[[legacy_image_59074]] Carregados de malas e cercados de incertezas, mas dispostos a buscar um recomeço e construir uma vida diferente, milhares de imigrantes cruzaram oceanos e desembarcaram no Porto de Santos ao longo das décadas. Porém, parte desse grupo não fez da Baixada Santista só um ponto de parada e estabeleceu a região como terra de trabalho, fincando raízes. É em meio a essas histórias de superação e trocas culturais que o Dia do Imigrante é celebrado hoje. Veja mais detalhes na videorreportagem abaixo. [[legacy_youtube_fqRq0YHIbgM]] Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Superação, por sinal, é uma palavra que sintetiza a jornada da professora de língua japonesa Toshiko Ueda, de 83 anos. Ela conta que saiu do Japão aos 17 anos, junto com a família, depois que o pai perdeu o emprego e a terra do sol nascente se encontrava destroçada devido à derrota na Segunda Guerra Mundial. Com costumes e tradições deixadas para trás, Ueda chegou ao Brasil sem saber falar nenhuma palavra em português, um período que ela relembra ter sido duro, de resiliência para reinventar novas formas de viver. “Foi muito difícil me despedir do Japão, quase desmaiei de tanto chorar. Nós sofremos muito, porque eu não sabia falar nada, a cultura brasileira era muito diferente”. Ao contrário de Manuel e Toshiko, que desembarcaram no Brasil já adolescentes, o tabelião português José Artur Mendes Teles, de 69 anos, chegou por aqui aos 3 anos, quando foi morar em São Vicente. Ele faz parte da expressiva colônia portuguesa na região, formada por 48 mil pessoas, segundo balanço de inscritos do Escritório Consular de Portugal em Santos. [[legacy_image_59075]] “Eu costumo dizer que os portugueses se lançavam ao mar para conseguir território sob o lema ‘Navegar é preciso, viver não’, que com o tempo paradoxalmente mudou para ‘Navegar é preciso, viver é preciso’, porque a gente veio para cá por causa da sobrevivência”, falou ao relembrar do pai que foi dono de padaria e da mãe que ficou viúva aos 39 anos e educou sozinha oito filhos. [[legacy_image_59076]] Mas, independentemente das diferentes dificuldades que encontraram para sobreviver na Baixada, há algo de unânime entre eles - o carinho pela região. “Essa terra me viu crescer, me deu oportunidades e, por isso, hoje eu sou muito mais brasileiro que português” contou Teles. E acrescentou Manuel: “Santos é maravilhosa, é uma cidade privilegiada, onde constitui toda a minha família e fiz muitos amigos”. E, para todos, a terra natal virou sinônimo apenas de saudade – o bolinho de bacalhau da dona Isaura Mendes, mãe de Teles; as festas espanholas que Manuel frequentava e os cantos japoneses que Toshiko relembra nas horas vagas, quando a coração fica mais apertado.