[[legacy_image_106279]] O custo dos insumos na construção civil tem tirado o sono de construtores e incorporadoras. Com o preço nas alturas, é a inflação do setor que vai balizar o ritmo de novos empreendimentos e o valor dos imóveis, que podem subir daqui para frente. O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), do Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), mede a variação dos custos das matérias-primas utilizadas durante a construção dos empreendimentos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Ele é o termômetro para setor. Os preços dos materiais subiram muito e o INCC está captando isso. Esse movimento começou em agosto do ano passado, com subidas muito altas e em período de tempo bem curto. Um dos componentes do índice, os materiais, está com alta de 30%”, explica a coordenadora de Projetos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), Ana Castelo. O INCC dos últimos 12 meses está com alta de 16,7%. Entre janeiro e agosto deste ano, o índice já bate nos 11,17%, com pico máximo registrado em junho (17,36%). “O ferro e aço tiveram mais de 30% de aumento. O concreto subiu mais de 60%, é algo assim absurdo”, ressalta o diretor regional do Secovi (Sindicato da Habitação), Carlos Meschini. Segundo a coordenadora da FGV, esses reajustes bruscos e pesados acabam representando uma desorganização para os orçamentos das empresas. “As empresas fazem o orçamento para lançar e em pouco tempo ele já está completamente defasado”. Fatores As medidas restritivas adotadas por conta da pandemia causou uma preocupação por parte do setor industrial, que acabou reduzindo turnos e produção. Com isso, a oferta caiu bastante, mas a demanda, que encolheu em um primeiro momento, se recuperou rapidamente, acrescenta Ana. “Com o setor da construção civil sendo considerado atividade essencial, mais o auxílio emergencial e o home office, que fez muitas famílias perceberem a necessidade de fazer reforma no ambiente que agora seria também de trabalho, houve um descompasso entre oferta e demanda e foi sem dúvida para contribuir com pressão sobre os preços”, afirma. Nessa conta, entram ainda a valorização do câmbio e o preço das commodities metálicas no mercado internacional. “Os preços das commodities subiram em dólar e a moeda americana ainda se valorizou”. É esse cenário que vai puxar o preço dos imóveis, segundo o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza. “À medida que vai passando o tempo, vamos fazendo pequenos reajustes. A gente tem contratos futuros. Não existe mágica”. Repasse dos custos Mas ainda está difícil para o setor estimar qual o tamanho do repasse para o valor das unidades, de acordo com o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo. (Sinduscon), Lucas Teixeira. “A gente está com problemas de custo, de saber onde vão parar os aumentos dos materiais. Preciso que isso se estabilize para saber quanto vou cobrar do meu cliente. A pessoa não vai construir para não ter lucro. A gente vai acabar repassando, mas não do jeito que chegou para gente”. Aliás, esse é apontado, no momento, como um dos grandes desafios do segmento. “Isso vai provocar um certo cuidado para colocar um valor de venda, porque é preciso ter um preço que o mercado pode absorver. Não adianta fazer um valor elevado. Tem que equacionar a demanda, o valor do custo de construção e o que o mercado pode absorver para ter sucesso no empreendimento”, acrescenta Beschizza. “Sem contar que temos um sócio no âmbito federal, estadual e municipal, que consome seis meses de recursos. A carga tributária é muito alta”.