínas, no entanto, registraram queda de -0,13% no período. [[legacy_image_81920]] A dona de casa Ana Karina, de 25 anos, disse que conseguiu diversificar alguns produtos, como aves e suínos, mas os itens básicos continuaram na lista. Em sua casa moram quatro crianças e dois adolescentes, além de um adulto especial. No supermercado do Gonzaga, ela levou aves, linguiça toscana e salsicha. “A gente deixa de comprar itens pessoais para manter a alimentação deles”, diz. Itens exclusivos Gerente do Bom Preço, no Paquetá, a gerente Nara Curbage, de 35 anos, diz que sentiu os aumentos, principalmente do leite e seus derivados. No entanto, o comportamento de seu consumidor chama atenção.“Eles mantêm as marcas, podem comprar menos produtos, mas não trocam”, explica. Ela percebeu a diminuição em itens como arroz de 5 Kg, que foi trocado pelo de 1 Kg e também no leite, que tem sido menos comprado, além dos itens de higiene pessoal. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), os preços estão retornando aos patamares de dos meses de junho de 2019 e 2020. Em nota, a Apas explica que o preço do frango em junho subiu 2,17% em relação a maio, acumulando 31,69% nos últimos 12 meses. “Diferentemente de muitos produtos na cesta de consumo, essa proteína animal tem seu preço altamente elástico e sem padrão cíclico de comportamento”, explica. Com relação ao leite, a associação explica que a alta demanda do começo da pandemia, em fevereiro do ano passado, puxou a elevação dos preços. As previsões não são animadoras, pois o derivado deve continuar a subir, acompanhando a alta do IPC. A justificativa é a estiagem, que atingiu as pastagens do Sul no primeiro trimestre, período em que há entressafra - intervalo entre um período de colheita e o próximo.