Diante à escalada de notificação de casos suspeitos e o primeiro brasileiro confirmado com a doença, autoridades regionais de vigilância epidemiológica definiram os parâmetros de internação e de prevenção contra o novo coronavírus (Covid-19). O Hospital Emílio Ribas, em Guarujá, e o Guilherme Álvaro (HGA), em Santos, são as unidades locais de referência para receber pacientes em estado grave de sintomatologia respiratória. Ao todo, 41 leitos foram destacados para esse tipo de atendimento, conforme orientação da Secretaria Estadual de Saúde. O detalhamento sobre a estrutura regional de enfrentamento da patologia foi apresentado, nesta sexta-feira (28), pelo diretor técnico do Emilio Ribas, Gustavo Pasquarelli, e a diretora do grupo de vigilância epidemiológica, Janice da Silva Santos. Eles participaram da primeira reunião técnica do gabinete de crise, instituído em Guarujá, para assistência ao paciente com suspeita de coronavírus. Referência nacional em diagnósticos de doenças respiratórias, o Hospital Emílio Ribas vai centralizar o atendimento de pacientes adultos da região com quadro clínico crítico do novo vírus. Pasquarelli explica que nove leitos do complexo médico de Vicente de Carvalho foram destacados para esse atendimento. “Estamos completamente preparados para enfrentar (o Covid-19). Fizemos o treinamento de 95% dos colaboradores do hospital. Não existe nenhuma diferença no ponto de vista de atendimento (dos enfermos) em relação ao influenza (H1N1), que agimos desde 2009”, afirma. Ele explica que seis leitos da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) são destinados aos casos mais graves – sendo as outras três vagas de enfermaria. Pasquarelli salienta que pacientes com sintomas leves serão enquadrados nas regras de internação social – ou seja, em quarentena na residência do indivíduo. “Cerca de 90% dos pacientes sequer sentem os sintomas, não sendo necessária a internação”, diz. Para evitar a circulação de vírus no complexo hospitalar, Pasquarelli diz que as alas destinadas aos casos de coronavírus contam com vedação de ar por pressão. Também será reduzido o número de funcionários circulando nessas unidades. As preocupações foram tomadas após estudos identificarem que o maior foco de transmissão da patologia se deu nos hospitais chineses de internação dos enfermos. “Trata-se de um vírus similar à de um resfriado e com baixa letalidade, algo entre 2% e 4% realmente precisam de internação. O Emílio Ribas será capaz de atender (aos casos mais graves)”, continua. Já o HGA será destinado para receber gestantes da região com quadro de suspeita da doença. O complexo hospitalar santista terá duas unidades de UTI e 30 leitos de enfermaria para atender esses casos. Janice diz que crianças com diagnóstico da patologia serão atendidas na Capital. Ela acrescenta que o Hospital das Clínicas e Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na Capital, são as unidades de referências na cidade de São Paulo. No Interior, foram destacados o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, de Campinas e o Hospital de Base de São José do Rio Preto. Triagem Apesar de destacar a baixa letalidade da doença – que gira em torno de 4% dos casos confirmados – as autoridades de saúde regional acreditam num possível alastramento de suspeitas da patologia. Para evitar sobrecarga nas unidades de saúde, uma triagem inicial será feita para classificar o possível caso. Conforme o fluxo de atendimento, pacientes com os sintomas similares de resfriado terão que responder um questionário. Caso tenham viajado para os países em que o vírus já circula ou tiveram contato com quem regressou nesses locais, a pessoa ficará sob suspeição. O que será descartado em resposta negativa. “Não há a necessidade de histeria. Na maioria dos casos, os sintomas são similares a de um resfriado”, continua Janice. Ela explica, contudo, que a preocupação das autoridades sanitárias é de combate ao influenza. Isso porque dos 12 casos em investigação na Baixada Santista, quatro deram positivo para a família pertencente o H1N1 (sendo três pacientes do tipo A e um do tipo B) e outro para rinovírus – dois resultados foram descartados e cinco aguardam contraprova. Por essa razão, a campanha de vacinação contra a gripe foi antecipada para 23 de março. A dose não protege contra o coronavírus, mas combate tipos de influenza. Pasquarelli explica que, assim, pode ajudar profissionais de saúde a diagnosticar, por eliminação, casos de Covid-19.