[[legacy_image_24522]] A quarentena no Estado termina no próximo domingo e os prefeitos da região se dividem quanto à flexibilização das restrições após esse período. Os médicos infectologistas, porém, não têm dúvidas: o isolamento social deve ser mantido, ainda mais pelo fato de o País estar próximo de atingir o pico de casos de coronavírus. Em meio a esse cenário, ainda de portas fechadas, comerciantes e empresários só querem voltar às atividades. Apesar de já ter citado a possibilidade de uma retomada gradativa, o governador João Doria (PSDB) condicionou a revisão da quarentena a avaliações por cidade, com base nas taxas de casos, índices de isolamento e capacidade de atendimento hospitalar. Diante dessas condições e do ainda crescente número de doentes, o comércio se mostra pessimista em relação à abertura de lojas. Sentimento reforçado após o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb) anunciar, quarta-feira, a ocupação de 80% dos leitos de UTI da região. Cautela O prefeito de Santos e presidente do Condesb, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), se mostra preocupado com a flexibilização das restrições e cita o apoio de um grupo de especialistas em infectologia para tomar as decisões necessárias. “A abertura está vinculada à redução do contágio e regras como distanciamento, uso de máscaras, álcool em gel e limite de pessoas nos espaços. O que fazemos hoje tem reflexo 15 dias depois. Quem deixa de seguir o isolamento prejudica o possível retorno das atividades lá na frente. Não podemos cometer o erro de flexibilizar e voltar atrás”. O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), também adota uma postura cuidadosa. “O termo flexibilização é perigoso e dá a entender que todos vão avacalhar. Na verdade, trata-se de realinhar a atividade econômica para que se consiga produzir e não acabar com empregos”. Os chefes do Executivo de Peruíbe, Luiz Maurício (PSDB), e de Mongaguá, Márcio Cabeça, (Republicanos), também são cautelosos. Para Maurício, “a retomada das atividades comerciais tem reflexo positivo na economia, mas o isolamento contribuiu com a manutenção das condições de atendimento na rede de saúde.” Cabeça, por sua vez, acredita que a mudança da quarentena só ocorrerá quando a população, de fato, seguir o distanciamento. “Se a curva da doença não for achatada, não deve haver flexibilização”. Retomada O prefeito de São Vicente, Pedro Gouvêa (MDB), acredita que o governador buscará uma alternativa para a retomada da economia. “Já se passaram mais de 30 dias desde o início do isolamento e hoje se faz necessária a flexibilização”. O prefeito de Itanhaém, Marco Aurélio Gomes (PSDB), defende a retomada gradual dos serviços e crê na redução das restrições após o dia 10 aos “municípios que apresentem índices favoráveis, com base na curva epidemiológica e ocupação dos leitos ofertados". Em Guarujá, o prefeito Valter Suman (PSB) já flexibilizou regras para algumas atividades e reforça que a ação não vai contra o princípio do isolamento social. “O Município é a favor de uma abertura gradual, desde que pautada por cuidados específicos e normas rígidas”. Os prefeitos de Cubatão e Bertioga não responderam à Reportagem.