[[legacy_image_81268]] Murilo Ferraz, de 21 anos, é programador de jogos. Morador de Guarujá, ele mudou de curso na área duas vezes, em busca de um mais satisfatório, e enfrenta as dificuldades de início de carreira. Para Ferraz, além da formação, encontrar emprego na região não é fácil. Há pouco espaço para programação de jogos e empresas, quando há, são pequenas. E as maiores querem sempre portfólio, segundo ele. “É impossível se não te dão oportunidade de começar”. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Segundo especialistas, o mercado de desenvolvimento de jogos tem potencial de crescimento no Brasil, inclusive na Baixada Santista. Profissionalmente já há muitos brasileiros vivendo desse segmento pelo mundo. No caso da região, inclusive, já existe formação técnica gratuita. A região possui curso técnico público voltado à programação e desenvolvimento, através das escolas técnicas estaduais (Etec) em Cubatão e Santos. Para Ian Rochlin, fundador e CEO da Game Jam Plus, maior competição de desenvolvedores de games do mundo, o País é promissor, mas está caminhando a passos lentos. O salário de um programador sênior de jogos, no exterior, pode ser de US\$ 5 mil, segundo Rochlin. No Brasil, essa remuneração beira os R\$ 10 mil com direito a registro em carteira, segundo o empresário. “Há uma oferta razoável para profissionais de começo de carreira, com salários de cerca de R\$ 3 mil, em regime CLT. Mas um programador de jogos fera pode ter salários estratosféricos lá fora”, diz. No entanto, essas oportunidades ainda estão restritas às capitais e ao eixo Rio-São Paulo. Segundo o organizador da Game Jam Plus, é preciso que haja políticas públicas para fomentar também a instrução, só assim menos talentos serão perdidos. “Obter conhecimento não é caro, o problema é o acesso a ele, que a maioria não tem. E não é só sobre ter internet, é preciso um acesso de qualidade, falar inglês, ter tempo para se dedicar aos estudos”, diz. Para Murilo Ferraz, não basta só ter cursos. “É preciso criar leis de incentivo, bolsas”. Para Rochlin, o Projeto de Lei no 3477/2020, apresentado na Câmara dos Deputados no ano passado, seria um avanço por garantir maior investimento em acesso gratuito à internet. A proposta dá acesso gratuito à internet para a educação, além de equipamentos para estudantes de baixa renda e professores da rede pública de ensino. São mais de R\$ 3 bilhões do orçamento. O presidente Jair Bolsonaro chegou a vetar o projeto, derrubado no Senado. O consumo de jogos no Brasil é a maior justificativa para estimular os negócios de games no País, com vendas esperadas neste ano de US\$ 2,3 bilhões – 5,1% a mais que em 2020, segundo a consultoria Newzoo. Game Jam Plus Rochlin comanda a quinta edição do Game Jam Plus. Os vencedores apresentam seus projetos de jogo a investidores através da consultoria de Rochlin e outros mentores da competição. O empresário carioca é um entusiasta da indústria nacional. Ele conta que o Brasil é uma potência, sendo o quarto maior consumidor de jogos, mas 12º em receitas com produção. “Gastamos muito, mas fomentamos pouco”, avalia. Segundo ele, o foco no País ainda são os eventos para o público gamer, principalmente os que gostam de e-sports, jogos de futebol eletrônicos. Mas a capacitação para mão de obra qualificada ainda é deficiente. “Com a pandemia, ficou evidente que algumas profissões podem ser realizadas de longe. Os poucos bons produtores estão trabalhando para empresas do exterior sem precisar sair do País”, explica Rochlin. Competição reúne desenvolvedores Santos pode ser um novo polo de desenvolvedores, na opinião de Ian Rochlin. Com inscrições abertas para a edição deste ano até agosto, a GameJamPlus ainda não tem participantes da região. “Mas nós esperamos que eles (desenvolvedores santistas) se animem e participem”, reforça. O campeonato funciona em quatro etapas. No ano passado, 22 países participaram. Somando todos os voluntários pelo mundo, são mais de 1 mil envolvidos atualmente. Segundo Rochlin, a ramificação funciona a partir de comitês das cidades, que fazem uma pré-seleção. Todo o processo requer uma inscrição simbólica de R\$ 50, mas o empresário orienta os organizadores de comitê que isentem aqueles que não puderem pagar. “O importante é que participem”, reforça. Hackatons (encontros) de jogos são organizados localmente, depois os dois melhores times de cada cidade participam de capacitação com o pessoal da GameJamPlus e melhoram seus jogos. A semifinal é continental e, por fim, o projeto final é apresentado a investidores. “Cem por cento do dinheiro das inscrições é para levar os finalistas ao Rio, onde tradicionalmente acontece a final. Temos, hoje, uma média de 40 pessoas por cidade participando”, diz. Se a ideia é começar, Ian Rochlin dá algumas dicas. Aos que possuem menos de 18 anos, diz, é legal buscar escolas geek e programação infantil. “Em idade universitária, buscar cursos específicos. Na UFRJ (Federal do Rio), há curso de desenvolvimento de jogos. Em São Paulo, sei que há faculdades que fazem também”, explica. As associações, como a Ring (coletivo de desenvolvedores do Rio), Gaming e ADJogos, são opções. “São sementinhas que queremos plantar e inspirar”.