[[legacy_image_131782]] Os efeitos da variante do coronavírus Ômicron, já confirmada no Brasil, ainda são uma incógnita, mas, infectologistas ouvidos por A Tribuna apontam que, de acordo com dados preliminares, os sintomas da nova mutação são semelhantes aos de outras variantes, embora esta apresente maior transmissibilidade. Para os médicos, a vacina segue como principal esperança para reduzir os casos da doença, que só pode ser confirmada após sequenciamento genético - protocolo seguido pelas cidades da Baixada Santista. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O médico infectologista Evaldo Stanislau explica que há poucos dados seguros sobre a sintomatologia da variante. “A priori, covid é covid”, enfatiza, dizendo que os sintomas são respiratórios ou leves. No entanto, o profissional se atenta aos relatos anedóticos (ainda informais) sobre a manifestação da doença por meio de dor muscular e febre – semelhantes às demais variantes. “Não dá para dizer que nenhuma manifestação clínica seja característica de Ômicron ou diferente das demais”. Para infectologista Elisabeth Dotti, os sintomas “se misturam” pelo fato de o vírus ser da mesma família. Com base nos relatos médicos dos países com mais casos confirmados da variante, ela cita que os sintomas mais comuns são: cansaço, dor muscular, garganta arranhando, tosse seca e febre baixa. Maior transmissãoStanislau diz que existe uma suposição de que a Ômicron possui alto grau de transmissão. De acordo com ele, esta ainda é uma teoria, mas que se baseia nas mutações da variante. “Algumas mutações fazem com que ela (variante) tenha uma afinidade muito grande pela célula que ela vai parasitar (...) e ela consegue muito sucesso para se transmitir”. Segundo o médico, em um vírus comum o caminho das partículas virais é mais difícil de chegar ao corpo. "Neste (Ômicron), de cada dez partículas virais que tentam entrar em uma pessoa, nove vão conseguir. O potencial que ele tem de infectar é maior. Isso se dá por conta das mutações". VacinaçãoEm meio às incertezas, os especialistas concordam que a vacina segue como esperança. “Há uma expectativa de que aqueles que estejam com a vacinação completa, não tenham formas graves de infecção”, ressalta Stanislau sobre dados considerados preliminares. Para Elisabeth, a maior preocupação está voltada aos que não imunizaram. “A variante quer ir em quem não tomou a vacina, este não está protegido. Isso é uma questão técnica. Ela se desenvolveu (Ômicron) em um Continente (africano) onde o maior número de pessoas não foi vacinada”. Detecção da mutaçãoDe acordo com Stanislau, há uma única maneira de diferenciar a Ômicron de outras variantes: “Exames laboratoriais que vão fazer o sequenciamento e a comparação do vírus pra saber de qual variante é”. Desta forma, as cidades da Baixada Santista coletam testes de covid-19 e encaminham para análise em São Paulo. Questionadas por A Tribuna, as prefeituras de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, Santos e São Vicente informaram que o trabalho de identificação de qualquer variante da covid-19 é feito pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL), que realiza o sequenciamento genético. No entanto, Santos afirmou que não são todas as amostras enviadas ao laboratório que são sequenciadas após o resultado positivo para covid. Peruíbe não se manifestou até a publicação desta reportagem.