[[legacy_image_295788]] Na Semana da Independência, o Papo Tribuna decidiu voltar ao passado para relembrar curiosidades sobre um capítulo importante da história do Brasil: o 7 de setembro de 1822. O então príncipe regente, dom Pedro I, passou por Santos e Cubatão horas antes de gritar a famosa frase “Independência ou morte” e se tornar imperador do Brasil. Adiante, trechos da entrevista com o jornalista e pesquisador Sergio Willians, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos e colaborador quinzenal de A Tribuna. José Bonifácio de Andrada e Silva teve total influência para a Independência do Brasil como um articulador? Sim, ele foi uma figura de extrema inteligência. Um fator preponderante para essa história foi a sua proximidade com a imperatriz Leopoldina. Os dois, juntos, possibilitaram que esse caminho da Independência fosse feito por dom Pedro, o que já era um fato inevitável. Há algum tempo, o Brasil já estava vivendo algumas insurreições em alguns cantos, como a Inconfidência Mineira (no final do século 18). Sendo assim, o Bonifácio, junto da futura imperatriz, fez com que o Brasil se mantivesse unido sob o mesmo governo, entendendo que a monarquia era a melhor solução para isso. Portanto, ele conseguiu direcionar o príncipe regente para que ele proclamasse a Independência e rompesse os laços com Portugal. Você acredita que a visita de dom Pedro I a Santos foi apenas para vistoriar as fortalezas ou tinha alguma resistência para o fim desses laços entre Portugal e Brasil? Historiadores contam que havia uma insurgência na Capital (Rio de Janeiro, na época), já em processo de libertação, e que Bonifácio e a imperatriz Leopoldina orientaram que dom Pedro viesse a São Paulo para abafar essa insurgência e inspecionar essas fortificações, para que não houvesse uma retaliação de Portugal invadindo o Brasil, já que o Porto de Santos era estratégico. Então, o príncipe regente pernoita em São Paulo para chegar em Santos no dia 7 de setembro, que é quando, no meio do caminho, ele se encontra às margens do Rio Ipiranga, que nada mais é do que a estrada que levava a Santos, onde acontece o ato do “Independência ou morte”. Se não tivessem ocorrido algumas situações peculiares aqui em Santos, como a história de ele ter comido um chouriço na casa de Bonifácio e ter passado mal, com problemas intestinais, a sua volta para São Paulo não teria sido antecipada. Além do suposto problema intestinal, qual a outra suposição? Quando dom Pedro chega a São Paulo, antes de vir a Santos, recebe algumas pessoas da população em algumas audiências. Entre elas, recebe uma donzela de olhos negros, que era casada, chamada Domitila de Castro Canto e Melo. Como ela apanhava do marido, os pais dela pediram ao príncipe uma audiência para que o casamento fosse anulado. Surge, então, a suposição de que ele teria se apaixonado por Domitila, que, mais tarde, seria a sua amante e que ainda ganharia o título de Marquesa de Santos, depois de alguns anos. Mas, na verdade, ela nunca esteve na Cidade. O que dizia na carta que José Bonifácio entregou a dom Pedro I? José Bonifácio já recomendava que dom Pedro tomasse essa atitude de proclamar a Independência e manter o Brasil unido sob uma coroa comandada por ele, porque sabia que, se não fosse dessa forma, provavelmente haveria novas insurgências e o País teria várias repúblicas quebradas, assim como a América Espanhola, o que julgava ruim para o Brasil. Então, Bonifácio foi um grande conselheiro para dom Pedro, tanto que foi ministro das Relações Exteriores no Primeiro Reinado e é o único brasileiro que tem uma estátua fora do País, que fica em Nova Iorque (nos Estados Unidos), representando o Brasil independente. Muitos dizem que não eram cavalos que estavam no caminho que dom Pedro I percorreu de Santos a São Paulo. O que pode ser dito sobre isso? A Calçada do Lorena, que é uma estrada antiga que existia na Serra do Mar, é feita de pedras. Além disso, ela era muito íngreme, com 99 curvas. Portanto, era muito difícil ele ter subido em um cavalo. Ou ele subiu carregado em uma cadeira ou no lombo de uma mula. Obviamente, o quadro das margens do Rio Ipiranga apresenta certa licença poética.