[[legacy_image_204744]] A Saúde sempre foi um dos maiores desafios para os governantes em um país continental como o Brasil. Em época de eleições, os candidatos apresentam propostas e promessas que nem sempre são cumpridas, diante da complexidade do tema, que envolve, entre tantos pontos, a defasagem de leitos e profissionais, a superlotação de hospitais e a falta de medicamentos e infraestrutura em unidades de saúde. Tudo isso potencializado pela pandemia de covid-19 e o surgimento de novas doenças, como a varíola dos macacos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Neste cenário hostil, os principais hospitais da Baixada Santista que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) atendem diariamente uma grande demanda de pacientes, sem contar com o suporte adequado dos Governos Federal e Estadual quando o assunto é o repasse de verbas. Da União, a maior reclamação é a falta de reajuste da tabela SUS, que prevê remuneração para mais de 4,5 mil procedimentos médicos, desde atendimentos ambulatoriais até cirurgias mais complexas, como transplantes. Em relação ao Governo do Estado, A Tribuna ouviu os representantes da Santa Casa de Santos, da Beneficência Portuguesa de Santos e do Hospital Santo Amaro, de Guarujá, sobre as principais dificuldades enfrentadas na administração dos complexos hospitalares, fundamentais no atendimento à população das nove cidades da região e de outros municípios de fora da Baixada. E quis saber deles as principais reivindicações ao futuro governador de São Paulo. A Reportagem também pesquisou os Programas de Governo dos 10 candidatos a governador do Estado e separou algumas propostas apresentadas pelos partidos (veja o quadro nesta página). A ideia era dar o mesmo espaço para todos, mas enquanto alguns partidos não tinham muita informação sobre o tema, outros apresentaram várias páginas de proposições, que tiveram que ser pinçadas e editadas de forma sucinta. Hospital Santo Amaro Único hospital da Baixada Santista a oferecer 100% do atendimento pelo SUS, o Santo Amaro tem como principal reivindicação ao próximo governador o aumento da verba repassada através do Programa Mais Santas Casas. Segundo o diretor administrativo, José Diógenes da Silva, dos recursos recebidos mensalmente pelo hospital, 50% vêm do Governo Federal, 38% da Prefeitura e somente 12% do Governo do Estado. “Esses 12% equivalem a um repasse mensal de R\$ 1.165.000,00. Entendemos que o Governo do Estado teria que, pelo menos, equiparar os 38% que recebemos da Prefeitura de Guarujá. Temos uma defasagem mensal de R\$ 1,2 milhão e dependendo do mês, o déficit chega a R\$ 1,5 milhão. Se recebêssemos mais do Estado, cobriria o déficit e sobraria para investimentos que hoje não existem. Fazemos, em média, 550 cirurgias, 990 internações e de 9.500 a 10 mil exames ambulatoriais e externos por mês”, contabiliza Silva. [[legacy_image_204745]] Beneficência PortuguesaDe acordo com o diretor administrativo, sem uma linha direta com a Secretaria de Saúde do Estado, o hospital encaminha as solicitações ao governo estadual através da Diretoria Regional de Saúde (DRS-4) da Baixada Santista. E conta com o apoio da Federação dos Hospitais Filantrópicos, mas isso não tem sido suficiente. “O máximo que conseguimos foi o Mais Santas Casas, mas não houve aceno a outros recursos ou a outro programa”, lamenta. Com 74 leitos de enfermaria e 9 leitos de UTI disponíveis para os pacientes do Sistema Único de Saúde, a Beneficência também mantém 70% do atendimento de quimioterapia e radioterapia para os usuários do SUS, de acordo com o presidente da filantrópica, Ademir Pestana. Ele acredita que o investimento maciço em prevenção é fundamental para potencializar o atendimento dos hospitais. “Talvez deva-se pensar numa saúde em que cada hospital faça alguma especialidade, dentro de suas referências. É um bom caminho para o governador gerir a saúde da região. Definir que hospital vai fazer cirurgias de coração, qual vai atuar na oncologia... Seria uma forma de baratear a saúde. Também espero do governador verbas para ajudar a fazer os mutirões de saúde, porque tem exames que estão demorando muito”, aponta. Pestana elogiou o Programa Pró Santa Casa, criado pelo Governo do Estado, que proporcionou mais verbas aos hospitais filantrópicos. “O estado de São Paulo tem as filantrópicas mais atuantes do País, mas para que continuem fortes, precisam de recursos. O Pró Santa Casa é um encaminhamento formidável para os outros hospitais, que recebem um aporte financeiro para o adiantamento na Rede Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde)”. [[legacy_image_204746]] Santa CasaA Santa Casa de Santos também tem pleiteado junto ao Governo do Estado mais recursos do Programa Mais Santas Casas. No primeiro semestre deste ano, após um encontro do provedor Ariovaldo Feliciano com o atual governador Rodrigo Garcia, a filantrópica conseguiu um repasse extra de R\$ 5 milhões, além dos R\$ 6 milhões que receberia do Estado em 2022. Engrossando o coro pelo reajuste na tabela SUS pelo Governo Federal, que segundo ele, não é reajustada há 15 anos, Feliciano cita a distorção criada pelo valor pago ao hospital em relação ao custo de um procedimento. “Por uma cirurgia de hérnia, o SUS remunera com R\$ 600, mas só com remédio e anestesia, o custo é de R\$ 1,5 mil, sem contar o honorário médico. Isso vai gerar um prejuízo incalculável. Em um encontro em 2021, em Brasília, a maioria dos representantes das Santas Casas disseram que estão trabalhando no vermelho há muito tempo”. Como não há perspectiva de aumento da tabela SUS, o provedor vê o incremento do Mais Santas Casas como uma saída para a crítica situação financeira dos hospitais filantrópicos. “Com a pandemia, os procedimentos ficaram represados. Somente na Baixada Santista são 8 mil. O Estado está contratando hospitais para dar vazão a esses procedimentos, mas ofereceu o dobro da tabela do SUS e mesmo assim não satisfaz. As filantrópicas fizeram o cálculo e, hoje, para poderem sobreviver, o valor teria que ser o triplo da tabela do SUS”. [[legacy_image_204747]]